Vila Velha é líder em consumo no Espírito Santo. A expectativa é que os gastos da população da cidade alcancem R$ 18,59 bilhões este ano. Os dados são do levantamento realizado pela IPC Maps, que mapeia o potencial de consumo em todo o País.
Em comparação com estudo de 2020 — último publicado por A Tribuna —, Vila Velha desbancou a liderança da Serra, que caiu duas posições e agora ocupa o terceiro lugar, com potencial de consumo de R$ 14,67 bilhões.
Vitória está na segunda posição, com expectativa de que os gastos de seus moradores cheguem a R$ 15,93 bilhões. Cariacica aparece em quarto com R$ 9,92 bilhões.
O responsável pelo estudo e diretor da IPC Maps, Marcos Pazzini, conta que o Estado tem uma característica que o diferencia: é o único em que o maior potencial de consumo não está na capital.
“Algo parecido eu havia visto há alguns anos, em Santa Catarina. Lá, Joinville havia passado Florianópolis. Essa descentralização é interessante porque mostra que a população efetivamente vai aonde ela quer ir, onde ela tem vantagens. Diminui a concentração de capital”.
Um sinal da força de consumo de Vila Velha é que o município tem três shopping centers. “Para um investidor abrir um shopping, ele faz uma série de estudos. Para Vila Velha ter esse número de shoppings significa que foi verificado o potencial de investimento da cidade”, lembra o diretor da IPC Maps.
O analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES), Carlos Perrin, explica que conhecer o ambiente de negócios é essencial na hora de traçar a viabilidade de um empreendimento.
“Vila Velha tem um ótimo perfil de consumo. Só aí você já tem um dos cinco pontos essenciais para empreender, ou seja, você sabe que tem público para o seu produto”, conta.
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, comemora o resultado e afirma que a cidade está no radar de grandes investimentos.
“O resultado da pesquisa é também resultado do conjunto de ações que estamos implementando na cidade para recuperar a economia, gerar emprego e renda e, ainda, desburocratizar a atividade pública para atrair novos negócios”, destacou.
De Valadares para a terra canela-verde
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Foi de olho na força do município canela-verde que a jornalista Maressa Nunes, de 33 anos, saiu de Governador Valadares (MG) para investir em Vila Velha.
Ela e sua irmã, que é dentista, resolveram formar uma parceria para abrir uma filial de uma loja de jalecos no polo de moda da Glória.
“Nós fizemos uma pesquisa de mercado e vimos que Vila Velha era uma das melhores opções. Queríamos uma cidade que fosse grande o suficiente, mas que não tivesse cara de capital”, relata a dona da Jaleca.
Maressa inaugurou sua loja há 3 meses e já comemora o crescimento do seu negócio.
“No início foi muito difícil encontrar um ponto. A procura é muito grande na região”, conta.
Municípios capixabas caem no ranking nacional
O levantamento realizado pela IPC Maps mostrou uma tendência em todos os municípios do Estado, que tiveram uma queda em suas posições nacionais.
Cariacica, por exemplo, desceu 8 posições no ranking nacional de potencial de consumo, quando comparado ao ano anterior. A campeã da lista, Vila Velha, desceu apenas duas posições. Já, Vitória e Serra retornaram três colocações.
O movimento de queda foi observado tanto nas cidades da região metropolitana quanto fora dela. Nas demais zonas do estado a perda de posições dentro do ranking foi ainda maior.
No Norte do Estado, Linhares desceu 39 posições no ranking nacional. Já a cidade de Sooretama voltou 62 lugares na tabela nacional.
Entre os destaques nas movimentações está Ibiraçu, que caiu 221 posições no ranking, e Itarana, que subiu 156 colocações.
No ranking estadual as posições foram mais estáveis, com mudanças menos acentuadas.
Gastos sobem em cidades fora das regiões metropolitanas
O mapeamento mostrou uma tendência em todo o País: o crescimento do consumo em regiões fora das zonas metropolitanas. O responsável pelo estudo e diretor da IPC, Marcos Pazzini, explicou que o movimento ocorre como consequência de decisões empresariais.
“Já faz alguns anos que temos percebido que capitais e municípios das regiões metropolitanas têm perdido participação. O interior vem ganhando cada vez mais força. Muitas empresas têm optado por procurar regiões onde elas tenham condição de custo melhor”.
Pazzini conta que isso fez com que muitas empresas criassem centros industriais fora das grandes cidades. “Parte da população desses grandes centros se mudou, o que provocou uma descentralização do consumos desses centros para o interior”.