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Economia

Operadora vai assumir 78 mil linhas de telefone fixo no ES

Método Telecom assinou contrato para comprar unidade da Oi, que teve falência decretada, e aguarda aval de Anatel e Cade

Operadora vai assumir 78 mil linhas de telefone fixo no ES
- Telefonia fixa: a Oi tem, segundo a Anatel, 49.831 acessos de pessoas físicas e 28.983 de pessoas jurídicas

Última atualização



Uma empresa de Minas Gerais deve ser a responsável por assumir as linhas de telefonia fixa operadas pela Oi no Espírito Santo.

A Método Telecom, sediada no bairro Estoril, em Belo Horizonte, venceu o leilão para adquirir a chamada Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos da operadora em todo o Brasil, que teve a falência decretada na última semana. O valor da operação de compra é de R$ 60 milhões, segundo o portal Uol.

A operadora mineira informou que a aquisição “segue o rito formal do processo competitivo judicial e ainda aguarda as homologações regulatórias junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel ) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”.

A Anatel informou que a Oi possui no Espírito Santo 78.814 linhas fixas, sendo 49.831 acessos de pessoas físicas e 28.983 de pessoas jurídicas.

Perguntada se há alguma sinalização concreta de que a Método vai assumir as linhas, a agência não esclareceu até o fechamento da reportagem.

Até o encerramento do processo de transferência dos ativos para a Método, a Oi permanece legalmente responsável pelas informações, pela operação e pela estabilidade das redes sob sua responsabilidade, afirmou a empresa mineira.

“No entanto, para assegurar a estabilidade das comunicações no País e a continuidade de serviços públicos essenciais, as equipes de engenharia, comercial e governança da Método já estão dedicadas a prestar suporte e desenhar planos de migração e estabilidade técnica para as operações críticas de órgãos públicos e empresas, minimizando qualquer risco de descontinuidade de serviços”, disse, em nota, a operadora.

Falência

A falência da Oi foi decretada pela Justiça do Rio na última semana, por decisão unânime dos desembargadores. Eles negaram provimento aos recursos apresentados por Bradesco e Itaú e, com esses votos.

Em novembro de 2025, a falência havia sido decretada, mas a decisão foi suspensa após o recurso dos bancos.

Segundo informações recentes, a contabilização da dívida da Oi foi estimada em R$ 44 bilhões, com cerca de 164 mil credores, sem a empresa conseguir honrar a totalidade de seus compromissos.

Oi praticamente já não tem mais operação no ES, diz sindicato

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Sinttel-ES) diz que os serviços atualmente prestados pela Oi são exclusivamente para órgãos públicos e lotéricas, por meio da Oi Soluções.

“Telefonia, rede de fibra ótica, clientes de internet, tudo foi vendido para Claro, Tim e Vivo. No Estado, ficou muito pouco, maioria órgãos públicos, com serviços que não podem ser descontinuados, como os de utilidade pública”, disse Nilson Hoffmann, presidente do Sinttel-ES.

Segundo o representante, seria a operação adquirida pela Método Telecom no Estado. De acordo com o diretor do Sinttel-ES, Reginaldo Biluca, praticamente todas as centrais da Oi no Estado já foram desativadas.

“Nossa preocupação agora é que seja garantido que, para os trabalhadores que ficam, nada seja prejudicado. Salários mantidos, verbas quitadas”, afirma o diretor, sobre os cerca de 12 funcionários que, segundo o sindicato, ainda prestam serviços para a empresa no Espírito Santo.

O governo do Estado confirmou que os telefones fixos dos departamentos públicos e os serviços de utilidade pública — como 190 e 181 — são operados pela Oi no Espírito Santo. Atualmente, segundo o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado (Prodest), a continuidade da prestação dos serviços essenciais está garantida por decisão judicial, durante o período de transição.

“Uma eventual transferência da execução contratual para a Método dependerá de análise, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), dos instrumentos jurídicos aplicáveis e da comprovação de que os contratos e serviços atualmente prestados ao Estado estão abrangidos pela operação realizada”, disse a Prodest em nota.

Já as lojas, em sua maioria, não utiliza mais o serviço da Oi para telefonia fixa, segundo o vice-presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin,

Os contratos, disse ele, foram sendo encerrados e substituídos por planos de outras operadoras, principalmente da Claro. “Se existir, deve ser em lojas do interior do Estado”, comentou.



Lotéricas vivem caos e sofrem até ataque hacker

Duas unidades lotéricas do Piauí foram afetadas por um incidente cibernético que atingiu o sistema da Caixa em diferentes estados do País no dia 21 de julho, noticiou o portal G1. O prejuízo é estimado em R$ 1 milhão, de acordo com Sindicato dos Empresários Lotéricos do Estado (Sindillo).

A situação, porém, não foi apenas no estado do Nordeste. Outras localidades também sofreram com o ataque “hacker”. A Caixa confirmou o incidente, informou que os serviços foram restabelecidos e que nenhum cliente ou parceiro lotérico foi prejudicado.

O incidente estaria diretamente ligado a um imbróglio envolvendo Caixa, lotéricas e Oi Soluções, empresa que presta serviço para essas unidades permissionárias, sob contrato regido pela Caixa.

Segundo a presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos do Estado (Sincoes), Maria Luzia Fernandes Alves, a Oi há meses já não opera os “serviços de conectividade”, ou seja, a internet das lotéricas.

A situação, diz Maria, fez com que a Caixa indicasse a contratação de empresas locais, ou seja, as “operadoras de bairro” para fornecer o serviço, oferecendo às lotéricas um modem criptografado — o que teria permitido vulnerabilidades. No Estado, nenhuma lotérica foi afetada, diz ela.

Segundo Maria, o serviço deveria ser pago pela Caixa, como manda o contrato, mas nem mesmo isso estaria sendo feito. “Tem lotérica no Estado que paga a conta do próprio bolso para continuar funcionando. Estamos na Justiça exigindo que a Caixa cumpra o contrato”.

Falência e dívida a 164 mil credores

Reestruturação judicial

A companhia entrou com seu primeiro pedido de recuperação judicial em junho de 2016, após anos de dificuldades financeiras resultantes do projeto da “supertele”, que envolveu a Brasil Telecom e a Portugal Telecom.

O primeiro processo foi oficialmente encerrado em dezembro de 2022, mas a empresa voltou a enfrentar severos problemas de liquidez e pagamento de dívidas poucos meses depois. Em março de 2023, a Oi iniciou seu segundo processo de recuperação judicial para tentar reequilibrar suas obrigações financeiras.

O novo plano de reestruturação previa a venda de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) para captação de recursos destinados ao pagamento de credores e manutenção das operações.

Situação financeira

A Oi acumula atualmente um patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões e soma cerca de 164 mil credores.

A dívida com fornecedores que não fazem parte do processo de recuperação judicial atingiu R$ 1,7 bilhão.

Grandes instituições financeiras, como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa e Santander, têm cerca de R$ 4 bilhões a receber exclusivamente em fianças.

A administração judicial reportou projeção de esgotamento total dos recursos para o fim de agosto, com disponibilidade de caixa de apenas R$ 19,6 milhões projetada para o final de julho.

Impacto nos serviços

Dificuldades na conclusão da venda de ativos relevantes nos últimos meses comprometeram diretamente o caixa e a sustentabilidade das operações.

A falta de pagamento integral de contratos fez com que prestadores suspendessem serviços essenciais de internet e telefonia fixa em diversas cidades do País.

A empresa passou a realizar apenas pagamentos parciais de contratos com fornecedores para manter o funcionamento básico.



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