As fintechs – empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros – vêm mostrando ao consumidor novas formas de se fazer transações financeiras. Nesse contexto, os serviços bancários tradicionais precisam se adaptar.
Essa revolução está prestes a acontecer com o lançamento do novo sistema bancário no País, que dará impulso à economia digital. Ele vai incluir a plataforma de pagamento instantâneo, que será lançada pelo Banco Central (BC), em setembro, chamada PIX, e o Open Banking.
Com o PIX vai ser possível, por exemplo, fazer o saque em lojas, além de transações financeiras em tempo real. “Essa facilidade visa trazer mais eficiência, por meio da reutilização do dinheiro no varejo e do aproveitamento dessa rede, e fomentar a competição”, informou o Banco Central por nota.
Contudo, o banco ainda não explicou como o sistema vai funcionar. Disse que os detalhes serão apresentados na próxima reunião do Fórum de Pagamentos Instantâneos, prevista para o mês que vem.
Na última terça, a TecBan, dona da Rede24Horas, lançou o saque nas lojas de algumas localidades do Piauí, Pará e Maranhão.
Ele é feito no caixa, via cartão ou QR code (código), que pode ser gerado num totem na loja ou no aplicativo de algum banco digital ou fintech. Nesse caso, é uma continuação do banco 24h. A mesma transação que o cliente faz no caixa eletrônico, ele faz no comércio.
“Quando é feita a leitura do QR code, há uma comunicação com o banco para verificar se a transação pode ser realizada. O banco autorizando, o caixa libera o dinheiro, que sai da conta do cliente”, explicou Tiago Aguiar, líder de novas plataformas da empresa. No mesmo dia, o banco reembolsa o comerciante.
Para o presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, se por um lado a iniciativa é interessante porque cria mais um motivo para os consumidores irem até a loja, por outro os empresários devem pensar na segurança.
Já o Open Banking vai permitirque que os bancos compartilhem informações financeiras dos clientes, com a autorização deles. A contadora Mônica Porto explicou que o resultado será o empoderamento do cliente com bom histórico.
Setor bancário investe R$ 19,5 bi anuais em modernização
A expectativa do setor bancário é positiva com a chegada do Open Banking, de acordo com a federação dos bancos, Febraban. A entidade destacou, no entanto, que algumas questões são muito importantes neste processo.
Entre elas, a segurança da informação, autorização do cliente de forma transparente e inequívoca e isonomia dos direitos e obrigações para todos os participantes, garantindo que todos estejam sujeitos às mesmas regras.
Também se manifestou sobre o sistema de pagamentos instantâneos PIX.
A entidade disse que é favorável a medidas que reduzam a necessidade de circulação de dinheiro em espécie, que somente de custo de logística totalizam cerca de R$ 10 bilhões ao ano em gastos.
Acrescentou também que apoia a iniciativa que irá aumentar a inclusão financeira no País, estimular ainda mais a competitividade e aprimorar a eficiência no mercado de pagamentos.
“A Febraban vê o PIX como uma inovação que trará mais segurança e conveniência ao consumidor em suas transações financeiras”, afirmou Leandro Vilain, diretor de Negócios e Operações da federação.
“Essa medida é condizente com os investimentos que o setor bancário vem fazendo em modernização tecnológica, de aproximadamente R$ 19,5 bilhões anuais,” acrescentou.
SAIBA MAIS
PIX
O que é?
- Trata-se de uma plataforma de pagamento instantâneo do Banco Central, que tem o início das operações previstas para novembro deste ano. Iniciando a operação dia 3 e atingindo pleno funcionamento dia 16.
- Funcionalidade
- A ferramenta vai possibilitar pagamentos entre consumidores, entre consumidores e estabelecimentos comerciais e entre empresas. Além disso servirá para a quitação de tributos da união e pagamento de contas como luz e água, em cerca de 10 segundos.
- Consumidores de bancos diferentes poderão aderir e fazer transferências em qualquer dia ou horário, já que o sistema vai funcionar 24 horas por dia, todos os dias da semana.
- Além disso, o consumidor poderá fazer o saque do dinheiro em redes varejistas do comércio, que não fazem parte do setor bancário.
Vantagens
- Oferece mais agilidade e liquidez às operações, o que é vantajoso para o comércio e para a economia.
- O consumidor terá uma alternativa ao Documento de Órdem de Crédito (DOC) e a Transferência Eletrônica Disponível (TED).
- Utilizando o sistema, a expectativa é que os valores pagos para transferência sejam bem menores que os cobrados com DOC e TED.
- Um dos objetivos é que o sistema aumente a competitividade e eficiência do segmento de pagamentos do varejo no País.
Desvantagem
- Para os bancos a desvantagem é que haverá uma queda da receita de tarifas com DOC e TED. Além disso, eles terão que empregar esforço para se adaptar à nova realidade.
Open Banking
O que é:
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O sistema bancário aberto é baseado em uma tecnologia padronizada que facilita a comunicação e permite o compartilhamento de dados dos clientes pelas instituições financeiras, com a autorização deles.
- As tecnologias a serem usadas ainda estão em discussão. A implantação do sistema se dará em quatro fases, que vai do dia 30 de novembro deste ano até 25 de outubro do ano que vem.
Funcionalidade
- O histórico financeiro do cliente, construído ao longo da vida, pode abrir portas para ele ingressar em outra instituição financeira. E não vai precisar fazer isso começando do zero, pois poderá levar consigo todas as suas informações, como salários, contas pagas, empréstimo, enfim, todo o seu perfil.
Vantagens
- Dessa forma, o sistema tende a aumentar a concorrência entre as instituições financeiras na busca por clientes, estimulando maior oferta de promoções e serviços e melhores condições, como queda na taxa de juros dos produtos e dos serviços.
- O cliente de um banco poderá acessar os produtos e serviços de outras instituições sem precisar abrir nova conta.
- Além disso, vai contribuir para a desconcentração bancária, facilitando a entrada de fintechs e outras instituições no sistema.
- O sistema vai utilizar a tecnologia blockchain (sistema com protocolo da confiança). Com esse rastreamento das transações será mais fácil identificar propina, sonegação e lavagem de dinheiro, por exemplo.
Desvantagem
- O cliente que não quiser compartilhar a informação do histórico bancário pode ter dificuldade de acesso a produtos e serviços em instituições financeiras.
- O consumidor acaba ficando mais exposto e pode passar a ser mais assediado para a compra de produtos ou serviços.
Fonte: Luiz Sant’Anna, economista; Mônica Porto, contadora; André Moura, PHD em contabilidade e finanças.