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Economia

Monge incentiva produção de bambu

Monge Daiju incentiva uso do bambu. Foto: Kadidja Fernandes Ainda pouco explorado no Brasil, o bambu tem conquistado os mais diversos setores da ...

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Monge Daiju incentiva uso do bambu. Foto: Kadidja Fernandes Monge Daiju incentiva uso do bambu. Foto: Kadidja Fernandes

Ainda pouco explorado no Brasil, o bambu tem conquistado os mais diversos setores da economia por ser matéria-prima que, apesar de barata, tem grande versatilidade. O monge Daiju, do Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, tem destacado os diversos usos da planta para incentivar os agricultores e empresários do Estado a prestar atenção no material, que é considerado uma grande aposta.

“Temos procurado trazer esse debate porque o bambu é o futuro. Um material que já está nos países mais avançados em pesquisas e obras de grande porte, como vimos na Colômbia, país que visitamos em uma comitiva com o prefeito da cidade para conferir os resultados”.

Segundo o monge, o bambu vem para substituir a madeira, inclusive com maior resistência mecânica, diminuindo a necessidade de apoio nas estruturas. “Já vimos obras com vão livre de até 30 metros, mantendo leveza”, contou.

Daiju também disse que, no Brasil, as principais pesquisas do setor têm avançado na área da produção de celulose com o material. A planta possui também alto poder condutor e está sendo aproveitada em outros países para baterias de celular mais potentes.

O bambu tem vantagens no plantio, sendo usado na recuperação de áreas de erosão e não precisa ser replantado. Outro ponto positivo é que pode ser colhido em vários momentos. Em meses, já é possível coletar o broto, utilizado na alimentação. Em cinco anos já são adultos, com até 30 metros. “Em 30 anos, o bambu vai ocupar lugar de destaque, e o que temos que fazer é nos preparar, abrir a cabeça das pessoas. Vamos distribuir 300 mudas entre 30 agricultores locais para que conheçam. Não queremos tomar o lugar de outros cultivos, mas diversificar”.

O assunto também atraiu o bispo emérito dom Décio Zandonade, reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu, que vem acompanhando o monge para aprender mais sobre a planta. “Tudo indica que é uma alternativa importante para a economia e para a sociedade. O santuário recebe visitas de todo o Estado e, aqui, tenho uma posição estratégica para divulgar esse trabalho”.

Prefeitura quer fazer obra pública com o material

Inspirada nas construções apresentadas pelo monge Daiju, a prefeita Iracy Baltar, do município de Montanha, no Norte do Estado, contou que estuda a possibilidade de construir a unidade de conservação ambiental da cidade, com projeto já desenhado, utilizando bambu.

“Fiquei muito admirada, porque isso vai ao encontro do que queremos como desenvolvimento sustentável, mas quero buscar mais conhecimento para confirmar a viabilidade. Para isso, vamos juntos visitar o Instituto Jatobás, referência no assunto”.

Localizado no município de Pardinho, interior de São Paulo, o instituto conta com uma fazenda de bambus e o primeiro prédio do País construído com bambus. É um local de pesquisa e desenvolvimento da sustentabilidade. “Montanha já é um município agrícola e pecuário. Pensando nos nosso produtores, buscamos sempre a diversificação de culturas, sem desprezar o que já temos, como o eucalipto”, completou Iracy.

A prefeita informou ainda que a unidade já tem local escolhido, na área das Três Pedras, e seu desenho homenageia o gavião-caboclo, espécie que só é encontrada na região. “Então já temos inovação no desenho, que tem formato da ave. Se construirmos com bambu, melhor ainda”.

A prefeita faz parte da comitiva da Associação dosMunicípios para o Desenvolvimento Regional Sustentável (Prodnorte), que vai acompanhar o monge Daiju até o Instituto Jatobás na segunda quinzena de outubro.

Segundo a secretária executiva da Prodnorte, Evanir Porto de Lira, também irão os prefeitos de Mucurici, Osvaldo de Oliveira; de Ponto Belo,Murilo Coelho, e de Conceição da Barra, Francisco Vervloet, que é engenheiro agrônomo e poderá fazer análises técnicas.

De acordo com o prefeito Murilo, presidente do Prodnorte, a expectativa com a visita é das melhores. “Estamos surpresos com as obras feitas com bambu. Esperamos aprender mais e trazer isso para ser aplicado aqui. Existe uma boa perspectiva de renda para os produtores, além de reflorestamento”, afirmou.

Caroline Mauri

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