Fechadas desde março devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), as escolas de educação infantil passam por momentos delicados. Sem suportar os prejuízos e na incerteza se o governo do Estado irá liberar o retorno das atividades presenciais com o ensino fundamental e médio, empresários do setor não descartam novas demissões e fechamento das portas.
As creches e escolas que atendem crianças de 6 meses a 5 anos perderam faturamento e tiveram evasão de até 70%, sendo que a maioria fica em torno de 30% a 50%, segundo o vice-presidente eleito do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), Eduardo Costa Gomes.
Ele admitiu que existe uma grande ameaça de que pelo menos 50% das escolas encerrem as atividades entre agosto e setembro, se no protocolo de reabertura não contemplar a educação infantil.
Em outubro, o Centro Educacional Infantil ABC do Saber completaria uma década de existência, mas neste ano não há o que se comemorar. “A gente tinha duas unidades, sendo uma com crianças de 0 a 2 anos e outra para crianças de 3 a 5 anos, ambas em Jardim Camburi. Com a evasão, que chega a 50%, fechamos uma unidade e juntamos todas as idades em um ponto só”, contou a proprietária, Cássia Lucas Spagnol.
Com o fechamento de uma unidade, no final de maio, ela não teve como manter 17 colaboradores, entre os quais cinco estagiários, três professores, bem como cozinheira, auxiliar de serviços gerais, berçaristas e auxiliar de creche. Agora ela torce pela reabertura para evitar novas demissões.
Ana Beatriz Falcão, do Centro de Educação Infantil Anjinho Dourado, contou que a evasão dos alunos vem acontecendo desde o início da pandemia e atualmente está em torno de 30%.
Sobre demissões, ela tentou segurar o quadro, mas este mês não teve outra opção: demitiu duas auxiliares de turma, o que corresponde a quase 20% dos colaboradores. Já os prestadores de serviços, como professores de capoeira, inglês, expressão corporal, e outros, houve suspensão total do trabalho.
Quanto ao futuro, ela diz que se o governo não permitir a reabertura não terá alternativa a não ser demitir pelo menos a metade dos funcionários, ou seja, outros nove.
Protocolo do governo
Questionada pela reportagem sobre detalhes do protocolo que está sendo feito pelo governo, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou, por meio de nota, que tanto o planejamento quanto o documento estão sendo elaborados.
Assegurou ainda que “também tem sido mantido o diálogo com instituições que fazem parte do Grupo de Trabalho, responsável por avaliar as questões quanto às aulas nas escolas no Estado.” Finalizou dizendo que não há data definida para a divulgação desse protocolo.
