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Economia

Gasolina pode superar R$ 6 e tem maior valor em 27 anos

O consumidor vai levar mais um golpe no bolso com o novo aumento dos preços de combustíveis anunciados pela Petrobras. Somente a gasolina será ...

Valores cobrados em posto em Vitória ontem, antes do reajuste: gasolina comum já custava mais de R$ 5

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O consumidor vai levar mais um golpe no bolso com o novo aumento dos preços de combustíveis anunciados pela Petrobras. Somente a gasolina será reajustada em 10,2% e representará o quarto aumento do ano.

Especialistas afirmaram que, em alguns municípios, o combustível já poderá ser encontrado a R$ 6. Eles destacaram que a alta corresponde ao maior valor nominal desde o início do Plano Real, há 27 anos.

Eval Galazi, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos-ES), foi mais longe: afirmou que nunca na história do País a gasolina esteve tão cara. “Com certeza é o maior preço da história. Eu estou nesse ramo há 47 anos e nunca vi um preço tão alto como agora”, disse.

Valores cobrados em posto em Vitória ontem, antes do reajuste: gasolina comum já custava mais de R$ 5 (Foto: Leone Iglesias/AT)

Apesar disso, o historiador e professor universitário Rafael Simões não soube precisar se este é o maior preço de todos os tempos: “Antes do Plano Real tínhamos muitos aumentos e eram coisas bem catastróficas.”

O diesel também vai subir. O preço nas refinarias será de R$ 2,58 por litro, uma alta de 15,1%. Em seu terceiro reajuste anual, o diesel acumulará avanço de 27,7%. Já a gasolina vai somar 34,7% de aumento desde o início de janeiro.

Atualmente, em municípios de fora da Grande Vitória, já é possível comprar a gasolina a R$ 5,59. Isso antes mesmo do novo reajuste ser aplicado, o que está previsto para acontecer a partir de hoje.

“É possível que esse repasse ocorra para consumidores, com riscos de superar R$ 6 em alguns postos. Mas isso pode levar alguns dias, já que muitos estabelecimentos contam com estoques adquiridos a preços mais baixos”, destacou o economista Eduardo Araújo.

O valor, no entanto, vai variar de acordo com a distância de cada município. “Quem compra em Colatina, por exemplo, paga mais de frete do que quem compra na Grande Vitória. A medida que vai aumentando a distância, vai aumentando o frete”, explicou Eval.

Em nota, a Petrobras disse que “o alinhamento dos preços ao mercado internacional é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros refinadores, além da Petrobras”.

Greve não está descartada

Caminhoneiros de todo o Estado estão preocupados com o novo aumento do preço dos combustíveis do País. De acordo com Bira Nobre, porta-voz da categoria em solo capixaba, uma paralisação não está descartada.

“Traz um desconforto muito grande e os caminhoneiros estão desesperados, sem saber o que fazer. Muitos estão em viagens e vão perder dinheiro na viagem que estão realizando, carregando com o frete antigo. Não sabem nem como voltar”, afirmou o porta-voz.

Ele informou ainda que já circulam rumores em grupos de WhatsApp de paralisações em protesto sobre o novo aumento. No entanto, Bira disse que a decisão deve partir dos próprios caminhoneiros.

“Estamos vendo rumores em nível nacional, mas ainda não dá para dizer o que vai acontecer. Penso que a decisão deve partir da massa, de quem está sofrendo nas estradas. Nada está descartado pelo que estou ouvindo. As lideranças estão se manifestando agora”, disse.

Aumentos

Especialistas destacaram que novos aumentos no preço dos combustíveis podem ocorrer. De acordo com o economista Eduardo Araújo, as chances são grandes.

“É difícil fazer previsões para cotação desse tipo de produto. Mas há uma tendência de alta que decorre da recuperação da atividade econômica mundial. Então, há uma chance muito grande de consumidores terem novos aumentos nas próximas semanas”.

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