
Apesar de ter acabado o prazo determinado por decisão judicial para a desocupação das escolas por manifestantes, alunos desafiaram a Justiça e impediram a entrada de professores e servidores nessa segunda-feira (7).
A decisão previa que as aulas fossem retomadas em todas as escolas estaduais que estavam com as atividades paralisadas.
Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), 65 escolas chegaram a ser ocupadas somente na rede estadual, deixando cerca de 60 mil alunos sem aulas. Unidades do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e prédios da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) também foram ocupadas.
Cerca de 45 mil estudantes voltaram às aulas nessa segunda, e 26 unidades já foram desocupadas. Outras 40 continuam com manifestantes contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos públicos, e também à reforma do ensino médio.
Dessas, 18 retomaram as atividades e permanecem com manifestações dentro das unidades e 22 ainda estão com as aulas interrompidas, com a resistência dos ocupantes.
A Escola Renato Costa Pacheco, em Jardim Camburi, Vitória, é uma das que continuam sem atividades escolares. Segundo a coordenadora, Helena Hilda Campagnaro, a direção tentou nessa segunda o retorno das aulas, mas foi impedida.
“Tentamos cumprir a orientação que recebemos que prevê o diálogo com os alunos, para retomarmos as aulas. Depois de um tempo, nos deixaram entrar e fizeram uma proposta de retorno que não condiz com nosso calendário.”
Os ocupantes queriam que fossem realizadas as três primeiras aulas apenas, até o intervalo. “Dissemos que não seria possível, por conta do calendário letivo e precisávamos dar as cinco aulas. Depois disso, não nos deixaram entrar mais. Eram uns 15 alunos.”
SERRA
Na Serra, onde outra decisão judicial foi expedida para a reintegração de posse imediata das escolas da cidade, também houve resistência até essa segunda.
A promotora de Justiça da Educação da Serra, Jane Velo, informou que percorreu escolas como Aristóbulo Barbosa Leão e Zumbi dos Palmares para tentar a negociação com os estudantes que ocupam as unidades.
“Nosso objetivo é que a ocupação se restrinja a um espaço da unidade e que seja restabelecida a autoridade da diretoria da escola, porque hoje os manifestantes que estão ditando as regras nas unidades, autorizando quem pode entrar e quem pode sair.”
Reportagem: Bárbara Becalli