O Bitcoin reagiu ao mercado inflacionado dos Estados Unidos e teve queda de mais de 10%, chegando a valer US$ 22.370 (R$ 114.147,39). O dólar fechou em R$ 5,11. A moeda digital que bateu US$ 67.582 (R$ 344.850,67) em outubro de 2021, vem perdendo valor de mercado. Desde o começo do ano quando custava US$ 47.733 (R$ 243.567,18), o bitcoin desvalorizou mais de 50%.
Outra criptomoeda que acumula quedas é a Ethereum. Fechando em US$ 1.247 (R$ 6.363,06), uma desvalorização de 13,36%. No Espírito Santo, cerca de 200 mil investidores têm moedas digitais.
O susto para quem investe nas criptos foi maior quando o protocolo de empréstimos Celsius (CEL) paralisou os saques de usuários. A equipe do protocolo comentou apenas que a parada foi por condições desfavoráveis do mercado, sem entrar em detalhes. Isso fez com que as moedas digitais perdessem ainda mais valor de mercado. Ao fim do dia o CEL voltou a operar novamente.
Um dos fatores que impactaram o valor das criptomoedas foi o aumento na taxa básica de juros Americana, que saiu de 0.5 ponto percentual ao ano, para 1%. Esse foi o maior aumento em 22 anos realizado pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O país vive uma crise econômica, com a inflação batendo 8,5%, a maior dos últimos 40 anos.
O Brasil pretende regulamentar o comércio das moedas digitais. Tramita na Câmara de Deputados o projeto de lei nº 4401/21, do deputado Áureo Ribeiro, que trata do mercado das criptomoedas no País.
O texto traz regras para a prestação de serviços relacionados a ativos virtuais e para o funcionamento das corretoras. Segundo o projeto, caberá aos órgãos apontados pelo Executivo autorizar o funcionamento das corretoras e definir a regulação do mercado.
O governo deverá criar normas alinhadas aos padrões internacionais para prevenir a lavagem de dinheiro, ocultação de bens, a atuação de organizações criminosas e o financiamento do terrorismo.
O projeto também vai obrigar as corretoras a registrar todas as transações que ultrapassarem os limites fixados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Não existe ainda prazo para o projeto ser votado pelos deputados.
“Recuperação ainda está distante”
O investidor e especialista em criptomoedas Marcos Varella comenta que não há uma previsão da recuperação das criptos em curto prazo, pois o cenário econômico atual é de recessão e inflação, o que afeta diretamente nos valores das moedas digitais.
Ele destaca que as pessoas estão com medo do risco que a hora certa de comprar é quando todos estão com medo de uma grande queda no mercado, por esse ser o momento em que é mais fácil conseguir ativos valiosos por ótimos preços.
“É o que estamos vivendo neste exato momento, o medo tomou conta e todos acham que é o fim das criptomoedas, após essas quedas dos valores e assim acabam vendendo seus ativos por um preço menor, com medo de perder mais dinheiro”, comenta.
Para ele, não se deve pensar no investimento apenas quando as criptomoedas estão valorizadas e todos estão falando bem delas.
Mas o especialista faz um alerta ao lembrar que as pessoas jamais devem tirar, por exemplo, o dinheiro do aluguel para fazer investimentos, principalmente de ativos considerados arriscados.
Ele destaca que a compra de ações e criptomoedas deve ser feita com uma parte da renda que não seja comprometida, e que ficaria parada, já que o mercado varia muito.