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Falar mal da empresa em que se trabalha nas redes sociais é uma atitude que pode acabar na temida demissão por justa causa. Esse foi o entendimento reforçado pela Justiça Trabalhista em decisão na última semana.
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo confirmou a dispensa de um funcionário de um supermercado que publicou um comentário considerado ofensivo e prejudicial a imagem da empresa.
Ele acabou perdendo o emprego sem receber direitos como, por exemplo, multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e seguro-desemprego.
O doutor em Direito e juiz titular da 7ª Vara do Trabalho de Vitória, Marcelo Tolomei, recomendou aos empregados evitar falar mal não só da empresa, mas também de seus colegas de trabalho. E alertou sobre prejuízos à imagem do empregador por conta de exposições indevidas.
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“A Justiça do Trabalho avalia cada caso de acordo com sua gravidade, de modo que há considerável subjetividade. Portanto, cada caso é um caso. Dependendo da gravidade poderá ocorrer punição até com justa causa”, alertou.
“E, se a situação for muito grave, pode haver condenação com pagamento de indenização por danos morais ou materiais ao empregados, se houver prejuízo certo”, completou o juiz.
A Justiça reconhece que demissões por justa causa são válidas quando um funcionário ultrapassa os limites do bom senso também em aplicativos de mensagens.
Aumento
Os casos de demissões por justa causa têm aumentado nos últimos anos, de acordo com os psicólogos e especialistas em carreiras Gisélia Freitas e Elias Gomes. “O número de demissões por causa de publicações nas redes sociais triplicou desde 2020”, explica Gisélia.
Ela diz que muitos não conseguem entender que devem manter uma postura profissional mesmo quando não estão no horário de trabalho e acabam esquecendo que excessos podem fazer com que percam o emprego.
Elias diz que cerca de 1,5% do total das demissões hoje em dia são por mau comportamento online, e reforça que as empresas estão cada vez mais atentas já que não querem ter sua imagem manchada.
Curtida também pode dar demissão
Só o ato de curtir um post que fala mal pode causar demissão, segundo o entendimento da psicóloga e especialista em pessoas Gisélia Freitas.
Ela orienta que as pessoas devem ter muito cuidado na maneira que se comportam online, lembrando sempre que tudo o que fazem, mesmo no ambiente virtual, pode refletir no profissional.
Ela alerta que as empresas estão cada vez menos tolerantes e cada vez mais fecham o cerco sobre o que seus funcionários fazem.
Monitoramento passa a ser feito pela gestão de RH
As empresas estão se sentindo mais seguras para monitorar abertamente o comportamento online dos seus funcionários.
Segundo a especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas, até algum tempo atrás era comum empresas contratarem serviços e até terceirizarem equipes para fazer esse monitoramento, mas agora o próprio setor de recursos humanos faz esse papel.
Ela acrescenta que as empresas, hoje em dia, estão fazendo esse controle abertamente. “Antes era comum que as empresas criassem contas falsas para seguir seus colaboradores nas redes sociais, mas hoje esse controle é feito de forma clara pelos gestores”, explica.
Gisélia comenta que o que tem virado prática é o setor de RH e o de Marketing ficarem de olho no que é dito e feito online e como isso pode afetar a imagem da empresa.
Além disso, ela lembra que também passa pela chefia direta de qualquer setor fazer esse filtro e ficar atento a como seus subordinados agem no mundo virtual.
Casos
Piada prejudicou a imagem da empresa
Um trabalhador de uma rede de supermercados do litoral de São Paulo foi demitido por justa causa após fazer um comentário em uma publicação do Facebook.
O post falava que produtos vencidos teriam sido encontrados no supermercado, e o então funcionário comentou: “bem vindo ao primeiro preço, kkk”.
O mercado esclareceu que a notícia era um mal-entendido e o empregado foi demitido. Ele tentou recurso, mas o TRT de São Paulo negou.
Chamou faculdade de lixo e fez ofensas
Um auxiliar administrativo desqualificou a instituição de ensino onde trabalhava em um grupo de WhatsApp que tinha pessoas de fora da instituição, em Porto Alegre.
O empregado acusou a faculdade de designar professores sem formação, e que a mesma “é um lixo”, entre outras declarações ofensivas. O juiz determinou demissão por justa causa.
SAIBA MAIS
Cuidado especial com publicação ilegal
Como a Justiça tem lidado com esses casos
– A Justiça reconhece que são válidas demissões por justa causa quando um funcionário ultrapassa os limites do bom senso em mensagens online ou em seus perfis de redes sociais.
– Se a pessoa ofender chefes, colegas ou a própria empresa, a atitude poderá ser considerada como danos à honra da imagem para a Justiça.
– O juiz Marcelo Tolomei destaca também que é preciso avaliação em cada caso.
– Além da demissão por justa causa, pode caber pedido de indenização em casos, em que ofensas sejam consideradas injuriosas, caluniosas ou difamatórias, por exemplo.
Orientações
– Embora se deva admitir a liberdade do empregado em sua vida privada, alguns cuidados devem ser tomados ao se utilizar as redes sociais, como forma de garantir um bom ambiente de trabalho.
– É importante ter noção da exposição que uma publicação ou compartilhamento ocasiona na internet.
– E tomar cuidado com declarações racistas, homofóbicas, entre outras, que atentem contra a lei.
Fonte: Especialistas consultados.