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Economia

Royalties: decisão do STF pode obrigar prefeituras a demitir e parar investimentos

Julgamento no STF pode tirar milhões dos municípios e levar a cortes de serviços e demissões em cidades produtoras

Navio-plataforma em produção de petróleo, o que sustenta receitas que bancam serviços e obras em cidades
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Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização


No pior dos cenários, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a redistribuição dos royalties do petróleo pode forçar prefeituras a demitir e cortar investimentos.

Marcado para o próximo dia 6, o julgamento é visto como um divisor de águas para o equilíbrio das contas públicas e a continuidade de serviços prestados. Um dia antes, às 15 horas, será realizada uma audiência de conciliação para discutir a partilha, na sala da Segunda Turma do Supremo, em Brasília.

O tema pode resultar em perdas bilionárias para estados produtores, como Espírito Santo – que deixaria de faturar cerca de R$ 500 milhões/ano –, Rio de Janeiro e São Paulo, além de impactar diretamente dezenas de municípios, como Presidente Kennedy, Marataízes, Itapemirim e Linhares.

A controvérsia gira em torno da constitucionalidade da chamada Lei da Partilha dos Royalties, que alterou os critérios de distribuição das receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural no País. A ministra Cármen Lúcia é a relatora.

Na prática, os estados que não produzem petróleo querem receber uma parte maior do dinheiro dos royalties. Já Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, que concentram mais de 90% da produção, defendem manter a maior parte desses recursos, uma vez que são os mais impactados pela exploração.

A Associação dos Municípios do Estado (Amunes) demonstra preocupação. “A decisão comprometerá a receita de municípios capixabas produtores, já impactados pela Reforma Tributária, causando prejuízo em sua capacidade de investimento”.

Anchieta, por exemplo, disse: “Perderemos cerca de R$ 13 milhões de royalties anuais e R$ 18 milhões de ICMS anuais, o que fará com que parte do serviço público seja afetado, com certeza. Teremos de diminuir DTs (designação temporária) e terceirizados”.

A Prefeitura de Marataízes informou que acompanha com atenção o julgamento relacionado à eventual repactuação das receitas de royalties, reconhecendo a relevância desses recursos para o equilíbrio das contas públicas municipais, especialmente no que diz respeito à necessidade de recomposição do equilíbrio fiscal mediante eventual revisão da política tributária municipal.

“Considerando o percentual que os royalties representam para a receita do município, tal cenário revela uma dependência estrutural relevante, o que expõe a Administração Municipal a riscos fiscais significativos em caso de oscilação ou redução dessas receitas, como pode ocorrer em hipóteses de repactuação dos critérios de distribuição”.

Entenda

O que são os royalties e por que estão em disputa?

Os royalties são compensações financeiras pagas pelas empresas exploradoras de petróleo à União, estados e municípios pela utilização de recursos naturais não renováveis. Trata-se de uma receita estratégica, especialmente para regiões produtoras.

Até 2012, os critérios favoreciam fortemente estados confrontantes com áreas de exploração offshore.

Com a mudança legislativa, buscou-se uma distribuição mais ampla, sob o argumento de que o petróleo pertence à União e, portanto, deveria beneficiar todo o País.

A reação dos estados produtores foi imediata, resultando na judicialização do tema no Supremo Tribunal Federal, onde a aplicação da nova regra permanece suspensa por decisão liminar desde 2013.

O que está em jogo?

O julgamento poderá definir:

  1. A validade definitiva da Lei nº 12.734/2012
  2. O modelo de repartição de receitas do petróleo no Brasil
  3. O futuro financeiro de estados e municípios produtores
  4. Dependendo do desfecho, os efeitos podem alcançar cifras bilionárias e redesenhar o mapa fiscal brasileiro.

Linha do tempo da disputa

Antes de 2012:

Concentração dos royalties nos estados produtores

2012

Aprovação da Lei nº 12.734, com redistribuição

2013

A ministra do STF Cármen Lúcia concede liminar suspendendo os efeitos da nova lei

2026 (dia 6/5)

Retomada do julgamento pelo STF

Impacto direto

No Espírito Santo, os royalties representam parcela relevante das receitas públicas, sobretudo em municípios como Presidente Kennedy, Marataízes, Anchieta e Itapemirim.

A eventual validação da nova regra pode provocar uma reconfiguração fiscal significativa.

Quem perde mais

Se a redistribuição for validada, os mais prejudicados serão:

  • Estados produtores (especialmente Espírito Santo e Rio de Janeiro)
  • Municípios confrontantes com campos de exploração
  • Regiões com forte dependência de receitas petrolíferas
  • Por outro lado, estados não produtores seriam beneficiados com aumento de arrecadação

Risco jurídico e econômico

Para especialistas, a decisão não afeta só as partes envolvidas diretamente; ela produz efeitos estruturais e em cadeia.

Impacto financeiro no Espírito Santo

Dados recentes indicam que o Espírito Santo arrecadou aproximadamente R$ 2,42 bilhões em 2025, somando Estado e municípios, provenientes de royalties e participações especiais.

Governo do Estado: R$ 1,43 bilhão

Municípios: R$ 996,4 milhões

Total: R$ 2,42 bilhões

Municípios mais expostos no Espírito santo

Presidente Kennedy: R$ 192,3 milhões

Marataízes: R$ 190,8 milhões

Itapemirim: R$ 170,3 milhões

Linhares: R$ 95,4 milhões

Caso a regra mude, o prejuízo será bilionário para o Estado e municípios.

Quem seriam os maiores prejudicados — e por quê?

Municípios produtores: alta dependência orçamentária, menor diversificação econômica e uso dos recursos para despesas correntes.

Governo do Estado: perda de capacidade de investimento em infraestrutura e políticas públicas.

Cadeia econômica local: possível retração econômica regional.

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