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Economia

Instituições dão opções de “contas kids” a partir dos 10 anos

Inter diz ter 3 milhões de clientes menores; PicPay chegou a 2 milhões em cinco meses e especialistas apontam benefícios, mas cobram supervisão

Instituições dão opções de “contas kids” a partir dos 10 anos
- Celulares com apps de bancos digitais, que exigem supervisão de responsável quando a conta pertence a menores de idade
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização

Com o surgimento dos bancos digitais, ficou mais fácil garantir uma vida financeira ativa aos adolescentes e jovens, que podem ter seus próprios cartões e gerir seu dinheiro, sem grandes burocracias.

Não faltam opções no mercado que permitem a abertura de contas para menores, com o monitoramento dos pais, e até opção de conta kids, a partir de 10 anos. Nos últimos anos, houve um aumento significativo na abertura de contas bancárias para menores de idade no Brasil, e os bancos digitais têm liderado essa tendência.

Um exemplo disso é o Banco Inter, que possui mais de 3 milhões de clientes menores de 18 anos. O dado representa 36% das contas abertas desde 2023, ano em que começou a oferecer a modalidade. O PicPay introduziu a conta para menores em maio de 2024 e, em outubro do mesmo ano, já havia alcançado 2 milhões de clientes menores de idade. O C6 Bank registrou um aumento de 40% na abertura de contas para esse público.

Os bancos digitais entenderam que esse público busca simplicidade e uma boa experiência de uso, segundo Tasso Lugon, CEO da Banestes Asset Management e especialista em inovação.

“Por isso desenvolveram contas específicas para menores de idade, cartões com limites definidos pelos responsáveis, ferramentas de controle de gastos, metas de economia, notificações em tempo real e processos de abertura de conta bastante intuitivos”, afirmou.

Outro movimento importante é a incorporação de conteúdos de educação financeira dentro dos próprios aplicativos, transformando o ambiente bancário também em um espaço de aprendizagem, destacou Lugon.

O acesso precoce a serviços bancários contribui para esse processo ao familiarizar o adolescente com ferramentas que serão utilizadas ao longo de toda a sua vida adulta, avaliou o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão.

“Essa iniciativa beneficia especialmente adolescentes que iniciam trajetórias profissionais como aprendizes, realizam pequenos serviços, comercializam produtos em plataformas digitais ou recebem bolsas e auxílios”.

Com o crescimento do mercado digital e ampliação do diálogo sobre educação financeira, o setor bancário tem acompanhado o movimento e interesse dos consumidores para oferecer produtos e serviços mais atrativos, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Os bancos digitais se tornaram grandes atrativos para iniciar essa relação de dinheiro dos jovens, com conta bancária, cartão de débito e até cartão de crédito em alguns casos, além da possibilidade de estabelecer metas para o futuro, alocando o recurso em investimentos”, informou, em nota.

Educação financeira

Facilidade, mesada e uso de Pix

Rafael Kiffer, 17, Felipe Bourguignon, 16, e Helena Fernandes, 17, alunos da escola Crescer PHD, usam bancos digitais para receber mesada e fazer pagamentos via Pix. Helena usa banco digital há 3 anos e diz que a escola estimula isso.

Kiffer diz que as aulas de educação financeira o inspiraram a dar palestras em uma antiga escola pública. Felipe conta que o interesse por investimentos veio do pai. A professora Camila Souza diz que a escola aproxima o tema dos alunos, com aulas de Matemática, Educação Financeira e Empreendedorismo.

Análise 

“Principais riscos de bancos digitais são usos inadequados”

“As fintechs trouxeram um aumento salutar na concorrência dentro do sistema bancário brasileiro. Hoje a facilidade na abertura de contas se dá em função do menor custo operacional das fintechs, que é repassado na abertura de contas.

Os bancos digitais têm uma forma clara e objetiva de comunicação com essa faixa etária, comparada aos bancos tradicionais, enquanto os clientes dos bancos tradicionais fazem questão de se deslocar ate as agências.

Um diferencial é que essas plataformas hoje dispõem de conteúdo de interação online, com interfaces lúdicas, cofrinhos virtuais e algumas lições e mensagens de educação financeira que propiciam uma maior inclusão dos adolescentes e que vêm favorecendo a bancarização.

Os principais riscos de bancos digitais para o público mais jovem são usos inadequados, como apostas online e aquisição de criptoativos de alta volatilidade, sem qualquer orientação profissional. Além disso, a abertura de contas para pagamento de mesadas requer monitoramento por parte dos pais e responsáveis”.

Saiba Mais 

Opções de contas para menores

  • Vários bancos digitais oferecem contas gratuitas para crianças e adolescentes a partir de 10 anos, destacando-se o Nubank e o Banco Inter. Essas contas ajudam os jovens a aprender sobre finanças com segurança.
  • Atualmente, o Banco Inter possui duas contas para o público menor de 18 anos: a Kids e a You. Ambas são gratuitas e possuem características bastante próximas, mas com algumas pequenas diferenças. A conta Kids é voltada para crianças entre 0 a 12 anos, enquanto a You é direcionada ao público adolescente, com idade entre 13 a 17 anos.
  • O Next Joy é uma conta digital do banco Next feita para crianças e adolescentes de 0 a 17 anos. A principal vantagem é que a conta é vinculada diretamente na conta principal do responsável, e ele faz a gestão direta pelo aplicativo. A integração entre os aplicativos permite que o responsável crie missões para a criança ou adolescente seguir e se motivar a ter bons hábitos financeiros.
  • A conta Nubank para menores de idade é voltada para jovens de 6 a 17 anos, permitindo o uso de Pix, cartão de débito e controle parental pelos pais. A abertura deve ser iniciada pelo responsável legal que já possui conta no banco.

Riscos com acesso precoce a serviços financeiros

  • Dados do Banco Central mostram que o número de adolescentes e jovens com acesso ao crédito dobrou em oito anos, passando de 13,7 milhões, em 2016, para 27,6 milhões, em 2024 — números mais recentes disponíveis. O avanço foi puxado sobretudo pela população de menor renda.
  • Um dos principais riscos é a falsa sensação de que o dinheiro digital é “infinito”, favorecendo compras por impulso e o consumo sem planejamento. Também existem desafios relacionados à segurança digital, como golpes, fraudes, engenharia social e exposição de dados pessoais.
  • Outro ponto importante é o excesso de informações nas redes sociais sobre investimentos. Nem toda recomendação serve para todas as pessoas, principalmente para quem ainda está formando sua educação financeira.
  • A oferta de cartões adicionais, o parcelamento excessivo e modalidades digitais de empréstimo tendem a naturalizar o endividamento antes mesmo que o adolescente compreenda conceitos fundamentais, como taxas de juros, o custo efetivo total e as consequências da inadimplência.

Supervisão

  • Para menores, a supervisão de um responsável legal é obrigatória para a manutenção da conta. Os pais utilizam o Pix, por exemplo, para enviar mesadas, permitindo que os filhos tenham autonomia para pagar suas próprias despesas enquanto são monitorados.



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