Nem mesmo os mais experientes e vividos veem os preços da gasolina sem se assustar. O litro do combustível chegou ao valor médio de R$ 5,02 no Espírito Santo, e em alguns municípios, como Marataízes, no litoral Sul, essa média é de R$ 5,37.
O preço está mesmo no patamar mais alto da série histórica, iniciada em 2001, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ou seja, a gasolina é a mais cara em pelo menos 20 anos. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos-ES) afirma que o preço é o mais alto da história capixaba.
Segundo o economista Antônio Marcus Machado, os valores devem continuar subindo. Ele explicou que, no início da pandemia, a procura pelo combustível despencou e os preços caíram. Mas esse movimento agora se reverteu.
“O mercado internacional está mais confiante com as perspectivas de desenvolvimento econômico e do fim da pandemia. Com o dólar em alta, a tendência é que a gasolina fique cada vez mais cara, e o consumidor não tem como escapar”, ressaltou Machado.
“É possível buscar soluções intermediárias para gastar menos, como o transporte solidário e as bicicletas”, sugeriu.
O historiador Rafael Simões explicou que a Petrobras tem adotado, desde o governo Temer, o vínculo dos preços do petróleo ao mercado internacional.
“Como o mercado está sempre oscilando, a estatal tem feito um grande número de reajustes desde 2017. Antes da greve dos caminhoneiros, em 2018, o combustível chegava a subir de preço duas vezes na semana”, lembrou.
Segundo Eval Galazi, presidente do Sindipostos-ES, os estabelecimentos têm repassado imediatamente os aumentos ao consumidor. “Nossa margem de lucro está baixa, e o movimento caiu. As pessoas já não enchem mais o tanque”.
Dono de um posto de combustível em Vitória, Anderson Basílio teve que aumentar a gasolina em R$ 0,20. “Nossa gasolina foi para R$ 4,99 porque o repasse da distribuidora superou o da refinaria. E nos próximos dias, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) vai aumentar”.
