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Economia

“Indústria 4.0 representa a transformação digital”

Falar sobre Indústria 4.0 para a maioria é o mesmo que lidar com um verdadeiro bicho de sete cabeças. Porém, a Manufatura Avançada, Indústria do ...

Indústria: os países estão buscando investir em novas tecnologias no setor produtivo. Um estudo do Fórum Econômico Mundial diz que serão eliminados 75 milhões de postos de trabalho, mas que serão criados outros 133 milhões

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Falar sobre Indústria 4.0 para a maioria é o mesmo que lidar com um verdadeiro bicho de sete cabeças. Porém, a Manufatura Avançada, Indústria do Futuro ou Fábrica Inteligente, como também pode ser chamada, está bem perto de todos e se expandindo cada vez mais rápido.

Na verdade, o termo pode parecer estranho e complexo, mas não é. A Indústria 4.0 engloba as principais inovações tecnológicas nos campos da automação, do controle e da tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura.

Luciano Raizer Moura (Foto: Juba Paixão)

Na prática, é a fusão do mundo físico com o digital nos processos de produção. Tudo isso vai torná-los cada vez mais eficientes, o que impactará diversos setores do mercado e promoverá várias oportunidades.

Para falar sobre o assunto, a Rede Tribuna convidou o vice-presidente de Inovação e Tecnologia da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Luciano Raizer Moura, para apresentar a palestra “Indústria 4.0”, no segundo evento do projeto Em Pratos Limpos. À reportagem, ele deu uma prévia do que será abordado.

PERFIL: Luciano Raizer Moura
Formação: Doutor em Engenharia de Produção com pós-doutorado em Indústria 4.0 no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. Especializou-se em gestão de organizações inovadoras nos Estados Unidos.

Profissão: é professor do Departamento de Tecnologia Industrial da Ufes e vice-presidente da Findes para inovação e tecnologia.


A Tribuna: O que o conceito de Indústria 4.0 engloba?
Luciano Raizer: De modo simples e direto, a Indústria 4.0 representa a transformação digital das fábricas. Também chamada de Manufatura Avançada, faz uso de tecnologias modernas, da nova era digital, para produção de bens e serviços, aliadas a novos modelos de negócio, fazendo surgir as “fábricas inteligentes”.

São empresas com muita tecnologia, conectadas com seu ambiente, clientes e fornecedores, e também internamente, com as máquinas e produtos. É uma consequência da chamada Quarta Revolução Industrial, essa grande transformação pela qual o mundo vem passando desde a virada do século.

A Tribuna: Então é algo inevitável?
Luciano Raizer: Como tudo está sendo impactado, questionado e modificado pelo uso de tecnologias digitais, não seria diferente na indústria. Esse fenômeno, chamado de transformação digital é decorrente de duas situações: o surgimento da Internet e a grande geração de conhecimento pelo ser humano.

Passamos a viver em um mundo cada vez mais conectado e instantâneo. Usando um smartphone, criado uma década atrás, é possível ter acesso a quase tudo: da sua conta bancária a pedir sua próxima refeição; se orientar no trânsito de uma cidade desconhecida e até mesmo se relacionar.

Nesse sentido, porque não pedir a produção de um produto, digamos, do seu jeito? A Adidas, por exemplo, lançou uma fábrica na Alemanha que “imprime” os “seus” tênis, do tamanho e no formato do seu pé, nas cores que desejar.

Chamamos isso de “mass customization”, que seria a customização em massa de produtos. Os produtos são personalizados, mas ao custo de produção em massa. Essa é a essência da Fábrica Inteligente.

A Tribuna: A Indústria 4.0 é mesmo o novo motor de desenvolvimento econômico para o Brasil?
Luciano Raizer: Toda grande mudança de patamar tecnológico leva a um grande ganho de produtividade na Indústria. E isso proporciona grande desenvolvimento econômico de nações. Com a Indústria 4.0, temos uma grande oportunidade para elevar a produtividade da indústria brasileira aos patamares de países desenvolvidos.

Não podemos perder a oportunidade que nos apresenta a Indústria 4.0. Mundo afora, os países estão se esforçando para investir em tecnologias modernas no setor produtivo. É a grande chance para modernizar o parque fabril do País, aumentando a produtividade, gerando empregos e renda.

Indústria: os países estão buscando investir em novas tecnologias no setor produtivo. Um estudo do Fórum Econômico Mundial diz que serão eliminados 75 milhões de postos de trabalho, mas que serão criados outros 133 milhões (Foto: Arquivo/AT)

A Tribuna: Como o Espírito Santo está se preparando para essa mudança?
Luciano Raizer: O tema Indústria 4.0 é pauta importante e prioritária para a Findes, que vem liderando essa discussão no Estado. Tem realizado vários eventos para apresentação desse assunto aos empresários capixabas, fez parceria com o Instituto Fraunhofer da Alemanha, trazendo pesquisadores para apresentar tecnologias avançadas.

O Senai vem realizando um trabalho para aumento de produtividade na Indústria, que é o programa Brasil Mais Produtivo e também o ES Mais Produtivo, este em parceria com o Sebrae ES, do qual já participaram mais de 200 empresas que conseguiram dobrar a produtividade no processo crítico.

No Brasil, mais de três mil indústrias participaram dessa ação com ganho médio de 52% de produtividade no processo crítico. Isso mostra que temos muito a fazer para melhorar a competitividade da indústria brasileira.

A Tribuna: E quanto à criação de empregos? Quais as expectativas com a Indústria 4.0?
Luciano Raizer: Um estudo do Fórum Econômico Mundial diz que serão eliminados 75 milhões de postos de trabalho, mas que serão criados outros 133 milhões. Apesar da incerteza do número, um fato é que muitas ocupações deixarão de existir e as pessoas precisam ser capacitadas para as novas ocupações que surgirão. Será uma transição de modelo que precisa ser planejada nas próximas duas décadas.

A Tribuna: Como os profissionais devem se preparar para esse novo momento? 
Luciano Raizer: O mais importante não é saber quais serão as novas profissões, mas o perfil dos profissionais do futuro.

Um estudo do Fórum Econômico Mundial apontou as 10 habilidades desse novo profissional, que são: resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, liderança e gestão de pessoas; trabalho em equipe, inteligência emocional, julgamento e tomada de decisões, orientação a serviços, negociação e flexibilidade cognitiva. É para essas competências que devemos preparar nossos jovens.

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