Troca de cardápio, menos tempo no banho, cancelamento de TV por assinatura, passeios uma vez por mês… Esses são alguns novos hábitos que muitas famílias estão tendo de adotar para manter as contas em dia.
Com os reajustes frequentes nos preços dos alimentos, da energia, dos combustíveis, da água e de serviços e produtos em geral, tem sido cada vez mais difícil fechar o mês sem ficar no vermelho.
Na casa da consultora de finanças pessoais Brunela Zambon, o planejamento financeiro foi fundamental para a família reduzir os gastos. Em um ano, eles economizaram R$ 7 mil, uma média de R$ 600 por mês.
“Em termos de energia, comecei a monitorar o tempo do ar-condicionado, e já consegui reduzir a conta. Tem uma organização da lavanderia, para não ter que lavar e passar todo dia. No mercado, fiz um ajuste de açougue, com planejamento de cardápio, diminuí 30% da minha compra. Dos sete dias, dois são frango, um é porco, um é fígado, outros dois com carne vermelha”, relata.
O economista Mário Vasconcellos diz que a medida adotada por Brunela é o primeiro passo para reduzir custos. Para ele, sentar com a família e contabilizar as receitas, gastos e despesas pode fazer a diferença na hora de economizar.
“Deve haver classificação do que é essencial e do que é dispensável. Gastos essenciais são a prestação de casa, carro, água, luz. Não essenciais são academia, inglês, assinaturas, gastos que não têm a ver com a subsistência da família. A partir daí, pode identificar quais pode-se cortar e quais se deve manter”, aconselha.
Na família Jerônimo, o casal de publicitários Rhamôna e Brenno, ambos de 26 anos, pais da menina Niara, de 5 meses, também estão revendo hábitos para garantir as despesas sem extrapolar o orçamento.
“A gente começou a cortar coisas que tinham muito desperdício. Trocamos o café de coador por café solúvel, que rende mais e dura o mês inteiro. Também trocamos o sabonete em barra por líquido”, comenta Rhamôna.
O casal conta que, para economizar, também têm investido na reeducação alimentar e feito compras no atacado.
Além disso, eles ficam de olho nas promoções online e em sites de venda.
Previsão é de mais aumentos de preços
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto registrou um aumento de 0,89% ficando 0,17% acima da taxa registrada em julho. Essa foi a maior variação para um mês de agosto desde de 2002, quando foi de 1%.
Para o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo, Ricardo Paixão, a inflação deve diminuir somente quando o País retomar o seu desenvolvimento econômico. Para ele, a estimativa é de que isso aconteça daqui a pelo menos dois anos.
“A pandemia desarticulou as cadeias produtivas e isso elevou os custos. Empresas de vários setores sofreram com esse impacto e tiveram que repassar no preço dos produtos. Estamos tendo uma elevação generalizada, isso significa a inflação”, diz o economista.
“Para recuperar essa situação, a gente precisa de dois a três anos no mínimo de crescimento econômico, para que as famílias voltem a consumir e o desemprego comece a diminuir”, completa.
Ainda segundo Paixão, a economia brasileira é desenvolvida por meio do consumo familiar, o que também pode ser um fator agravante para sua recuperação, visto que os reajustes dos preços têm sido frequentes e a taxa de desemprego continua crescente.
“Nossa economia tem uma característica importante porque nosso crescimento econômico é via consumo das famílias, então, se as famílias estão desempregadas e endividadas, isso inviabiliza o desenvolvimento econômico do País”, cita o economista.
O levantamento do IBGE ainda aponta que o setor de habitação exerceu o maior impacto no índice, representando 0,31% do percentual total, com uma variação de 1,97%. Especialistas defendem que, mais uma vez, o aumento pode ter sido influenciado pela alta da energia elétrica (5%).
SAIBA MAIS
Inflação
- dados do IBGE mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto registrou aumento de 0,89%, ficando assim 0,17% acima da taxa registrada em julho.
- essa foi a maior variação para um mês de agosto desde de 2002, quando foi de 1%.
- O setor de habitação exerceu maior impacto no índice, representando 0,31% do percentual total, com uma variação de 1,97%.
- Alimentos e bebidas aumentaram mais que o dobro, passando de 0,49% para 1,02% em agosto.
Dicas para economizar
- Aproveite promoções.
- Faça uma lista antes de ir para o mercado. A lista pode ajudar a comprar além do necessário.
- Compre no atacado. Comprando em quantidades maiores, o preço da unidade do produto costuma sair mais em conta.
- Despreze as marcas mais tradicionais. Sempre tem produto similar que é mais barato.
- Acumule roupas para lavar de uma só vez, assim como para passar. A mudança pode garantir economia nas contas de luz e de água.
- Reduza o tempo do banho e deixe o chuveiro no modo verão.
- Prefira a vassoura ao aspirador de pó.
- Troque as lâmpadas. Lâmpadas de led ou fluorescentes iluminam melhor e são mais econômicas que os modelos incandescentes.
- Ajuste a geladeira. Coloque o refrigerador na configuração de inverno, que é a mais econômica.
- Evite deixar a TV ligada. Se você gosta de ver TV para dormir, programe-a para desligar automaticamente depois de um tempo.
- Não use o celular na tomada. Usar o aparelho enquanto ele carrega aumenta significativamente o seu consumo de energia.
- Corte gastos desnecessários. Se tem algum serviço pelo qual você paga sem usar muito, como TV por assinatura e serviços de streaming (Netflix, Amazon Prime, Spotify), corte-os do orçamento.
- Envolva toda a família. Não adianta só uma pessoa estar disposta a economizar. Todos os familiares devem estar dispostos a participar do planejamento financeiro da casa.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e economistas Mário Vasconcellos e Ricardo Paixão.
