Guru econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e fiador da campanha junto ao mercado, o economista Paulo Guedes tem cancelado compromissos em série desde que vieram à tona informações de que teria sido beneficiário de uma fraude e de que sugeriu a recriação da CPMF.
Desde a semana passada, ele deixou de comparecer a quatro eventos importantes: uma entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura; uma reunião com clientes do banco de investimento Credit Suisse; e palestras nesta sexta-feira (21) na Amcham (Câmera Americana de Comércio) e na corretora XP.
Os eventos eram considerados relevantes para a campanha no sentido de expor ideias para o mercado e dar publicidade ao projeto econômico de um eventual governo Bolsonaro. Para investidores, os sumiços arranham a imagem do economista.
Segundo a reportagem apurou, Guedes continuará na campanha do presidenciável do PSL, mas deve submergir, aparecendo menos. O sumiço de Guedes coincide com momento em que o núcleo duro da campanha tenta recolocar Bolsonaro, internado em hospital desde que recebeu uma facada em 6 de setembro, como figura central.
Ao vice da chapa, general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), foi solicitado que participe menos de agendas públicas e viagens. À reportagem, o general disse que Bolsonaro o telefonou e pediu “calma”. Mourão emendou uma série de declarações polêmicas nas últimas semanas que tiveram ampla repercussão, como, por exemplo, seu argumento de que casas só com mães e avós são “fábricas de desajustados”.
Guedes, por sua vez, tem perfil mais independente, e desenha por sua própria conta a agenda que deve fazer. No entanto, também recebeu telefonema de Bolsonaro, que queria saber mais sobre a proposta da nova CPMF.
Cada um à sua maneira, direta ou indiretamente, os aliados passaram o mesmo recado ao economista: a palavra final é de Bolsonaro. Ou seja, Guedes deveria consultá-lo antes de publicizar opiniões potencialmente controversas.
Em setores tradicionais do mercado financeiro paulistano, as desistências serviram para reforçar impressões pré-existentes sobre Guedes.
