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Economia

Inteligência Artificial vira exigência para conseguir emprego

Ter noções de como trabalhar com as novas ferramentas deixou de ser diferencial e já é necessidade básica em algumas empresas

Última atualização



Ter noção e conhecimentos básicos de Inteligência Artificial já é uma exigência para que profissionais consigam emprego em diferentes setores, inclusive em empresas no Espírito Santo.

Ter alguma habilidade com a tecnologia deixou de ser um “diferencial” e passou a ser algo básico em muitos setores, contou Kleber Alves, especialista em carreiras e diretor da Educavix.

“Em cargos mais qualificados, as empresas valorizam bastante quem sabe usar ferramentas de IA no dia a dia, pois mostra que o profissional está atualizado e aberto a novas formas de trabalhar”.

Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach RH, confirma que o uso da Inteligência Artificial nas empresas brasileiras avançou de forma significativa no último ano, e isso tem impacto direto nas exigências de contratação, segundo

Para se ter ideia, em dois anos, o uso de IA no trabalho cresceu 163% na indústria brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atualmente, as empresas já buscam profissionais com, ao menos, conhecimentos básicos em IA, e, dependendo da empresa, do setor e da função a ser desempenhada, o conhecimento em IA representa, “sem dúvida, uma vantagem competitiva”, garantiu Eliana Machado, CEO da Center RH.

“É importante nos atualizarmos, seja com cursos de graduação, com cursos livres, com leituras e pesquisas. É preciso que a gente se atualize e, principalmente, aquele profissional voltado à área da tecnologia”, disse.

O empregador pode exigir conhecimento em ferramentas de IA, tanto para contratação quanto durante o vínculo empregatício, desde que a exigência seja compatível com a função e não discriminatória, conforme Patricia Pena da Motta Leal, advogada especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho.

Quando se trata de aplicação de IA nas empresas, logo se pensa em ganho de produtividade. Além da aplicação direta da IA, a utilização de agentes e criação de “equipes digitais” tem aumentado muito o potencial de realização das empresas, contou Pollyana Rosa Polez, diretora de Inovação do Base27.

A Timenow, empresa de engenharia consultiva, já adotou a habilidade com ferramentas de IA como critério no processo de recrutamento.

“Em setores como a engenharia e em processos industriais, onde a precisão e a agilidade são fundamentais, a IA proporciona grandes vantagens competitivas e precisamos ter um time preparado para isso”, afirmou Gabriela Lovo, gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional da empresa.

Tecnologia não é ameaça, explicam especialistas

A Inteligência Artificial não deve ser vista como uma ameaça, mas como uma ferramenta de auxílio aos profissionais, segundo os especialistas.

O conselho aos profissionais é adotar uma postura de aprendizagem contínua (lifelong learning), segundo o mentor de carreiras Elias Gomes.

“A ansiedade gerada pela possibilidade de substituição é real, mas o foco deve ser em desenvolver habilidades que a IA não pode replicar facilmente: pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional e capacidade de resolver problemas complexos”, disse.

A psicóloga e especialista em Pessoas Gisélia Freitas contou que os profissionais devem ter foco no pensamento crítico e ético, que são soft skills, ou seja, habilidades comportamentais essenciais para o sucesso profissional e pessoal.

O diferencial competitivo não estará restrito ao conhecimento de tecnologia em si, mas sim à capacidade de combinar esse domínio com soft skills, como comunicação, adaptabilidade e pensamento crítico, avaliou Geferson Santos, diretor regional do Senai-ES e superintendente do Sesi-ES.

Desafios

As empresas precisam enfrentar alguns desafios para implementar as IAs em seus processos, contou Pollyana Rosa Polez, diretora de Inovação do Base27.

“O primeiro desafio é organizar a base de dados, estabelecer quais são as informações relevantes, permissões de compartilhamento entre os membros da equipe, critérios de segurança e outras condições. O segundo desafio está na capacitação das pessoas que irão utilizar a IA. Para que o resultado seja confiável e atenda às expectativas, escrever um bom prompt é fundamental e a forma de gerar essa solicitação não é trivial”, explicou.

SAIBA MAIS

Exigência de IA para os profissionais

Cada vez mais ter noção de Inteligência Artificial se tornou um diferencial — e em muitos casos, já uma exigência — para conseguir emprego em diversas áreas.

Não é apenas em tecnologia ou programação: setores como marketing, finanças, saúde, logística e recursos humanos estão incorporando ferramentas de IA em seus processos.

O que se espera do profissional hoje não é necessariamente saber desenvolver modelos complexos, mas entender conceitos básicos de IA e aprendizado de máquina.

Saber utilizar ferramentas de IA aplicadas à sua área (como automação de tarefas, análise de dados ou geração de conteúdo).

Adaptar-se rapidamente às novas soluções que surgem constantemente.

Ou seja, a IA está se tornando uma habilidade transversal, comparável ao que foi aprender a mexer em computadores ou internet há alguns anos: quem domina sai na frente.

Competências que podem ser diferenciais em seleções

1. Fundamentos de IA: entender o que é IA e seus conceitos, e aprendizado de máquina.

2. Alfabetização em dados: saber interpretar relatórios e dashboards, e ter noção de estatística básica e análise de dados.

3. Uso de ferramentas de IA aplicadas: plataformas de automação (como chatbots e assistentes virtuais), ferramentas de análise de dados baseadas em IA, e aplicativos de IA generativa (texto, imagem, áudio, vídeo).

Qualificação

No Espírito Santo, a necessidade de qualificação e requalificação profissional é uma pauta importante. Estudos recentes, como o Mapa do Trabalho Industrial, apontam para a necessidade de qualificar dezenas de milhares de trabalhadores, e a tecnologia é um pilar central nessa transformação.

O governo do Estado também já se movimenta para criar uma política pública de IA, o que sinaliza a importância estratégica do tema para o futuro econômico capixaba.

Dicas de cursos

A Universidade Vila Velha (UVV) já oferece o curso de graduação em Inteligência Artificial.

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) já abriu vagas em curso de pós-graduação, gratuitas, para “Inteligência Artificial e Ciência de Dados”, voltadas para profissionais das áreas de Computação ou Informática, Engenharias, Matemática, Estatística e Física. Mais informações sobre futuras vagas no site “wwwsead.ufes.br/”

O Senai ES tem alguns cursos com uso de IA: Técnico em Mecatrônica, Técnico em Eletrotécnica/Eletroeletrônica, Técnico em Automação Industrial, Técnico em Desenvolvimento de Sistemas, Técnico em Logística e Técnico em Manutenção Automotiva.

O Senac Espírito Santo oferece cursos voltados para a Inteligência Artificia. As formações abrangem desde os conceitos básicos até aplicações práticas, ajudando profissionais de diversas áreas a aprimorar suas habilidades e expandir suas oportunidades de carreira. As vagas sempre são divulgadas no site “www.es.senac.br/cursos”

Há inúmeros cursos on-line para formações livres em IA. Um deles é o Recode, que oferta, por exemplo, cursos de Gestão de Projetos e Aplicativos de Impacto (GPAI), Marketing Inteligente com IA e Escola de Prompts. O site é “recode.org.br/formacoes”



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