O dólar chegou a ser vendido a menos de R$ 5 pela primeira vez em um ano na quarta-feira (16), e analistas já preveem nova queda na cotação da moeda no curto prazo.
Durante o pregão na quarta, o dólar tocou a mínima de R$ 4,99, valor mais baixo registrado desde junho de 2020 – nesta quinta (17), o dólar é cotado a R$ 5,02, até as 17 horas. Em março, a moeda chegou a valer R$ 5,80.
Na quarta-feira (16), o Banco Central elevou novamente a taxa de juros básica da economia (Selic), que chegou ao patamar de 4,25% ao ano.
O aumento que foi anunciado pelo Comitê de Polícia Monetária (Copom) foi de 0,75 ponto percentual, conforme era previsto pela maioria dos analistas financeiros.
Para a próxima reunião, em agosto, o órgão informou que já prevê um novo reajuste de 0,75, com a Selic chegando ao patamar de 5% ao ano.
Para o economista e assessor de investimentos do Banestes, José Márcio de Barros, o avanço da vacinação no País, a injeção de investimentos estrangeiros e a perspectiva de avanço da reforma tributária podem fazer o dólar voltar a ser cotado a menos de R$ 5.
“Temos IPOs (oferta de ações na bolsa de valores) sendo feitos, isso atrai dinheiro estrangeiro. Se tivermos uma perspectiva da reforma, mexendo na tabela do Imposto de Renda, avanço da vacinação e alguma sinalização de que a CPI da Covid-19 não termine dando em nada, pode sim derrubar o preço do dólar”, avaliou.
O economista Luiz Sant’Anna lembrou que a alta recorde do dólar, em março, se deu pela falta de perspectivas no cenário econômico e fiscal do País, que melhorou nos meses seguintes.
“A arrecadação começou a voltar, isso melhorou a relação entre a dívida pública e o PIB. O cenário acabou sendo melhor do que se projetou em 2020”, afirmou.
“As commodities, gasolina, aço, cimento, não dão sinal de que vão ceder. A inflação está aí. O governo deve subir juros, pois se não subir, haverá um problema gigantesco para se resolver em 2022.”
Poupança vai render mais, mas ainda perde da inflação
Com a previsão de nova alta de juros já em agosto, o Banco Central prevê que a Selic deve terminar 2021 em 6,25% ao ano.
A alta de juros, que vem sendo mantida desde fevereiro, melhora as perspectivas de rendimentos da poupança e outras aplicações de renda fixa, mas a inflação também segue em trajetória de alta, corroendo parte dos ganhos.
“Com uma taxa de 2%, o governo não tem como se financiar com títulos. Então, vai subindo, até um ponto em que encontra gente disposta a colocar dinheiro”, explicou o economista Luiz Sant’Anna.
Ele destacou que títulos como o Tesouro IPCA ganham rentabilidade com a previsão de alta da inflação.
Com o novo ajuste da Selic, anunciado na quarta, a rentabilidade da caderneta da poupança passará a ser de 0,25% ao mês e 2,98% ao ano, segundo cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac). Entretanto, os ganhos ainda se encontram abaixo da inflação oficial.
O Banco Central ajustou a previsão de inflação de 2021 para 5,82%. Pelo sistema vigente, a meta de inflação será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Portanto, no momento, a previsão é de que o teto não será cumprido.
Preços não devem parar de subir, admite Banco Central
Apesar da nova alta na taxa juros, que é usada como um instrumento da política monetária para tentar frear a inflação desestimulando o crédito e o consumo, os preços devem permanecer em alta nos próximos meses no País.
No comunicado emitido ontem, o Banco Central admitiu pela primeira vez que a trajetória de alta da inflação tem persistido mais do que o esperado.
“A lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do real”, afirmou o órgão.

“Fora a energia, que fica cara com a crise hídrica, os preços das commodities estão em alta no mercado internacional, e os produtores estão preferindo vender até mesmo alimentos como a carne para fora. Isso encarece os preços no mercado interno, é oferta e procura”, explicou o economista José Márcio de Barros.
Saiba mais
Dólar
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Pela primeira vez em um ano, o preço do dólar no mercado à vista foi parar abaixo dos R$ 5.
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Tocou, na mínima do pregão de ontem, o nível de R$ 4,99, o mais baixo desde junho de 2020.
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No fechamento, o dólar subiu 0,33%, aos R$ 5,05.
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O mercado externo também reagiu ao anúncio da autoridade monetária norte-americana de que irá manter juros zerados, o que impediu que o dólar recuasse mais.
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O temor é em relação à pressão inflacionária nos Estados Unidos.
Previsão de queda
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Especialistas já preveem que o dólar pode voltar a ser cotado baixo dos R$ 5 no cenário a curto prazo no Brasil.
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Uma das condições é a continuidade do avanço das pautas econômicas no Congresso, como a reforma tributária, o que poderia continuar atraindo o investidor estrangeiro de maneira mais sustentável.
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O avanço da vacinação e a retomada de atividades econômicas no Brasil também são fatores que podem influir para a queda.
Juros em alta
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O banco central ajustou a taxa Selic para 4,25% e já prevê nova alta em agosto, quando deve atingir os 5%. O movimento é esperado para conter a inflação, mas os preços não devem ceder no curto prazo.
Fonte: Banco Central e especialistas.
