Um estudante do 4º período de Medicina, que ingressou na Ufes por meio de cota social, foi expulso após ser acusado de ter mentido sobre a situação financeira de sua família. Ele ingressou na universidade através da cota para alunos que cursaram o ensino médio em escola pública e que tem renda familiar bruta e mensal igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa.
O estudante teria declarado que os pais eram separados e disse que vivia da renda do pai. Após denúncia do Ministério Público por falsidade ideológica e uso de documento falso, uma comissão de sindicância foi aberta para apurar as informações sobre o caso. O relatório final da comissão foi concluído em outubro de 2017 e as apurações constataram que os pais do aluno não eram separados e a renda dos dois ultrapassava o valor determinado no edital. A comissão sugeriu o desligamento e a indicação foi acatada pelo reitor.
O estudante chegou a entrar na justiça solicitando matrícula no 5º período neste primeiro semestre de 2018, mas o pedido foi negado.
A Redação do Tribuna Online tenta desde o início da manhã entrar em contato com o aluno, mas, até o momento, não obteve sucesso.
50 candidatos impedidos de entrar por cota social
No processo seletivo deste ano, 50 candidatos, que tentaram ingressas nos quatro campi da Ufes através de cotas sociais, tiveram o pedido negado. No ano passado, 71 matrículas foram indeferidas.
Sobre as cotas raciais, 46 candidatos autodeclarados pretos, pardos e índios (PPI) entraram com recurso, mas tiveram matrícula negada pela Comissão de Verificação de Autodeclaração. Vinte e sete foram aceitos e puderam efetivar a matrícula. Dezenove recursos permaneceram indeferidos. Em 2017, 12 candidatos tiveram a matrícula cancelada.
Em nota, a Ufes explicou como são verificados os pedidos de matrícula através de cotas sociais e raciais. “Para garantir o direito das cotas aos candidatos que têm direito, em relação às cotas raciais, a Ufes conta com uma Comissão de Verificação de Autodeclaração, formada por sete membros, incluindo pesquisadores do campo étnico-racial. No processo de verificação, eles buscam identificar nos candidatos autodeclarados pretos, pardos ou índios características fenotípicas (características observáveis de um indivíduo) de afrodescendentes ou de indígenas. Em relação às cotas sociais, o candidato deve apresentar uma documentação comprobatória, que também é analisada por uma comissão”, diz o texto.