As mudanças no novo ensino médio vão fazer com que o estudante do 9º ano do ensino fundamental tenha de escolher já no ato da matrícula do 1º ano a área em que pretende seguir como profissão. Essa decisão, ainda tão cedo, preocupa famílias e especialistas.
“Esse processo está se antecipando cada vez mais, por conta da pressão da sociedade em fazer com que o aluno já inicie o processo profissional direcionado”, observa a doutora em Educação Edna Tavares.
“Isso causa um pouco de preocupação, pois existe a questão da maturidade em jogo. É por isso que existe a possibilidade de mudança no meio do percurso”, diz.
Para a nutricionista Fernanda Pignaton, mãe da Júlia Pignaton Malavasi, de 12 anos, escolher a profissão muito cedo pode impedir ou limitar que os filhos tenham suas próprias descobertas. “Quero que a minha filha tenha experiências, viva, se encontre e, depois, tome a decisão”, conta a mãe.
O coordenador de Tecnologias Educacionais do Sesi-ES e Senai-ES, Erick Miranda, destaca que a escola sempre teve um papel muito importante de orientação na hora da escolha da profissão.
“Pensando neste momento, o Sesi-ES possui projetos, da educação infantil ao ensino médio, para auxiliar o aluno a fazer sua escolha de forma consciente e assertiva, como o Projeto de Orientação Vocacional e Empreendedorismo, como parte do currículo, e o Projeto de Vida e Feira das Profissões”.
O autoconhecimento, o acesso à diversidade e a oportunidade de vivenciar além da teoria apontam caminhos sobre que profissão seguir. É o que pensa a pedagoga e diretora da Escola Monteiro, Penha Tótola.
“Tudo isso se torna uma experiência prática com a disciplina de Projeto de Vida, que tem o objetivo de levar o aluno a se conhecer melhor, definir suas áreas de interesse e, assim, ajudar na orientação vocacional”.
Para o diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, Mário Broetto, escolha da profissão não pode ser pelo âmbito da imaginação.
“Tem de estar apoiada na experienciação daquela realidade. O aluno tem que ser retirado da posição passiva da sala de aula. Por isso, no nosso Projeto Profissões, os alunos visitam as faculdades e abrem espaço para o diálogo com profissionais, para conhecerem a trajetória vivida, dúvidas, ansiedades e medos que tiveram lá atrás”.
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Pandemia confirma inspiração
Uma pesquisa feita na Grande Vitória pela Empresa Júnior da UVV (EJUVV), em parceria com o jornal A Tribuna, mostrou que ser médico é a profissão mais desejada entre os 10 e 20 anos, com 18,2% das escolhas dos estudantes.
A profissão sempre inspirou a estudante Maria Fernanda Baldo, 14 anos, e, com a pandemia, a certeza só se intensificou.
“Sempre foi uma profissão que me inspirou, sobretudo pelo propósito. Pretendo encontrar nesta profissão um meio efetivo de contribuir para a sociedade”, disse.
Já Gabriel Oliveira Galazzi, 18, quer trabalhar com programação e inteligência artificial. “Toda vez que vejo um computador, tenho certeza de que é o que quero fazer”.