De janeiro a agosto deste ano, a estimativa é de que cerca de 400 famílias perderam seus imóveis e foram despejadas por conta de dívidas, segundo o advogado do ramo imobiliário Diovano Rosetti.
O levantamento, feito junto a corretoras e imobiliárias, mostra o número dos primeiros oito meses do ano. Em relação aos últimos 12 meses, o número de despejos é de cerca de 1.500.
O principal fator que levou famílias a perderem a moradia foi a pandemia do novo coronavírus. Para Diovano, o ano passado foi muito complicado para boa parte da população, em que muitos perderam seus empregos e não tiveram como arcar com as contas.
“Esses despejos aconteceram em razão da covid-19. Muitas pessoas tinham um financiamento para arcar, mas ao longo do ano perderam o emprego”, relatou.
Ainda segundo o advogado, não há como negociar, tendo em vista que se trata de contratos firmados com os bancos.
“Nesses casos não há o que fazer. Não tem como a pessoa fugir do contrato”, afirmou Diovano.
O motivo para as pessoas perderem a posse do imóvel é apenas um: a inadimplência. Por causa disso, leilões acontecem e quem não consegue arcar com o financiamento precisa deixar o imóvel, caso alguém o arremate.
“A pessoa que comprou faz a escritura do imóvel e notifica o morador para desocupar em até 30 dias. Em casos que o morador não queira sair, após esse prazo o arrematante pode entrar com uma ação possessória. Esse tipo de processo pode demorar, em média, seis meses”, observou Diovano.
No entanto, com o avanço da vacinação no Estado, a perspectiva para os próximos meses é de que o número de despejos caia, e as pessoas consigam retomar a normalidade.
De acordo com o especialista, a expectativa é de que, a medida que a vacinação for avançando ainda mais, a situação para quem quer financiar um imóvel fique melhor.
“O comércio e outros setores ficaram fechados por muito tempo e isso contribuiu para as dívidas dessas pessoas, mas a partir de agora deve melhorar de novo”, concluiu o advogado.
