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Economia

Nova ES mira resorts e turismo para turbinar economia

Agência passa a priorizar resorts e grandes empreendimentos turísticos para elevar o fluxo de visitantes e consolidar nova matriz econômica capixaba.

Nova ES mira resorts e turismo para turbinar economia
- Praia do Morro, em Guarapari, um dos municípios capixabas que mais atraem turistas: atividade está no radar
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Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização



Mais turistas, novos hotéis, maior consumo e mais dinheiro circulando dentro do Espírito Santo. Com essa equação, a Nova ES – Agência de Atração de Investimentos do Estado vai acelerar, a partir do próximo ano, a busca por resorts, hotéis e outros investimentos turísticos para o Estado.

O turismo entrou entre as prioridades da agência porque a reforma tributária fará com que a arrecadação fique cada vez mais concentrada no local onde ocorre o consumo. Como o Espírito Santo tem população pequena, aumentar o número de visitantes é visto como forma de ampliar o consumo, movimentar serviços e manter mais receita em território capixaba.

A agência já articula termos de cooperação e planos de trabalho com instituições como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-ES) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Fomentar o turismo tem esse papel de atrair pessoas para deixarem o dinheiro aqui. É extremamente estratégico”, afirmou a diretora-presidente da Nova ES, Patrícia Gouvêa.

Nova fase da agência e organização dos projetos

No primeiro ano de funcionamento, a Nova ES concentrou esforços em sua estruturação e em projetos com maior grau de maturidade, especialmente a fábrica da GWM em Aracruz. Por isso, ainda não desenvolveu uma atuação contínua de prospecção no turismo.

A intenção agora é organizar os projetos existentes e apresentá-los a grupos capazes de investir no Estado. A diretora explicou que a atração de grandes empreendimentos enfrenta o chamado dilema do ovo e da galinha.

Grupos de hotelaria e resorts procuram destinos que já tenham fluxo elevado de visitantes. Ao mesmo tempo, o Espírito Santo precisa de novos equipamentos turísticos para aumentar esse movimento.

“Para atrair um grupo de resort, é preciso ter fluxo. Mas, para ter fluxo, também são necessários equipamentos turísticos. É preciso atuar nas duas coisas paralelamente”, disse.

Estratégia: demanda atual e futuros investimentos

A estratégia será mostrar aos investidores não apenas a demanda atual, mas também as ações previstas para ampliar a conectividade e o número de turistas nos próximos cinco ou dez anos.

Entre os pontos citados na conversa estão Guarapari, a possibilidade de uma grande marca internacional de resort e os esforços para viabilizar ligação aérea direta com a Argentina.

Empresários veem chance de nova matriz econômica

O setor de turismo ficou animado com a possibilidade de o Espírito Santo entrar de vez no radar de grandes investidores. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos, esse movimento é muito positivo e atende a uma cobrança antiga do setor.

No entendimento dele, o Estado ainda está distante do forte ciclo de investimentos em hotelaria e turismo que avança em outras regiões do Brasil.

“Temos ativos, localização e mercado para competir, mas faltava uma atuação estruturada de prospecção”

Vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin destaca que o Estado precisa olhar para 2032 não como uma ameaça, mas como uma oportunidade para construir uma nova matriz econômica.

“Os incentivos fiscais foram muito importantes para a nossa industrialização, para a atração de empresas, emprego e renda. Mas sabemos que, com a Reforma Tributária, esse modelo terá uma transição e os benefícios de ICMS serão gradualmente reduzidos entre 2029 e 2032. Por isso, precisamos nos antecipar e o turismo pode ter um papel muito importante nessa nova economia.”

Ele lembra que o Espírito Santo tem uma combinação que poucos estados possuem: litoral, montanhas, gastronomia, cultura, agroturismo, vinho, café, turismo de negócios, eventos, parques naturais e uma localização estratégica entre grandes mercados consumidores.

“Não acredito que o turismo deva ser visto isoladamente como substituto dos incentivos fiscais. O que precisamos construir é uma nova matriz econômica do Espírito Santo, na qual o turismo seja um dos seus principais pilares. E existe uma grande oportunidade: transformar o Espírito Santo de um local de passagem em um Estado de destino”

Veja como o Estado disputa investimentos

Fases

A Nova ES divide o trabalho de atração de empresas em quatro fases: identificação, prospecção, qualificação e engajamento.

O objetivo é acompanhar o investidor desde a busca inicial até o estágio em que o projeto passa a discutir condições concretas para se instalar no Espírito Santo.

Identificação

Na identificação, a equipe monitora anúncios, planos de expansão e empresas com potencial de investir no Brasil.

Prospecção

Quando aparece uma oportunidade, a agência procura os executivos e apresenta o Estado, mesmo que o Espírito Santo não esteja na lista inicial de destinos avaliados. A prospecção é a aproximação comercial.

Informações

A Nova ES reúne informações sobre localização, logística, impostos, terrenos, fornecedores e mercado para mostrar como o projeto poderia funcionar no Estado.

Diagnóstico

Na qualificação, a equipe aprofunda o diagnóstico e verifica as necessidades técnicas e financeiras. Também identifica quais projetos têm possibilidade real de avançar. Segundo a agência, uma parcela das negociações fica pelo caminho nessa etapa.

Engajamento

ocorre quando a empresa passa a discutir o investimento de forma mais concreta.

Confidencialidade

A agência articula reuniões com secretarias, prefeituras, órgãos ambientais, instituições financeiras e outras áreas envolvidas.

As conversas normalmente são protegidas por acordos de confidencialidade. A justificativa é evitar expectativas prematuras e impedir que a divulgação prejudique a disputa com outros estados.

Foi esse modelo de articulação que a Nova ES afirma ter usado na negociação da GWM.

Fonte: Nova-ES



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