Sem vacina e sem a previsão de um fim da pandemia do novo coronavírus, o retorno às salas de aula ainda é motivo de preocupação para alguns pais.
De acordo com o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), assim que for definida uma data para o retorno das aulas presenciais, os pais poderão escolher levar os filhos às escolas ou continuar com as atividades remotas.
O superintendente do Sinepe, Geraldo Diório, explicou que as escolas estão preparadas para dar essa opção aos pais. “Entendemos que tem alunos e funcionários com comorbidades e que não vão poder retornar à escola presencialmente. Para quem ainda não estiver seguro do retorno, as atividades continuarão de forma remota”.
Ele afirmou que, além de um parecer favorável do Conselho Nacional de Educação para que seja mantida a opção de aulas remotas, a resolução do Conselho Estadual de Educação também permite que isso seja feito.
“A resolução que temos estabelece que as aulas podem ser nesse modelo remoto enquanto durar a pandemia”, disse.
Ele frisou acreditar, no entanto, que grande parte dos pais, após conversas com as escolas, vão enviar os filhos às aulas. “Em Manaus (Amazonas), nos primeiros dias, tivemos poucos alunos, mas, passadas algumas semanas, 80% dos estudantes já estão comparecendo às aulas presenciais”, observou.
Ele reforçou que todas as medidas para que isso aconteça com segurança estão sendo tomadas, como previsão de entrada das turmas em horários diferenciados, para evitar tumulto; e um sistema de revezamento dos estudantes, de forma que um dia parte da turma esteja na escola e outra parte assista às aulas de forma remota.
A neuropsicopedagoga e terapeuta de família Penha Peterli ressaltou que a decisão tem de partir da família, de acordo com sua realidade e de cada escola. “O ideal é que a família visite a escola, saiba o que está sendo feito e só leve a criança se estiver se sentindo segura. Caso não tenha segurança, esse retorno pode gerar uma ansiedade na criança”.
Já na rede estadual, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou estar analisando a situação junto aos setores competentes.
Avaliação
Em uma rotina de aulas e atividades pela internet há quatro meses com os filhos, o gerente de aeroporto Ricardo Mello da Motta Lima, 38, agora avalia a possibilidade de voltar a levar Arthur, de 9 anos, e Miguel, 6, para a escola.
“Quando as aulas forem retomadas, vamos avaliar como será esse retorno e os protocolos que serão adotados pela escola. Se nos sentirmos seguros, eles voltam para a sala de aula”, disse.
Cuidados e prevenção
A administradora Marcia Toniato Fontana, 40, revelou que a decisão de um possível retorno da filha Aline Toniato Fontana, de 9 anos, à escola ainda vai depender dos cuidados que serão adotados pela instituição onde ela cursa o 3º ano do ensino fundamental. Hoje, a estudante faz as atividades pela internet.
“Se a escola tiver todos os cuidados, como álcool na entrada, suspensão do recreio e uso de máscara na sala, por exemplo, eu deixaria que ela fosse”, afirmou.
SAIBA MAIS
Sem aula presencial até o final de agosto
Retorno das aulas
- O governo do Estado ainda não liberou que as escolas retornem com as aulas presenciais no Espírito Santo. O último decreto publicado suspende as aulas até o final de agosto. Ainda não está definido se o decreto será prorrogado ou se as aulas serão retomadas em setembro.
Opção aos pais
- Mesmo assim, as escolas particulares estão discutindo e se preparando para dar opção aos pais de levarem os filhos para a escola ou permanecer com as atividades remotas em casa, assim que as aulas presenciais forem liberadas.
- Segundo o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), essa opção é possível, já que a resolução do Conselho Estadual de Educação prevê que as atividades remotas possam ser adotadas até o fim da pandemia.
- Dessa forma, os estudantes continuarão a fazer as atividades em casa, recebendo as atividades. A escola terá de ter formas de controlar a frequência e de acompanhar esse aluno.
Rede pública
- Com relação à possibilidade de os pais optarem por levar ou não os filhos às escolas após o retorno das aulas presenciais, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou, por nota, que está analisando junto aos setores competentes.
Discussão em São Paulo
- O Conselho Municipal de Educação de São Paulo está preparando uma resolução para deixar claro que os pais podem optar por não mandar os filhos para a escola durante a pandemia, mesmo com o retorno autorizado pelo estado.
Conselho Nacional
- O Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendou aos sistemas de ensino de todo o País a flexibilização do controle de frequência escolar no retorno às aulas presenciais e a garantia aos pais para decidir sobre a volta dos filhos à escola.
Fonte: Sinepe-ES, Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e agências Folha e Estado.

