
Em entrevista ao Tribuna Online, o presidente da Federação Ademar Batista Pereira rechaçou a proposta e reafirmou que as escolas particulares têm “total condição de concluir o ano letivo de 2020 ainda neste ano”.
“Esta proposta é absurda. Estamos focados em terminar o ano letivo ainda neste ano. Não faz sentido estender para o ano que vem. O máximo, dependendo do quanto esta pandemia durar, jogar o período de recuperação para janeiro. Mas, no ano que vem volta tudo ao normal. Irresponsabilidade é não retomar o ano. Há movimentos que defendem anular este ano letivo, como aconteceu em alguns países da Europa. Mas lá as aulas começam em setembro. O que eles fizeram foi antecipar o encerramento do ano letivo que terminaria na metade do ano. Não tem essa de cancelar o ano”, afirmou.
Ademar Pereira foi perguntado sobre a sugestão dada pelo Secretário de Estado da Educação Vitor de Ângeli, conforme entrevista ao Tribuna Online, sobre distribuir o período letivo de 2020 e 2021 entre os meses que não forem prejudicados pela pandemia. O secretário afirmou, em entrevista, que uma ideia seria “juntar” estes dois anos, redistribuindo o calendário. Vitor de Ângeli, no entanto, ressaltou que não há qualquer proposta oficial neste sentido.
“Eu não conheço esta sugestão do secretário, mas ressalto que é uma realidade diferente da rede privada. A escola particular se reinventou em uma semana e está fazendo um belíssimo trabalho. Estamos falando em ensino domiciliar com aprendizado, não apenas um ‘telecurso’. Há regiões do país onde as aulas já voltaram, com controle de saúde e responsabilidade”, avaliou.
Para o presidente da Federação, as escolas particulares tem investido em diferentes modelos, como as aulas virtuais e os roteiros de estudo, para não deixar que os estudantes fiquem sem o aprendizado. Ele destacou que o ensino domiciliar, em si, não é novidade no país.
“Quando há um estudante em tratamento contra o câncer, por exemplo, ela recebe todo o material para fazer o estudo fora da escola e não tem o seu ano prejudicado. Este modelo está sendo distribuído, por conta da pandemia, para todos os alunos. O importante é ter o aprendizado”, disse.
Sobre a avaliação e aprovação de série, o presidente destacou que as escolas terão que adotar novos métodos. “Será preciso avaliar os alunos de outras formas. Pesquisas, trabalhos, provas com questões mais abrangentes… Há instituições que estão disponibilizando provas onde o aluno responde as questões e tem o retorno por meio de sistema, na hora, com o professor avaliando o conhecimento. O ensino à distância é uma realidade”, apontou.
Ademar citou ainda as dificuldades financeiras enfrentadas pelas instituições, uma vez que parte dos pais estão atrasando as mensalidades ou retirando os filhos das escolas diante da nova realidade econômica (demissões ou reduções de carga horária). Ele destacou ainda que a escola privada é uma instituição “construída pelos brasileiros”, uma vez que não recebe verbas ou indenizações públicas.
“As escolas particulares pagam entre 25% e 30% em impostos. É um setor que emprega 1,7 milhões de pessoas sem informalidade. E, em alguns casos, não há como reduzir a carga horária. Um professor não pode reduzir a sua carga horária, porque o aluno está em casa para aprender. Esta é uma crise que está atingindo as pessoas e a renda das famílias, mas não os boletos. Vamos trabalhar para superar esta fase”, concluiu.