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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na quarta-feira (27) a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para 7,75% ao ano. Antes, a taxa era de 6,25%, o que representou uma alta de 1,5 ponto percentual.
Com o último reajuste, a Selic alcançou o maior patamar desde 2017. Um dos principais efeitos é sobre a caderneta de poupança, que passa a render mais.
É que desde 2012, a partir de um decreto presidencial, a poupança rende 70% da taxa Selic, a não ser que os juros básicos alcancem o nível de 8,5%. Nesse caso, o rendimento da poupança será de 6,15%.
Com base nessa regra, a poupança, que rendia 4,37% ao ano, aumentou o rendimento para 5,25%. “É positivo, passa a valer mais a pena para aquele investidor que prefere a segurança da poupança, ou que não recebeu muita informação para se aventurar em outros modelos de investimento”, disse o economista Marcelo Loyola.
Ele lembrou que, tradicionalmente, o brasileiro não tem grandes conhecimentos sobre o mercado financeiro.
“Não aprendemos sobre educação financeira nas escolas, então aquela pessoa que não tem esse conhecimento ou não tem tempo de acompanhar o investimento diariamente acaba caindo na poupança, mesmo que não seja a opção mais rentável”, completou.
O também economista Eduardo Araújo destacou que, apesar de melhorar a rentabilidade, a taxa de remuneração da poupança ainda é menor do que a inflação, que está no patamar de 10,25% no acumulado dos últimos 12 meses. Com isso, é possível que o investidor tenha perdas com a opção.
“Tem a vantagem de ser um produto simples, por oferecer possibilidade de resgate do recurso de forma imediata e por não haver incidência de imposto de renda. Mas é preciso que as pessoas se conscientizem que é uma alternativa que traz perdas financeiras comparadas a outros produtos”.
O economista José Márcio Soares de Barros sugere letras de crédito ou Certificado de depósito bancário (CDB) como opções mais vantajosas para o investidor.
“Essas opções têm pago o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) mais juros que variam de 3,8% a 5%, dependendo do prazo e do volume de dinheiro. Recomendo deixar rendendo por, no mínimo, dois anos”.
Saiba mais
Nova alta da Selic
– O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a elevar a taxa Selic (juros básicos) pela sexta vez consecutiva em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano. Com isso, os juros retornaram ao patamar anterior à pandemia.
– Trata-se de uma medida para tentar controlar a alta inflação. Aumentando os juros, o crédito fica mais caro e, por isso, o consumo cai, equilibrando oferta e procura. O artifício também faz com que, a longo prazo, o dólar caia, desencorajando exportações e aumentando a oferta interna de produtos.
– Como os juros aumentaram, os investimentos podem render mais. Conheça as opções:
Rendimento da poupança
– O rendimento da poupança é definido pelo comportamento da taxa Selic. Se ela estiver acima de 8,5% ao ano a poupança rende 0,5% sobre o valor depositado + Taxa Referencial.
– Se a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano a poupança rende 70% da Selic + TR.
– Atualmente, a TR está zerada, o que significa que a poupança rende somente 70% da taxa Selic. Com o último reajuste, a rentabilidade é de 5,25%.
Outros investimentos
– Há outros investimentos de renda fixa que representam rentabilidade maior que a poupança.
Letras de Crédito
– Com a taxa de juros da poupança baixa, a procura pelas Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) tende a aumentar.
– A LCI e a LCA são investimentos livres de impostos, inclusive o Imposto de Renda. O investimento pode ter taxa de rendimento pré-fixada ou pós-fixada, atrelada a um indexador, como o CDI ou o IPCA.
CDI
– O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é uma taxa que lastreia as operações interbancárias. A taxa cobrada entre eles, conhecida como Taxa CDI, regula o mercado de renda fixa e de fundos de investimentos de renda fixa. A taxa CDI costuma ficar próxima da taxa Selic. Geralmente 0,10% a menos.
CDB
– O Certificado de Depósito Bancário (CDB), pós-fixado atrelado ao CDI não tem sido uma opção interessante. O ideal é acima de 18 meses. Os atrelados ao IPCA também são interessantes, porque vão corrigir o retorno pela inflação e ainda dar um cupom de juros, gerando ganho real nessa aplicação.
Tesouro Direto
– O Tesouro Direto é composto por títulos públicos emitidos pelo governo federal. É uma aplicação segura, e que pode ter um rendimento pré ou pós-fixado. Os títulos do tesouro também podem ser atrelado à taxa IPCA (inflação) ou Selic.
Fundos de Investimento
– Os Fundos de Investimento mistos reúnem aplicações em títulos de renda fixa e renda variável, tornando a possibilidade de ganhos mais interessante.
Renda Variável
– A Renda Variável é composta por diversas aplicações financeiras, como o dólar e o mercado de ações. Essas aplicações podem ser feitas a curto ou longo prazos, dependendo do objetivo. Especialistas alertam que os riscos de prejuízos são maiores, já que não há previsibilidade.
Fonte: Especialistas ouvidos e pesquisa AT.