Municípios que têm muita diversificação de produção agrícola e, por isso, precisam de mais irrigação, já começam a sentir os efeitos da estiagem histórica. Isso está acontecendo no Norte do Espírito Santo, em Pinheiros, Jaguaré, São Mateus e Linhares, por exemplo.
“Com esse volume de chuvas extremamente reduzido, não há água o suficiente para irrigar culturas como café, mamão e pimenta. E para completar, o terreno arenoso, que retém menos água, prevalece na região, e a incidência de luz solar é forte”, relatou Júlio Rocha, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faes).
Segundo ele, a falta de água também já se faz notar em atividades mais intensivas, como confinamento de gado, quando os bovinos são mantidos em piquetes ou currais e alimentados em cochos.
“Sem água não há pasto de qualidade. Os animais já estão precisando de ração à base de insumos importados, o que se reflete no preço da carne, que sobe”, analisou. Ele afirma que os insumos nunca estiveram tão caros.
No Noroeste do Estado, os produtores rurais ainda conseguem ter acesso à água graças às próprias barragens.
“Em Colatina, produtores já estão usando suas barragens particulares para irrigar cafeicultura, fruticultura, piquetes e pastejo de gado de leite”, informou Anderson Marim, engenheiro do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
Na cidade de Nova Venécia, a microbacia do Córrego do Frigério vai receber um projeto do governo do Estado para o uso racional e distribuição justa dos recursos hídricos. A microbacia do rio São Mateus já tem histórico de conflito pelo uso da água e uma alta demanda para irrigação.
Apesar desse cenário, a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) ressaltou que, no Espírito Santo, as vazões dos rios estão dentro do comportamento esperado para os meses mais secos do ano e não há risco de desabastecimento.
“Neste período, é comum que os rios fiquem com menos água devido à menor quantidade de chuva. Por isso, mesmo sem uma situação crítica, a população deve adotar práticas racionais”, recomendou a Agerh.
Fique por dentro
Reflexos na agricultura
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A estiagem está fazendo com que produções no Norte do Estado fiquem sem a irrigação suficiente.
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Isso acontece porque o terreno arenoso da região retém menos água. Além disso, a incidência do sol é forte.
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Essa situação está acontecendo em municípios como Pinheiros, Jaguaré, São Mateus e Linhares, que têm muita necessidade de água para abastecer a diversidade de culturas.
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A seca também se reflete no confinamento do gado, porque a qualidade do pasto piora e a produção fica mais cara com o uso de insumos importados.
Vazão dentro do esperado
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A agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) afirmou que as vazões dos rios no Estado estão dentro do comportamento esperado para os meses mais secos do ano, e não há risco de desabastecimento.
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Nesta época do ano, é comum que os rios fiquem com menos disponibilidade de água devido à menor quantidade de chuvas.
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Mesmo sem maiores riscos, a Agerh recomenda que a população adote práticas racionais de uso da água, tanto na cidade quanto no campo.
Consumo fora do horário de pico
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Um plano de “deslocamento do consumo de energia nos horários de pico” está sendo avaliado pelo Ministério de Minas e Energia.
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A ideia é oferecer descontos na conta de luz para quem priorizar o consumo de energia elétrica fora do horário de pico.
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Esta faixa específica de consumo, recentemente, tem sido por volta das 15h30, com o uso de ar-condicionado, e em períodos mais frios, das 18h30 às 21h, quando as pessoas chegam em casa do trabalho.
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O programa pode incluir, além das indústrias, os consumidores residenciais que tenham medidor de energia com apuração horária.
Medida provisória
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O governo publicou ontem uma MP para centralizar a gestão da crise hídrica e aumentar os poderes do Ministério de Minas e Energia.
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Com isso, fica aberta a possibilidade contratar energia com caráter emergencial e sem leilão.
Fonte: Faes, Agerh, Ministério de Minas e Energia e Carlos Sena, diretor do Sinerges.
Desconto para grandes indústrias
Um programa de deslocamento do consumo de energia nos horários de pico está sendo estudado pelo Ministério de Minas e Energia. Se a ideia seguir adiante, pode começar a partir de julho e incluir consumidores residenciais, além da indústria.
A ideia em estudo é oferecer incentivos na conta de luz, como descontos na tarifa.

O horário de pico é aquele em que há o maior consumo de energia elétrica dentro de um mesmo período de tempo.
“Entre as 18 e 21 horas, de segunda a sexta-feira, quando a iluminação pública é ligada e as pessoas chegam em casa do trabalho, havia um maior consumo. Mas de 10 anos para cá, esse horário de pico mudou para as 15h30, com o uso de ar-condicionado”, completou Carlos Sena.
Escassez de água é a maior em 91 anos em hidrelétricas

“Esse quadro provocou a natural preocupação de muitos com a possibilidade de haver um racionamento de energia. Para combater a situação, encaminhamos ao Congresso uma Medida Provisória, cujo objetivo é fortalecer a governança do processo decisório no momento de crise”, disse o ministro.
A MP abre a possibilidade de o governo contratar energia de maneira emergencial e sem leilão, numa tentativa de garantir segurança ao sistema elétrico.
“Estamos desenhando um programa voluntário que incentiva empresas a deslocarem consumo dos horários de maior demanda para horários de menor demanda de energia, sem afetar a produção e o crescimento econômico”, acrescentou.
Albuquerque afirmou ainda, que além do comércio, serviços e indústria, é fundamental que o cidadão evite desperdício no consumo de água e energia.
“Com isso, vamos reduzir a pressão no sistema elétrico e reduzir o custo da energia gerada”, ressaltou Albuquerque.
Análise: Adriano Pedra, especialista em gestão pública

Vale lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentou uma crise energética que o desgastou muito politicamente.
Se houver apagões e racionamento, além da inflação e da conta mais cara, as pessoas vão relacionar essa piora na qualidade de vida ao atual governo. Mas a origem do problema vem de governos anteriores, que não investiram na diversificação de fontes de energia.
É preciso investir na energia eólica, nuclear e solar, para não depender apenas das chuvas, e isso não é feito da noite para o dia.”

Um plano de “deslocamento do consumo de energia nos horários de pico” está sendo avaliado pelo Ministério de Minas e Energia.