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Economia

O que deve mudar para 90 mil pessoas que trabalham por aplicativos no ES

Governo federal prepara para o início de 2026 a regulamentação para a categoria, incluindo motoristas, motoboys e entregadores com bike

O que deve mudar para 90 mil pessoas que trabalham por aplicativos no ES
- Governo federal prepara mudanças para regular o trabalho por aplicativo, com impacto para motoristas e entregadores no Espírito Santo
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Rodrigo Péret

Formado em Jornalismo pela Faesa em 2017 e atualmente cursando o último período de Direito na Multivix Vitória, Rodrigo Péret está em A Tribuna desde 2019, onde atua como repórter de Política e Economia, ocasionalmente atuando como colunista de Plenário. Paralelamente, colabora para o portal Wrestlemaníacos, especializado em Pro-Wrestling, desde 2011.

Última atualização


O governo federal prepara mudanças para regular o trabalho por aplicativo já no primeiro semestre de 2026. Essas alterações devem atingir, no Espírito Santo, cerca de 90 mil profissionais que atuam em funções como motoristas e entregadores.

Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, a meta é concluir, entre janeiro e fevereiro, os trabalhos do grupo criado para negociar direitos da categoria e, na sequência, atuar pela aprovação do projeto no Congresso Nacional, entre março e abril, antes do início das restrições impostas pelo calendário eleitoral.

A expectativa é de que as negociações realizadas com representantes dos trabalhadores, parlamentares e órgãos como o Ministério Público do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho sejam incorporadas ao projeto que tramita na Câmara dos Deputados.

Segundo Boulos, o debate no grupo de trabalho será organizado em três eixos principais. O primeiro trata da garantia de um ganho mínimo para entregadores e motoristas. O segundo envolve a criação de um modelo de proteção social, com previsão de seguro e regras previdenciárias.

O terceiro aborda a transparência dos algoritmos utilizados por plataformas, que atualmente não divulgam os critérios de distribuição de corridas e entregas.

A discussão sobre a contribuição previdenciária avançou, com a proposta de considerar 25% do ganho bruto como base para a incidência da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A tarifa mínima, no entanto, segue sem consenso.

Até segunda-feira (22), a previsão era que, no transporte de passageiros, o trabalhador plataformizado terá direito a uma remuneração bruta mínima de R$ 8,50 por viagem com dois quilômetros rodados.

Já nos serviços de entrega, o piso de R$ 8,50 será aplicado a entregas de até três quilômetros quando realizadas com carros e de até quatro quilômetros quando feitas com motos ou bicicletas. O texto autoriza estados e o Distrito Federal a estabelecerem pisos mais elevados.

De acordo com o relatório, motoristas e entregadores poderão optar pela condição de “trabalhador plataformizado”, modalidade que mantém a prestação de serviço sem vínculo empregatício formal. Em contrapartida, o projeto define garantias mínimas, como o valor piso por viagem.

Os Números

R$ 8,50 é a tarifa mínima bruta prevista

25 por cento do ganho bruto em base do INSS

Categoria quer diálogo com governo

O projeto atual que tramita no Congresso não agrada representantes dos trabalhadores por aplicativo, que aguardam a oportunidade de dialogarem diretamente com o governo, por meio do grupo de trabalho previsto para o primeiro bimestre do ano que vem.

A Federação Nacional dos Sindicatos de Motoristas por Aplicativos (Fenasmapp) considerou o relatório do projeto de lei um avanço, mas acredita que “há pontos a serem aprimorados”.

Já Gessé Gomes Júnior, presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo do Epírito Santo (Sintappes), considera que ainda falta muito a ser melhorado no projeto, que, no momento, estaria criando uma “terceirização disfarçada”.

“A gente se preocupa porque o Congresso parece não entender qual o modelo adequado para o trabalhador. Temos a esperança de que, com o grupo de trabalho, o nosso ponto de vista seja mais ouvido”.

O texto do projeto também foi alvo da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), que afirma que “o texto mantém mecanismos que podem elevar significativamente o custo final das entregas para os consumidores, afetando diretamente o acesso e a sustentabilidade desses serviços”.

As mudanças previstas

Piso por viagem

De acordo com o relatório atual do projeto, motoristas e entregadores poderão optar pela condição de “trabalhador plataformizado”, modalidade que mantém a prestação de serviço sem vínculo empregatício formal.

Em contrapartida, o projeto define garantias mínimas, como o valor do piso por viagem.

No transporte de passageiros, o trabalhador plataformizado terá direito a uma remuneração bruta mínima de R$ 8,50 por viagem com dois quilômetros rodados. Já nos serviços de entrega de alimentos, itens e encomendas, o piso de R$ 8,50 será aplicado a entregas de até três quilômetros, quando realizadas com carros, e de até quatro quilômetros, quando feitas com motos ou bicicletas.

O texto autoriza estados e o Distrito Federal a estabelecerem pisos mais elevados.

Falta, porém, consenso. O presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), avalia que a adoção de um valor uniforme pode prejudicar municípios menores.

Segundo ele, valores considerados adequados para grandes capitais podem inviabilizar a operação no interior e levar empresas a suspender o serviço.

Limite de taxa

O projeto também limita a taxa cobrada pelas plataformas digitais. Nos serviços por viagem, a taxa não poderá ultrapassar 30% do valor pago pelo usuário. Nos modelos de cobrança por mensalidade, o limite será de 15%.

Seguro contra acidentes

Outro ponto previsto é a criação de um seguro privado contra acidentes, que deverá ser custeado integralmente pelas empresas operadoras das plataformas.

O valor mínimo da cobertura será de R$ 150 mil, abrangendo acidentes pessoais, invalidez permanente ou temporária, morte, doenças graves ou ocupacionais, assistência médica e emergencial, além de danos pessoais e a terceiros.

Previdência

As empresas também ficarão obrigadas a contribuir com os regimes de Previdência Social dos trabalhadores que optarem pelo regime de plataformização.

Relação regulamentada

Além disso, o texto regulamenta a relação entre as plataformas e os usuários, estabelecendo que os aplicativos respondem de forma objetiva pela prestação adequada, segura e respeitosa dos serviços, bem como por danos decorrentes de atos ilícitos ocorridos durante a execução das atividades, independentemente de culpa.

Grupo de trabalho

A intenção do governo é concluir o grupo dos entregadores até o fim de janeiro ou início de fevereiro, de modo que as discussões sejam convertidas em propostas práticas.

A expectativa é que as negociações realizadas com representantes dos trabalhadores, parlamentares e órgãos como o Ministério Público do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho sejam incorporadas ao projeto que tramita na Câmara dos Deputados.

O debate no grupo de trabalho será organizado em três eixos principais.

O primeiro trata da garantia de um ganho mínimo para entregadores e motoristas.

O segundo envolve a criação de um modelo de proteção social, com previsão de seguro e regras previdenciárias.

O terceiro aborda a transparência dos algoritmos utilizados por plataformas como Uber, Noventa e Nove e iFood, que atualmente não divulgam os critérios de distribuição de corridas e entregas.


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