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Um ano após a volta das operações da Samarco, a empresa opera com 26% da capacidade total, e espera que até 2026 possa mais que dobrar a produção, chegando a 60% da capacidade. A mineradora ficou cinco anos com operações paralisadas após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG).
O diretor de planejamento e operações da empresa, Sérgio Mileipe, explica que só com uma usina funcionando por um ano foi possível fabricar 7,7 milhões de toneladas de minério de ferro no ano.
“Hoje estamos operando com um forno de pelotização, que é a usina quatro, a mais nova e moderna, com maior forno do mundo. Isso representa 7,7 milhões de toneladas esse ano”, disse Mileipe.
“Nosso plano de retomada vê um retorno gradativo, e em 2026 a gente roda um segundo concentrador em Germano (MG), e isso vai permitir rodarmos a usina de pelotização número 3 aqui em Ubu (Anchieta), mais que dobrando a capacidade de produção”, completou.
E o funcionamento de 100% da capacidade total está previsto para 2030. “Em 2030 vamos rodar o primeiro pelotizador, o mais antigo, e isso permite entrar com capacidade total, que são 30 milhões de toneladas. As duas pelotizações mais antigas operando, totalizando quatro pelotizações”, adiantou o diretor.
A retomada inicial da produção já permitiu uma maior arrecadação de tributos para os municípios e os estados onde a empresa atua, Espírito Santo e Minas Gerais.
Segundo diretor-presidente Rodrigo Vilela, de janeiro a novembro, os tributos pagos somam R$ 1 bilhão para os cofres públicos.
“Conseguimos contribuir positivamente para os municípios que nos recebem por meio da geração de tributos, aquisição de bens, serviços e materiais, do fomento na cadeia de valor e também da manutenção de inúmeros postos de trabalho”, afirmou Vilela.
Atualmente, a Samarco emprega diretamente 1.450 profissionais em Minas Gerais e no Espírito Santo, e possui uma base de 3 mil fornecedores ativos. Por enquanto, a empresa afirma que não há previsão de novas contratações. “Só poderemos falar sobre isso quando a gente anunciar a retomada de produção”, frisou Mileipe.
Desejo de ampliar porto
Com a construção da ferrovia Vitória-Rio, a EF-118, que é a extensão de uma nova linha férrea da Grande Vitória até Anchieta, no Sul do Estado, onde está a Samarco, a empresa declarou que já pensa em ampliar o porto.
Segundo o diretor de planejamento e operações, Sérgio Mileipe, a EF-118 pode proporcionar uma oportunidade a mais de transporte do minério.
“A EF-118 é um sonho pra gente porque sabemos que isso pode destravar os negócios portuários, e estamos atentos às oportunidades. Estamos vislumbrando novos projetos para o futuro”, declarou.
A extensão da nova linha férrea até Anchieta será o primeiro trecho da futura Ferrovia Vitória-Rio. O objetivo é que chegue até a região de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro.
E o projeto completo, que é um investimento da Vale, visa a construção de um ramal da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).
Embarque de minério em 71 navios para o exterior
Nesse primeiro ano de retomada das operações, com 26% da capacidade de produção total, foram realizados 71 embarques de minério da Samarco, em navios que seguiram para todos os continentes.
A Ásia, principal destino do minério brasileiro, corresponde por 36% do total das exportações da empresa, e o restante é distribuído nas Américas, Europa, Oriente Médio e Norte da África.
“Nós temos clientes em todos os continentes. Um tipo de cliente é de alto forno, que são de siderúrgicas, e o segundo cliente que produzem o chamado ferro esponja. Os dois produtos são utilizados para a produção de aço mundial, usado na montagem de carros, linhas de geladeiras, entre outros”, esclarece o gerente-geral de operações de Ubu, Alysson Werneck.
Para o diretor-presidente Rodrigo Vilela, o número de navios carregados é positivo.
“Voltamos a fornecer um produto de elevado teor de ferro, superior a 65%. Nossas pelotas são destinadas para atender os principais produtores de aço. Confirmamos que é possível fazer uma mineração apoiada em novas tecnologias, de forma sustentável, alinhada aos princípios de segurança e respeito às pessoas e ao meio ambiente”, afirmou.
SAIBA MAIS – EMPRESA FICOU 5 ANOS PARALISADA
Barragem
- A Samarco voltou a operar há um ano, e neste período produz 26% da sua capacidade total. Somente uma das quatro usinas de pelotização do Complexo de Ubu, em Anchieta, Sul do Estado, está em funcionamento.
- A mineradora ficou 5 anos com as operações paralisadas após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015. A barragem era usada para guardar os rejeitos de minério de ferro explorados pela empresa.
- As licenças só foram liberadas para a empresa voltar a operar com a eliminação do uso de barragens para rejeitos. Novo sistema de rejeitos é somente com cavas ou pilhas de distribuição.
Retomada
- A meta da empresa é aumentar a capacidade de produção para 60% até 2026, e o pleno funcionamento até 2030, alcançando a capacidade de produzir 30 milhões de toneladas.
- A retomada da produção já permitiu uma maior arrecadação de tributos para os municípios e os estados onde a empresa atua (Espírito Santo e Minas Gerais). De janeiro a novembro, os tributos gerados quase de R$ 1 bilhão.
- Foram 71 embarques de minério nos navios que partiram do Porto de Ubu para todos os continentes. A empresa recuperou a maioria dos clientes, e a Ásia, é o principal destino do minério de ferro brasileiro, correspondendo a 36% do total das exportações da empresa.