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Economia

Nova regra para venda de gás pode atrair mais indústrias ao Espírito Santo

Governo criou norma que permite leilões sem intermediários, abrindo espaço para queda de até 50% no preço do insumo para a indústria

Nova regra para venda de gás pode atrair mais indústrias ao Espírito Santo
- Tubulação de gás natural, insumo usado por setores como siderurgia, cerâmica e papel: novos projetos

Última atualização


Uma nova resolução que autoriza a União a realizar leilões de gás natural direto para a indústria, sem precisar de intermediários, pode atrair e impulsionar investimentos industriais no Espírito Santo, segundo especialistas.

A medida, aprovada ontem pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), pode fazer com que o produto seja vendido com uma redução de preço de até 50%, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

O economista Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), explica que permitir que a Pré-Sal Petróleo S. A. (PPSA) comercialize diretamente o gás por meio de leilões reduz a quantidade de intermediários na cadeia de comercialização.

“Em tese, isso aumenta a concorrência, reduz custo de transação, favorecendo a queda de preços ao consumidor industrial”, diz.

Esse movimento pode ser especialmente relevante no Estado uma vez que ele possui base industrial intensiva em energia, comenta o especialista.

“Com destaque para setores como siderurgia, metalurgia, pelotização de minério, rochas ornamentais, cerâmica, vidro, alimentos e bebidas, papel e celulose e indústria química”, destaca.

Para ele, uma redução significativa no custo do gás melhora a competitividade, amplia as margens de investimento e pode tornar economicamente viáveis projetos que antes apresentavam retornos insuficientes.

A vantagem estratégica do Estado, que já integra a infraestrutura nacional de gás natural e possui histórico de produção e processamento de gás, é outro ponto importante para a efetividade da política.

O economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Estado (Ibef-ES), Felipe Storch, também concorda que a medida fortalece a capacidade do Espírito Santo de atrair novas indústrias e ampliar a geração de empregos.

Os especialistas destacam, porém, que o impacto dependerá de quanto dessa redução chegará, de fato, ao consumidor industrial.

“Dependerá de dinâmica dos leilões, do volume efetivamente ofertado pela empresa, dos custos de transporte, processamento e distribuição e da competição entre os compradores. Não significa que toda indústria verá automaticamente uma redução dessa magnitude na conta de gás”, pontua Paixão.

Entenda

Venda diretamente pela estatal do pré-sal

Nova regra

A norma alterada ontem permite que o gás natural que pertence à União seja vendido diretamente para a indústria nacional por meio de leilões realizados pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

Hoje, o produto é vendido para empresas petroleiras habilitadas por meio de leilões públicos e refinarias.

empresa estatal vinculada ao MME poderá realizar leilões de curto (2026 a 2030) e longo prazos (2030 em diante). O objetivo é baratear o preço do gás natural ao ampliar a oferta do insumo no mercado.

Preços

Atualmente, o gás natural da União é vendido pelo agente dominante – a Petrobras – no mercado brasileiro a cerca de 12 dólares por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica).

Com a nova regra poderá chegar à indústria nacional a cerca de 5 dólares por milhão de BTU, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

De acordo com o governo, os certames devem priorizar a indústria de base em setores como química, petroquímica e fertilizantes.

Investimentos na rede

A ES Gás, concessionária de gás natural no Estado, tem plano de investimentos de R$ 1 bilhão em andamento para ampliar a distribuição de gás natural no Estado.

O investimento vai aplicar em 480 km a rede de distribuição, conectar 92 mil novos consumidores e atender a 30 novas indústrias, com interiorização do serviço em cinco novos municípios capixabas. Essa capacidade da rede de chegar a vários locais deve impulsionar os benefícios da nova regra.

Fonte: Agência O Globo e ES Gás.


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