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Economia

Ouro supera R$ 27, 2 mil e tem maior valor da história

Com o aumento das tensões globais, investidores optam por migrar para ativos de proteção, levando o metal a valor recorde

Barras de ouro: o metal acumulou valorização de 64% no ano passado e teve o maior ganho anual desde 1979
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Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

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O ouro chegou ontem a novo recorde, acima de US$ 5.100 (cerca de R$ 27,2 mil) por onça, ampliando uma valorização histórica à medida que investidores buscam proteção diante do aumento das incertezas geopolíticas.

O ouro à vista avançou 2,2%, para US$ 5.089,78 por onça, após ter atingido mais cedo o pico histórico de US$ 5.110,50. Já os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em fevereiro, tiveram alta semelhante, para US$ 5.086,30 por onça.

O metal acumulou valorização de 64% em 2025, maior ganho anual desde 1979. Na semana passada, os preços atingiram máximas consecutivas e já acumulam alta superior a 18% neste ano.

O movimento é impulsionado pela busca por ativos seguros, pela política monetária mais flexível nos EUA, pelas compras consistentes dos bancos centrais — com destaque para o 14º mês seguido de aquisições pela China em dezembro — e pelos aportes recordes em fundos negociados em bolsa.

Segundo Kyle Rodda, analista sênior da Capital.com, o principal fator recente por trás da disparada é “uma crise de confiança na administração e nos ativos dos EUA, causada por decisões erráticas do governo Trump na semana passada”. Na quarta, Trump recuou das ameaças de impor tarifas a europeus como forma de pressioná-los a apoiar a tomada da Groenlândia.

No fim de semana, Trump afirmou que aplicaria uma tarifa de 100% sobre o Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China. Ele também ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, em uma tentativa de pressionar o presidente da França, Emmanuel Macron, a aderir à sua proposta do Conselho da Paz.

Analistas temem que a iniciativa enfraqueça o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) como principal fórum global de mediação de conflitos, embora Trump tenha afirmado que trabalhará em conjunto com a entidade.

“Esse governo provocou uma mudança permanente na forma como as coisas funcionam e, por isso, todos estão correndo para o ouro como única alternativa”, acrescentou Rodda.

Especialistas projetam que o preço do ouro pode se aproximar de US$ 6.000 ainda este ano, diante do agravamento das tensões globais e da forte demanda de bancos centrais e investidores individuais.

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