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DÍVIDAS

Número de aposentados no SPC bate recorde e chega a 98.190

Índice de idosos com mais de 65 anos que não conseguem pagar contas bateu recorde. Entre os motivos, ajuda à família na pandemia

Calenzani frisou que ajuda a filhos e netos que perderam renda acaba levando idosos a descontrolar as finanças

Última atualização

O endividamento de aposentados no Estado atingiu patamar recorde em 2021: são 98.190 idosos com mais de 65 anos que estão com o nome negativado no SPC, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória.

A CDL Vitória gerencia o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), banco de dados com informações do comércio nacional. Os dados são de novembro deste ano, e o recorde anterior era do mês de novembro de 2020, quando eram 89.391 idosos. 

“É um problema que se agravou com a pandemia. Muitos chefes de família perderam renda e emprego neste período, e tiveram de recorrer a ajuda dos idosos da família, que assumiram a responsabilidade de sustentar ou ajudar financeiramente os filhos e netos”, explica o assessor da CDL Vitória, Geraldo Calenzani.

 













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Coordenadora estadual do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) e advogada especialista em Direito Previdenciário, Maria Regina Couto Uliana explica que boa parte desses aposentados se endividou  ao emprestar cartões de crédito ou pedir empréstimos para ajudar familiares. Inclusive, reportagem da edição de 23 de junho de A Tribuna mostrou que 60 mil idosos estavam com nome no SPC por conta disso. 

“Mesmo antes da pandemia era algo que acontecia. Essa crise causada pela covid serviu para amplificar isso. Acabou que a renda do idoso ficou visada pela família.” 

Segundo os dados do SPC, ao todo foram 760.178 pessoas com nome negativado no Estado. Os idosos com mais de 65 anos representam 12,89% de todos os que estão com o nome negativado. 

Apesar de o dado atual da faixa etária ser recorde, ela ainda não é a faixa com maior número de nomes negativados, posto este que, de toda forma, vai para uma faixa bem próxima: a dos indivíduos de 50 a 64 anos, que representam 23,86% do total, ou 181.378. 

“É uma situação preocupante, mas a gente crê que, por estar relacionada à pandemia, tende a diminuir em 2022, com a reabertura econômica. Já que grande parte dessas pessoas da faixa a partir de 50 anos estão auxiliando filhos e netos que perderam renda”, afirma Calenzani. 

Ele acredita que a independência financeira desses indivíduos em relação aos idosos tende a acontecer com maior oferta de empregos.

14º do INSS fica só no papel e frustra idosos

Alvo de alta expectativa, o 14º salário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) acabou ficando apenas na teoria em 2021, e pode nem sair do papel em 2022. 

A proposta de criar um segundo 13º salário para compensar quem já havia recebido o 13º de forma antecipada, como foi o caso dos aposentados e pensionistas do INSS, até foi aprovada em comissões da Câmara dos Deputados, mas ainda não chegou a ser votada nem lá e nem no Senado. 

“Era uma proposta que daria um fôlego para os aposentados, que estão vivendo uma situação insustentável na pandemia, tendo de se endividar para ajudar familiares”, explicou o presidente do Sindicato dos Aposentados no Estado, Jânio Araújo.

Especialistas consideram que há pouca probabilidade dela se tornar realidade. “Tenho pouca expectativa nisso, até porque, acabamos de lidar com uma reforma da Previdência que tirou direitos para diminuir os custos dos cofres públicos. Se não aconteceu neste ano, não se tornará realidade no próximo, até pela questão política atual”, afirma a advogada especialista em Direito Previdenciário, Catarine Mulinari.

A opinião de Mulinari é compartilhada pela coordenadora estadual do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) e advogada especialista em Direito Previdenciário Maria Regina Couto Uliana.

“Não tenho muita esperança, foi muito falado mas sem algo muito prático. Acredito que para 2022 não teremos, até porque era algo muito focado para ser feito na pandemia, e em 2022 a tendência é de que a situação já esteja mais normalizada”, afirma.

 













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Juros atingem 34,1% ao ano e castigam as famílias

O Banco Central (BC) informou ontem que a taxa média de juros bancários de empréstimos com recursos livres para pessoas físicas e empresas chegou a 34,1% ao ano em novembro. O valor é o maior registrado em 2021. 

O economista Ricardo Paixão explica que o alto índice acaba se refletindo na situação das famílias brasileiras, que acumulam dívidas para sobreviver à pandemia. E cita que uma possibilidade é substituir uma dívida por outra, mas só fazer isso se os juros forem mais baixos e depois de uma longa análise. 

O advogado deu como exemplo uma pessoa que tivesse uma dívida no valor de R$ 1.500 no cartão de crédito. Se ela tiver a possibilidade de obter uma linha de crédito com este valor, pode valer a pena pegá-lo para pagar o cartão e então ir pagando o empréstimo, porque os juros serão mais baixos. 

“Mas esse caso é específico porque a dívida do cartão de crédito costuma ser uma das mais altas. Mas o ideal é por na ponta do lápis tudo para ver se vale a pena.”


SAIBA MAIS


Cartão emprestado a familiares

Recorde de negativados

  • O número de idosos que está com o nome negativado no SPC atingiu um valor recorde: são 98.190 idosos com mais de 65 anos que estão nesta situação no Estado. Os dados são de novembro deste ano, e o recorde anterior era do mês de novembro de 2020, quando eram 89.391 idosos.

Outras faixas etárias

  • No total, são 760.178 pessoas que, atualmente, estão com o nome negativado no SPC. 
  • Apesar do recorde na faixa acima dos 65 anos, o maior número de pessoas endividadas no SPC se encontra uma faixa abaixo: são 181.378 pessoas com idade entre 50 e 64 anos com alguma dívida no SPC. 
  • O segundo maior número está na faixa dos 30 a 39 anos, onde são 178.261 pessoas. Em seguida, vem a faixa dos 40 a 49 anos, com 174.764 nomes negativados. 
  • As faixas com o menor número de nomes negativados são justamente as mais jovens. Enquanto a dos 18 a 24 anos tem  55.873 nomes, a dos 25 aos 29 tem 71.760.

E o que é o SPC? 

  • SPC significa Serviço de Proteção ao Crédito. O órgão é quem oferece esses dados para lojistas. Ele é sustentado por associações comerciais, que fornecem informações por meio de instituições parceiras em cada estado do Brasil.
  • É assim que os comerciantes podem avaliar o risco de inadimplência, evitando sair no prejuízo em parcelamentos ou crediários.
  • Ao ter uma dívida não paga, o lojista pode avisar o SPC e incluir esse consumidor como mau pagador. O que impossibilita que o inadimplente faça novas dívidas.

Fonte: CDL Vitória

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