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Economia

Veja como será a liberação do FGTS para quem ganha até R$ 8.105 quitar dívidas

Programa promete permitir uso do FGTS para abater débitos e garantir descontos de até 90% no valor durante a renegociação

Governo prepara novo Desenrola com uso do FGTS para quitar dívidas e reduzir juros no país
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Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização


O governo federal deve anunciar até sexta-feira (1º) um novo programa de renegociação de dívidas que permitirá o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos em atraso.

A medida vai atender trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) dentro de uma nova etapa do programa Desenrola, voltada à redução do endividamento das famílias.

O uso do FGTS será condicionado ao pagamento das dívidas incluídas no programa e limitado a um percentual do saldo, ainda não definido. A lógica é permitir a quitação ou redução do débito sem transformar o fundo em nova forma de crédito, como ocorre em modalidades de antecipação.

O desenho técnico foi fechado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com executivos dos principais bancos públicos e privados. O modelo final ainda será submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que dará o aval para o anúncio oficial.

O programa terá foco em dívidas sem garantia — consideradas as mais caras do sistema financeiro — como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Atualmente, essas linhas operam com juros que podem variar de cerca de 6% a 15% ao mês. A proposta é substituir esses débitos por uma nova operação com teto de juros estimado em 1,99% ao mês.

Além da redução das taxas, os descontos na renegociação poderão chegar a até 90%, variando conforme o tempo de atraso e o perfil da dívida. Débitos mais antigos, que exigem maior provisionamento por parte dos bancos, tendem a ter abatimentos maiores.

A expectativa da equipe econômica é refinanciar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas, dentro de um universo superior a R$ 70 bilhões em atraso nessas modalidades. O alcance potencial envolve mais de 80 milhões de pessoas inadimplentes no País.

A renegociação será feita diretamente nos bancos, sem plataforma central do governo. Cada instituição poderá consolidar diferentes dívidas de um mesmo cliente em um único contrato, com desconto sobre o valor total e condições mais favoráveis de pagamento.

A nova operação contará com garantia do Fundo de Garantia de Operações, que deve receber aporte público estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões para reduzir o risco das instituições financeiras.

Prazo do pagamento pode chegar a quatro anos

O modelo em elaboração prevê prazo de pagamento de até quatro anos para as dívidas renegociadas, embora esse ponto ainda dependa de validação final do presidente Lula. O objetivo é reduzir o valor das parcelas e aumentar a capacidade de pagamento das famílias.

A adesão ao programa deve ocorrer por um período limitado, com expectativa de duração inicial em torno de três meses. Como os recursos do fundo garantidor são finitos, a tendência é de concentração das renegociações no início da operação.

Devem ser incluídas dívidas com atraso superior a cerca de 90 dias, podendo alcançar débitos de até dois ou três anos — definição que ainda está em discussão entre governo e bancos. Essas dívidas representam maior custo para as instituições financeiras e, por isso, tendem a oferecer condições mais vantajosas na renegociação.

Na prática, a dívida antiga será quitada e substituída por um novo contrato, com juros menores, prazo mais longo e regras padronizadas.

Análise 

“Há efeitos colaterais”

“Do ponto de vista econômico, a medida tem lógica financeira: trocar um passivo caro, com juros que superam dois dígitos ao mês, por um recurso com baixa remuneração (3% ao ano + TR) tende a melhorar o balanço das famílias e reduzir a inadimplência. O impacto pode ser positivo no curto prazo, com alívio financeiro para consumidores e potencial estímulo ao consumo.

Por outro lado, há efeitos colaterais relevantes que precisam ser avaliados. A redução do saldo do FGTS pode limitar recursos para financiamento habitacional e investimentos em infraestrutura. Além disso, o alcance da medida é restrito a quem já possui saldo suficiente, o que reduz seu efeito distributivo. Assim, trata-se de uma solução pontual, eficaz para parte da população, mas sem resolver estruturalmente o problema do crédito caro no País”.

O desenrola 2 

1. Público-alvo

  • Pessoas físicas com renda de até R$ 8.105 (5 salários mínimos)
  • Foco em quem tem dívidas em atraso em linhas de crédito mais caras
  • Alcance potencial de 80 milhões de brasileiros, mas sem número oficial

2. Tipos de dívida incluídos

  • Serão contempladas dívidas sem garantia, com juros elevados: cartão de crédito, cheque especial, Crédito pessoal não consignado (CDC)
  • Ficam de fora: crédito consignado, financiamentos com garantia (imóveis e veículos)

3. Tempo de atraso das dívidas

  • Mínimo: cerca de 90 dias
  • Máximo: entre dois e três anos (definição ainda pendente)
  • Dívidas mais antigas tendem a ter maior desconto e interesse dos bancos na renegociação

4. Descontos

  • Podem chegar a até 90% e não são padronizados: variam conforme o tempo de atraso, o perfil do devedor e a estratégia de cada banco

5. Juros da nova dívida

  • Teto estimado: 1,99% ao mês

6. Estrutura da renegociação

  • A dívida antiga será quitada
  • Será criado um novo contrato com valor reduzido (após desconto), juros menores, prazo maior.
  • Os bancos poderão consolidar várias dívidas de um mesmo cliente em um único contrato

7. Forma de adesão

  • A renegociação será feita diretamente nos bancos: não haverá plataforma central do governo
  • O devedor terá de negociar com cada instituição onde tem dívida

8. Prazo de pagamento

  • Pode chegar a até 4 anos, o que ainda depende de validação final

9. Duração do programa

  • Previsão de três meses. Como os recursos são limitados, pode haver concentração de adesões no início

10. Uso do FGTS

  • O programa criará uma nova possibilidade de uso do FGTS, vinculada exclusivamente à quitação das dívidas renegociadas.
  • O saque será limitado (percentual ainda não definido)
  • O dinheiro não poderá ser usado livremente
  • Não se trata de empréstimo
  • O recurso será usado diretamente para reduzir ou quitar a dívida

11. Possíveis ampliações

  • O governo avalia incluir outros públicos, como: microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, motoristas por aplicativos, caminhoneiros e taxistas
  • Essas inclusões ainda não estão confirmadas para a versão inicial

Pontos ainda em definição

  • Percentual do FGTS que poderá ser utilizado
  • Limite exato de atraso das dívidas
  • Prazo final de pagamento
  • Alcance total do programa


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