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Economia

Semana S do Comércio: “País pode se beneficiar do momento geopolítico”

Economista, Giannetti disse em evento da Fecomércio que a rivalidade de potências pode favorecer a economia brasileira

Semana S do Comércio: “País pode se beneficiar do momento geopolítico”
- Giannetti defendeu maior capacidade do Brasil de negociar simultaneamente com EUA, China e União Europeia

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A rivalidade entre três grandes blocos econômicos — os Estados Unidos, a China e a União Europeia — pode colocar o Brasil com papel de destaque na economia mundial, avalia o economista Eduardo Giannetti.

Para isso, investimento em tecnologia e em capital privado são necessidades urgentes no percurso de obter melhores condições de mercado e atrair empregos mais produtivos, diz o especialista.

Ele foi um dos palestrantes no evento para empresários realizado ontem, na área verde do clube Álvares Cabral, durante a Semana S do Comércio, promovida pela Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES).

Giannetti reforça que o Brasil precisa sair de uma condição de exportador de matéria-prima bruta, que depois é transformada e muitas vezes comprada de volta.

“Nós temos energia renovável, nós temos uma produção alimentar que é imprescindível para a ordem mundial, e temos que saber jogar, negociando com essas três forças econômicas, de modo a obter de cada uma aquilo que o Brasil precisa, que é fundamentalmente tecnologia e capital”, diz.

Um desafio, no entanto, é a política fiscal, especialmente a taxa de juros, em patamares elevados e com previsão de redução moderada pelo Comitê de Política Monetária (Copom). “No início do próximo governo, seja ele qual for, o Brasil vai ter que enfrentar a questão fiscal. E isso é uma coisa que precisa necessariamente ocorrer no início do mandato”, diz.

O especialista também defende medidas antidumping — como no caso do aço e minério, produzidos no Estado. “O Brasil tem que se proteger desse tipo de competição, que é chamado dumping e que prejudica muito a nossa produção”, afirma Giannetti.

A guerra no Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Ormuz e as importações que prejudicam o mercado também são aspectos sensíveis da política econômica. A consciência de que “ninguém sai ileso” é defendida por Giannetti e também pelo professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel, também palestrante.

“Uma das principais mensagens é que (os conflitos geopolíticos) não são ocorrências excepcionais, mas sim reflete o novo normal. O empresário, mesmo atuando em uma empresa nacional, precisa acompanhar de forma sistemática”, avalia Stuenkel.

“É preciso ativar o comércio local”

Em um cenário de competição acirrada com o mercado digital, comerciantes precisam “ativar” o potencial de concorrência. É o que afirma o presidente reeleito da Fecomércio-ES, Idalberto Moro.

A internet, segundo ele, vem gerando prejuízos ao lojistas. “O e-commerce é um concorrente muito grande para o nosso varejo. Precisamos fazer o relacionamento e ajudar o comércio”, disse ele ontem, durante a Semana S. O evento, que marcou os 80 anos do Sesc-ES e Senac-ES, reuniu empresário do comércio e teve como tema o panorama do mercado mundial.

Durante o dia, cerca de 30 empresários receberam a Comenda Antônio Oliveira Santos, honraria criada pela Assembleia Legislativa que reconhece a contribuição à sociedade. A comenda foi entregue pelo presidente da Ales, Marcelo Santos, e por Idalberto Moro.

Para o diretor regional do Sesc-ES, Luiz Toniato, é preciso levar mais ao conhecimento público os serviços que o Sistema S oferece.

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