- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Economia

Seca histórica atinge a agricultura no Estado

Municípios que têm muita diversificação de produção agrícola e, por isso, precisam de mais irrigação, já começam a sentir os efeitos da estiagem ...

Córrego do Frigério, em Nova Venécia, vai receber projeto do Estado para uso racional dos recursos hídricos

Última atualização

Córrego do Frigério, em Nova Venécia, vai receber projeto do Estado para uso racional dos recursos hídricos (Foto: Divulgação )

Municípios que têm muita diversificação de produção agrícola e, por isso, precisam de mais irrigação, já começam a sentir os efeitos da estiagem histórica. Isso está acontecendo no Norte do Espírito Santo, em Pinheiros, Jaguaré, São Mateus e Linhares, por exemplo.

“Com esse volume de chuvas extremamente reduzido, não há água o suficiente para irrigar culturas como café, mamão e pimenta. E para completar, o terreno arenoso, que retém menos água, prevalece na região, e a incidência de luz solar é forte”, relatou Júlio Rocha, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faes).

Segundo ele, a falta de água também já se faz notar em atividades mais intensivas, como confinamento de gado, quando os bovinos são mantidos em piquetes ou currais e alimentados em cochos.

“Sem água não há pasto de qualidade. Os animais já estão precisando de ração à base de insumos importados, o que se reflete no preço da carne, que sobe”, analisou. Ele afirma que os insumos nunca estiveram tão caros.

No Noroeste do Estado, os produtores rurais ainda conseguem ter acesso à água graças às próprias barragens.

“Em Colatina, produtores já estão usando suas barragens particulares para irrigar cafeicultura, fruticultura, piquetes e pastejo de gado de leite”, informou Anderson Marim, engenheiro do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Na cidade de Nova Venécia, a microbacia do Córrego do Frigério vai receber um projeto do governo do Estado para o uso racional e distribuição justa dos recursos hídricos. A microbacia do rio São Mateus já tem histórico de conflito pelo uso da água e uma alta demanda para irrigação.

Apesar desse cenário, a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) ressaltou que, no Espírito Santo, as vazões dos rios estão dentro do comportamento esperado para os meses mais secos do ano e não há risco de desabastecimento.

“Neste período, é comum que os rios fiquem com menos água devido à menor quantidade de chuva. Por isso, mesmo sem uma situação crítica, a população deve adotar práticas racionais”, recomendou a Agerh.


Fique por dentro 


Reflexos na agricultura

  • A estiagem está fazendo com que produções no Norte do Estado fiquem sem a irrigação suficiente.

  • Isso acontece porque o terreno arenoso da região retém menos água. Além disso, a incidência do sol é forte.

  • Essa situação está acontecendo em municípios como Pinheiros, Jaguaré, São Mateus e Linhares, que têm muita necessidade de água para abastecer a diversidade de culturas.

  • A seca também se reflete no confinamento do gado, porque a qualidade do pasto piora e a produção fica mais cara com o uso de insumos importados.

Vazão dentro do esperado

  • A agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) afirmou que as vazões dos rios no Estado estão dentro do comportamento esperado para os meses mais secos do ano, e não há risco de desabastecimento.

  • Nesta época do ano, é comum que os rios fiquem com menos disponibilidade de água devido à menor quantidade de chuvas.

  • Mesmo sem maiores riscos, a Agerh recomenda que a população adote práticas racionais de uso da água, tanto na cidade quanto no campo.

Consumo fora do horário de pico

  • Conta de luz  (Foto: Divulgação)Um plano de “deslocamento do consumo de energia nos horários de pico” está sendo avaliado pelo Ministério de Minas e Energia.

  • A ideia é oferecer descontos na conta de luz para quem priorizar o consumo de energia elétrica fora do horário de pico.

  • Esta faixa específica de consumo, recentemente, tem sido por volta das 15h30, com o uso de ar-condicionado, e em períodos mais frios, das 18h30 às 21h, quando as pessoas chegam em casa do trabalho.

  • O programa pode incluir, além das indústrias, os consumidores residenciais que tenham medidor de energia com apuração horária.

Medida provisória

  • O governo publicou ontem uma MP para centralizar a gestão da crise hídrica e aumentar os poderes do Ministério de Minas e Energia.

  • Com isso, fica aberta a possibilidade contratar energia com caráter emergencial e sem leilão.

Fonte: Faes, Agerh, Ministério de Minas e Energia e Carlos Sena, diretor do Sinerges.


Desconto para grandes indústrias

Um programa de deslocamento do consumo de energia nos horários de pico está sendo estudado pelo Ministério de Minas e Energia. Se a ideia seguir adiante, pode começar a partir de julho e incluir consumidores residenciais, além da indústria.

A ideia em estudo é oferecer incentivos na conta de luz, como descontos na tarifa.

Carlos Sena: horário de pico (Foto: Fábio Nunes - 17/06/2019)“As indústrias e um determinado tipo de consumidor estão elegíveis a essa possibilidade. Apenas quem tem medidor de energia de apuração horária consegue verificar o ‘horário de pico’ do consumo”, explicou o diretor do Sindicato das Indústrias de Geração, Distribuição e Transmissão de Energia do Estado, Carlos Sena.

O horário de pico é aquele em que há o maior consumo de energia elétrica dentro de um mesmo período de tempo.

“Entre as 18 e 21 horas, de segunda a sexta-feira, quando a iluminação pública é ligada e as pessoas chegam em casa do trabalho, havia um maior consumo. Mas de 10 anos para cá, esse horário de pico mudou para as 15h30, com o uso de ar-condicionado”, completou Carlos Sena.

Escassez de água é a maior em 91 anos em hidrelétricas

Albuquerque: uso consciente (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou em pronunciamento na TV aberta na noite de ontem que a escassez de água que atinge as hidrelétricas – em especial, no Sudeste e no Centro-Oeste – é a maior dos últimos 91 anos no Brasil.

“Esse quadro provocou a natural preocupação de muitos com a possibilidade de haver um racionamento de energia. Para combater a situação, encaminhamos ao Congresso uma Medida Provisória, cujo objetivo é fortalecer a governança do processo decisório no momento de crise”, disse o ministro.

A MP abre a possibilidade de o governo contratar energia de maneira emergencial e sem leilão, numa tentativa de garantir segurança ao sistema elétrico.

“Estamos desenhando um programa voluntário que incentiva empresas a deslocarem consumo dos horários de maior demanda para horários de menor demanda de energia, sem afetar a produção e o crescimento econômico”, acrescentou.

Albuquerque afirmou ainda, que além do comércio, serviços e indústria, é fundamental que o cidadão evite desperdício no consumo de água e energia.

“Com isso, vamos reduzir a pressão no sistema elétrico e reduzir o custo da energia gerada”, ressaltou Albuquerque.


Análise: Adriano Pedra, especialista em gestão pública


Adriano Pedra (Foto: Divulgação )“Uma crise energética impõe racionamentos, prejudica a economia e eleva a conta da energia. É uma combinação terrível para qualquer governo.

Vale lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentou uma crise energética que o desgastou muito politicamente.

Se houver apagões e racionamento, além da inflação e da conta mais cara, as pessoas vão relacionar essa piora na qualidade de vida ao atual governo. Mas a origem do problema vem de governos anteriores, que não investiram na diversificação de fontes de energia.

É preciso investir na energia eólica, nuclear e solar, para não depender apenas das chuvas, e isso não é feito da noite para o dia.”

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.