
Um professor capixaba foi escolhido o “Educador do Ano” de 2016 na 19ª edição do Prêmio Educador Nota 10, criado pela Fundação Victor Civita. Wemerson da Silva Nogueira é professor de Ciências e Química na Escola Estadual Antônio dos Santos Neves, em Boa Esperança, e foi escolhido o vencedor por seu projeto “Filtrando as lágrimas do Rio Doce”.
O projeto trata da contaminação do rio com a lama do rompimento da barragem de Mariana e trabalhou a química com seus alunos.

“Fico muito honrado em representar o Espírito Santo nesse acontecimento. É a primeira vez que o Estado tem um professor selecionado entre os 10 melhores do Brasil escolhidos pelos organizadores do evento. Vejo que verdadeiramente o nosso projeto tem um significado não só na vida dos alunos, da comunidade, mas de todo o país. Dedico essa vitória aos meus alunos, aos moradores de Regência e a todos os professores. A prioridade da minha vida agora é transformar o mundo, formando cidadãos globais, capazes de transformar a educação brasileira. Juntos podemos muito mais”, disse o professor em discurso na entrega do prêmio na segunda-feira, 17, em São Paulo.
O professor capixaba era um dos dez finalistas do prêmio que tinha como tema “Na educação de qualidade todos aprendem juntos”. Projetos de diferentes segmentos foram premiados e representaram os estados da Bahia, Santa Catarina, Goiás, Amazonas, São Paulo e Rondônia, além do Espírito Santo. Cada professor recebeu um vale-presente de R$ 15 mil e uma assinatura da revista Nova Escola Digital. Os dez selecionados apresentaram seus projetos na premiação.
Além destes prêmios, Wemerson ganhou mais R$ 5 mil, valor que também é dado à escola na qual o vencedor trabalha. O professor recebeu o troféu do ministro da Educação, Mendonça Filho.
O projeto de Wemerson promoveu o estudo dos impactos socioambientais por meio da leitura de notícia, entrevistas na comunidade afetada pela lama e análises da água. Com os resultados, o professor contextualizou o estudo da tabela periódica e seus elementos, criando ainda uma metodologia que tornou sua leitura mais acessível aos alunos, que assim, fixavam melhor as características de cada elemento químico.
O professor depois apresentou os resultados de seus estudos à população de Regência e a criação dos alunos de um filtro com areia, que foi distribuído. “Aproveitei o fato do rompimento da barragem que afetou nosso Estado e a contaminação do Rio Doce, para levar para dentro da sala de aula, visando à melhoria da aprendizagem da tabela periódica. Foi uma oportunidade de preparar meus alunos para pesquisas científicas. Realizamos um planejamento que foi da aula de campo até a coleta da água do Rio Doce e da lama”, explicou.
O projeto foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e com empresas de tratamento de água, para que os estudantes compreendessem como funcionam as análises de laboratório.