Além das desigualdades mais amplamente conhecidas, no dia a dia e no mercado de trabalho, estudos apontam ainda a discrepância na tributação de produtos voltados para mulheres em relação aos seus equivalentes no mercado masculino.
Para elas, a alíquota é alta, não importa quão essencial seja o produto. Esse foi o resultado de uma pesquisa realizada pelo grupo Tributação e Gênero, do Núcleo de Direito Tributário pertencente ao Mestrado Profissional da FGV, em São Paulo.
O grupo de pesquisa apurou que a alíquota média do imposto sobre os absorventes é, em média, de 27,5% no Brasil. A situação é agravada ao adicionar o fator salarial. As mulheres ganham 22% a menos que os homens, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
“As mais afetadas pela desigualdade são as mulheres negras, que têm os menores salários”, afirmou Tathiane Piscitelli, professora e pesquisadora da FGV.
O mesmo é visto no exterior. Um levantamento do Departamento de Assuntos do Consumidor dos Estados Unidos (DCA) apontou diferença média de 7% nos impostos em cima de produtos voltados para as mulheres. A maior diferença foi vista nos produtos de higiene pessoal – os preços de produtos femininos são 13% mais caros do que os masculinos.
As roupas para o gênero feminino, infantis e para adultos, são 8% mais caras para os norte-americanos. Já os brinquedos e acessórios femininos são 7% mais caros.
Segundo a presidente da Comissão Nacional da mulher advogada da Ordem dos advogados do Brasil (OAB), Daniela Borges, o sexo feminino tem uma carga tributária 40% maior que os homens. “Vemos essa diferença especialmente nos cosméticos”, ressaltou.
“Popularmente, chamamos essa diferença de ‘Imposto Rosa’. Não é só a questão do imposto; a indústria, de forma geral, coloca preços maiores em produtos femininos, o que não faz sentido nenhum”, comentou o advogado tributarista Samir Nemer.
Ele destacou que produtos que têm a mesma tecnologia e o mesmo uso são mais caros para as mulheres. “Como exemplos, temos a lâmina para a depilação, que é a mesma que o homem usa para se barbear. Xampu, condicionador, desodorante e perfumes femininos também são mais caros”, concluiu o especialista.
Mais gastos do que os homens

“Meu marido tem gastos muito menores com roupas e cosméticos. Além da convenção social de que a mulher deve investir mais na beleza, os produtos para nós são muito mais caros”.
Segundo ela, a redução de impostos seria boa para as consumidoras e para o comércio.
“As mulheres acabam consumindo mais, apesar de exercerem menos cargos de poder e receberem salários menores. O poder público poderia tentar reverter essas desvantagens”.
Saiba mais
Pesquisas
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Estudos apontam que os mesmos produtos, com a mesma função, custam mais caro para as mulheres.
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O grupo Tributação e Gênero, do Núcleo de Direito Tributário, pertencente ao Mestrado Profissional da FGV, apurou alíquotas exageradas em produtos como o absorvente (27,5%).
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Cosméticos têm as maiores diferenças de preços para produtos masculinos e femininos.
Desigualdade
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De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as mulheres ganham, em média, 22% a menos que os homens.
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As mulheres também ocupam menos cargos de liderança
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De acordo com as pesquisadoras da FGV, as mulheres mais pobres e as mulheres negras são mais prejudicadas, por receberem salários ainda menores.
Produtos femininos com maiores impostos
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Absorvente.
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Lâmina.
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Xampu.
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Condicionador.
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Perfume.
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Roupas.
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Relógio.
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Acessórios femininos.
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Brinquedos.
Fonte: Grupo de estudos Tributação e Gênero (FGV) e especialistas entrevistados.
Análise – Ivone Vilanova, especialista em Direito da Família e da Mulher

Vemos ainda que não há disposição no Congresso para o avanço de políticas públicas que reduzam essas desigualdades.
Entre as mais pobres, chefes de família, esse abismo é ainda maior. Elas não conseguem participar desse consumo, eliminando as próprias necessidades para cuidar dos filhos”
