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O governo federal quer utilizar R$ 3 bilhões da indenização paga pela Vale pela tragédia ocorrida com a barragem da Samarco em Mariana, Minas Gerais, em 2015, para fazer obras de duplicação da BR-262 e tornar a privatização da rodovia viável.
A informação foi confirmada pelo ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, em entrevista ao jornal Valor. O uso dessa compensação da mineradora na BR-262 já havia sido antecipada por A Tribuna, em reportagem publicada no dia 24 de abril.
Conforme informado com exclusividade pelo blog Economia ES, do Tribuna Online, as obras na rodovia são caras e complexas, afastando investidores. Para viabilizar o leilão, o governo resolveu utilizar o recurso pago pela Vale, reduzindo a cifra total dos investimentos do setor privado.
O aporte financeiro é uma das medidas para tentar tornar a concessão mais atrativa, já que não houve investidores interessados nas outras tentativas de conceder a rodovia à iniciativa privada.
O deputado federal Evair de Melo acredita que, sem investimento público, a obra não vai para a frente. “Inicialmente, esse dinheiro deve ser usado nos trechos mais complicados, como na alça do rio Jucu, entre os quilômetros 26 ao 35”, acrescentou.
Evair também defendeu que o projeto passe por mudanças para ficar mais atrativo aos investidores: “O edital de agosto está sendo redesenhado, algumas partes estão sendo revistas, alguns trechos da duplicação devem ter o prazo estendido, talvez tirar a necessidade de duplicação em alguns.”
O consultor de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Luis Claudio Montenegro, contou que a instituição tem buscado auxiliar na questão, e para isso tem mantido diálogo com o governo federal e as demais partes envolvidas no leilão.
“Apoiamos a discussão de uma remodelagem que viabilize as obras na rodovia BR-262, apoiamos que seja feita uma parceria público-privada e apoiamos que esse recurso seja usado nesse projeto. Isso traz desenvolvimento econômico e social para o Estado”, defendeu o consultor.
Custo chega a R$ 20 milhões por km duplicado
Além da complexidade da obra, um dos fatores que faz com que os investidores fiquem receosos em apostar no leilão da BR-262 está no seu alto custo. Engenheiros e outros especialistas contam que o valor da duplicação varia conforme a complexidade do trecho.
Por exemplo, um trecho em que há necessidade de quebrar rochas e pedras tem custo médio de R$ 20 milhões por quilômetro. Trechos que não possuem o mesmo empecilho custam bem menos, entre R$ 5 milhões a R$ 8 milhões.
São aproximadamente 105 km de rodovia que precisam ser duplicados no Estado, em torno do km-7 ao km-111. Para fazer esse trecho, estima-se o custo médio de R$ 1,5 bilhão.
Especialistas em mobilidade urbana destacam a topografia da região, formada por um terreno montanhoso, somada à presença de rochas que acabam por aumentar o custo das obras.
Outros fatores que encarecem a empreitada são os equipamentos especiais que a obra necessita. De acordo com os especialistas, o problema é que se a duplicação fica muito cara, o resultado disso se reflete no pedágio.