
Escolas deverão ensinar crianças e jovens a reagir a frustrações, ansiedade, bullying, estresse e outras competências
O novo currículo da educação infantil e do ensino fundamental vai contar com aulas sobre emoções dentro das disciplinas já previstas. A Base Nacional Curricular Comum para esses alunos prevê que sejam trabalhadas, além das competências cognitivas – como a capacidade de aprendizagem –, as socioemocionais.
A ideia é que os estudantes aprendam a reconhecer suas emoções e a dos outros, a ter r
Segundo estudiosos, esse aprendizado ajuda alunos, por exemplo, a ter mais confiança, autocontrole, reduzir ansiedade, estresse, lidar com frustrações e bullying.
A nova base, elaborada pelo Ministério da Educação (MEC), está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
Na quinta-feira, dia 17, foi realizada a terceira reunião deste ano do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), na qual foram debatidas as competências socioemocionais. O secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha, esteve presente.
“Essas competências vão auxiliar o aluno em sua capacidade de autogestão, tanto para a vida escolar quanto para a social. Ele vai aprender a ter foco, ser perseverante, organizar seu tempo. Ele vai ainda aprender a capacidade de ouvir o próximo e criar soluções para seus problemas” revelou.
O psicopedagogo Cláudio Miranda ressaltou que os jovens serão mais equilibrados com as novas competências. “Eles vão saber lidar melhor com as frustrações, saber respeitar o outro – evitando o bullying. Eles viverão em melhor harmonia com o próximo. Para colocar em prática, seria interessante as escolas debaterem situações do dia a dia com seus alunos.”
A doutora em Educação Edna Tavares explicou que as questões socioemocionais também envolvem o aprendizado da empatia – se colocar no lugar do próximo.
“Levamos o aluno a refletir, para que ele seja mais crítico, com um olhar mais sensível perante a vida, tendo afetividade e resiliência, por exemplo. É importante conversar sobre problemas e debater como podemos resolvê-los.”
.
Base Nacional Comum Curricular do Ensino Infantil e Fundamental

O que é?
Traz o conteúdo mínimo a ser ensinado nas escolas públicas e privadas do País. A Base define 10 competências gerais que alunos da educação básica devem desenvolver.
Elaboração
A base foi elaborada pelo Ministério da Educação (MEC) e está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Ela pode sofrer alterações antes de voltar para o MEC.
Algumas competências
Lidar com a pressão
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas e com pressão social.
Resolução de conflitos
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro.
Agir com autonomia
Agir pessoal e coletivamente com autonomia, tomando decisões, com base nos conhecimentos construídos na escola, segundo princípios éticos democráticos.
Diversidade de saberes
Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao seu projeto de vida pessoal, profissional e social.
Os prazos
Uma vez aprovada pelo conselho e homologada pelo MEC, a BNCC será referência obrigatória na elaboração dos currículos. Em seguida, o presidente Michel Temer deve sancionar a reforma do ensino médio. Depois, o MEC deve encaminhar a base do ensino médio ao CNE.
Em 2018, começa o treinamento de professores para implementar a base nas escolas. E em 2019, a expectativa é de que o documento comece a valer em todo o País para escolas públicas e particulares.
Fonte: Ministério da Educação.
.
.
Currículo igual em escolas públicas e particulares

