O município de Viana terá uma escola cívico-militar para 400 alunos a partir de fevereiro do próximo ano. A informação foi confirmada ontem pelo prefeito Gilson Daniel, que vai enviar à Câmara Municipal um projeto de lei para a criação do novo modelo de ensino na cidade.
A escola terá militares na direção e na organização pedagógica, com equipes focadas na disciplina mais rígida. Já os professores serão civis. Essa será a primeira escola do Estado a seguir esse formato, permitido a partir de um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no mês passado.
“Além das aulas normais, teremos aulas voltadas para a disciplina e a organização, inclusive com premiação para os alunos com as melhores notas. Eles vão receber condecorações na farda, o que vai incentivar o estudo”, afirmou o prefeito Gilson Daniel.
A escola será voltada para alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. Segundo Daniel, o prédio onde a escola vai funcionar já está sendo construído, mas o local não foi divulgado. “Vamos fazer uma audiência pública este mês para apresentar o local”, afirmou.
Detalhes sobre matrículas serão divulgados até o fim deste ano.
A escola de Viana vai seguir o modelo do Colégio Militar Dr. Cézar Toledo, localizado na cidade de Anápolis, em Goiás. O colégio é reconhecido nacionalmente pelo bom desempenho dos alunos, figurando desde 2011 entre as melhores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
Por lá, a rotina dos alunos começa com uma inspeção diária feita por policiais militares. Eles dão orientações cívicas, falam sobre respeito e até analisam o visual dos estudantes, que precisam estar com cabelos arrumados e uniforme/farda limpos e passados.
O prefeito de Viana, no entanto, disse que a escola goiana será usada como modelo, mas que a metodologia será própria no município, sem detalhar se inspeções como essas vão acontecer.
“Muitas pessoas têm uma visão equivocada de uma escola militar. Não significa que o aluno que fizer bagunça vai ‘pagar’ flexões. Ela está baseada no respeito e na disciplina”, disse.
Sargento sonha em matricular as filhas
Matricular suas filhas em uma escola com modelo cívico-militar é o sonho do sargento da Polícia Militar Vander Ubaldino Neto, 47 anos. Pai da Sarah, 5, e da Sofia, 11, o morador de Cariacica acredita que nesse modelo o aprendizado é maior, pois o professor é mais respeitado.
“Hoje, infelizmente, vivemos uma degradação moral dentro das escolas. Os professores não conseguem impor o limite necessário. A autoridade do professor foi retirada”, afirma Ubaldino.
O sargento contou que já analisou escolas militares de outros estados e diz que o ensino é bem-vindo no Estado. “É um ambiente mais propício para o aprendizado do aluno. Os professores têm mais segurança e isso faz a qualidade de ensino evoluir”.