Com a Base Nacional Curricular Comum do Ensino Infantil e Fundamental na reta final de elaboração – está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) –, as secretarias estaduais já planejam a sua implantação.
O secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha, que participou de reunião na última quinta-feira com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), afirmou que, após a aprovação da base, um currículo único estadual – que vai valer para escolas públicas e particulares – será desenvolvido.
Durante a reunião, foi apresentado um guia de implementação da nova base.
“Vamos instituir uma ‘governança’ para coordenar a comunicação dessa implementação. Vamos unir profissionais da Sedu (secretaria de Estado da Educação), secretarias municipais, escolas particulares, professores e demais profissionais da educação.”
Além disso, a outra medida que será feita logo em seguida, segundo Rocha, é implementar um conjunto de estudos sobre a base e sobre o currículo, para sua construção.
“Para construir um currículo, é preciso envolver todas as instâncias da educação. Em 2018, faremos a construção do currículo a partir desses estudos e debates, para ser implantado no Espírito Santo em 2019.”
O secretário ressaltou que serão analisados currículos internacionais. “Vamos estudar currículos, como os da Austrália, Inglaterra e Estados Unidos, que são referência em educação pelo mundo, para criarmos o nosso. E será um currículo único no Estado, para que o aluno que saia de uma rede e vá para outra não fique prejudicado.”
Nas competências socioemocionais que serão ensinadas em sala de aula, Rocha explicou que os professores serão capacitados para que o assunto seja aplicado.
“Um dos nossos objetivos também é que os professores estejam envolvidos nos debates e na construção do currículo, uma vez que, quem pratica o currículo é o professor dentro de sala de aula.”
A base curricular foi entregue em maio no CNE. Ainda faltam duas reuniões em regiões diferentes do Brasil. O conselho deve aprová-la até o final do ano.
.
Ajuda para lidar com pressão na vida profissional

Enfrentar as pressões durante a carreira profissional será uma das vantagens da educação emocional da Base Nacional Curricular Comum do Ensino Infantil e Fundamental sugerida pelo Ministério da Educação (MEC).
De acordo com especialistas, o modelo poderá oferecer aos alunos maior controle emocional na tomada de decisões.
O especialista em avaliação educacional Edebrande Cavalieri disse que trabalhar as relações sociais dos alunos pode contribuir muito para que o indivíduo se torne um adulto mais tolerante em suas relações.
“Sabemos que hoje as empresas procuram por pessoas que tenham equilíbrio emocional para lidar com os problemas diários. Esse trabalho realmente deve começar na infância”, frisou.
Para a neuropsicopedagoga e terapeuta de família Penha Peterli, a educação emocional pode ajudar o aluno a construir o autocontrole e fazer avaliação de situações com mais serenidade.
Peterli avalia que o cérebro estressado bloqueia a compreensão e atenção e por isso se o aluno é educado emocionalmente é capaz de fazer uma reflexão antes de agir em situações de fortes emoções.
“Com emocional trabalhado desde pequeno, o indivíduo melhora a assertividade nas escolhas e consegue boa solução de problemas”.
Outro benefício apontado pela especialista é que os alunos se tornam mais inteligentes emocionalmente para escolhas futuras.
“Esses alunos, no futuro, serão mais focados e bem-sucedidos profissionalmente, concluiu.
..
Conselho vai avaliar nova base

O documento que está sendo debatido no Conselho Nacional de Educação (CNE) trata exclusivamente da educação infantil e do ensino fundamental. Mas a expectativa do Ministério da Educação (MEC) é de que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) referente ao ensino médio seja entregue até o final do ano.
O secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha, afirmou que, com a conclusão da BNCC da educação infantil e ensino fundamental, o MEC vai se dedicar para concluir a base do ensino médio.
“Com a entrega da base, o MEC está livre para trabalhar a terceira e última versão da base do ensino médio. Tenho esperanças de que até o final do ano as duas estarão entregues para o Conselho.”
A reformulação do novo ensino médio já foi aprovada e sancionada em fevereiro, com a intenção de tornar flexível o currículo do ensino, para atrair e manter os adolescentes nas escolas.
O novo modelo permitirá que o estudante escolha a área de conhecimento para aprofundar seus estudos. A proposta que está sendo discutida e será levada para análise ao CNE prevê que o ensino médio terá uma estrutura na qual parte do currículo será comum e obrigatória a todas as escolas, seguindo a Base Nacional Comum Curricular, e outra parte flexível, na qual cada escola e estado poderá caracterizar de acordo com os desejos dos alunos.
.
