
A eleitora contou que chegou na seção faltando pouco tempo para encerrar a votação e foi surpreendida com a notícia.
“Ao chegar apresentei meu título e documento. Os mesários olharam minha documentação e, até então, estava tudo certo. Ele retirou o comprovante e me entregou. Quando o mesário digitou meus dados, ele me olhou e disse: ‘Mas você já votou!’ E eu argumentei como teria votado se tinha acabado de chegar na seção. Ele me explicou que o sistema informava que meu voto já tinha sido registrado”.
Lucienne disse que o mesário chegou a dizer que algum documento dela poderia estar com problema. “Depois de tentarem duas vezes o procedimento, a mesma mensagem apareceu. Na verdade nem os mesários, nem os fiscais souberam explicar o que aconteceu”, disse a eleitora.
A designer perguntou como ficaria a situação e foi informada que um fiscal iria registrar o caso para ser avaliado pelo Tribunal Regional Eleitoral – ES (TRE). “Eu fiquei ainda mais surpresa porque não pude assinar o documento que o mesário fez. Os mesários e fiscais me disseram que o que eles poderiam fazer era me entregar o comprovante para que eu não pagasse multa. Além disso, me orientaram a registrar o caso no Cartório Eleitoral de Jardim Camburi. Eu não pude votar nos candidatos que eu queria. Fui lá exercer meu papel de cidadã e não pude fazê-lo. Estou com meu comprovante sem ter votado. Muito frustrante isso. Estou muito chateada”, finalizou a eleitora.
Lucienne postou um vídeo em seu Facebook contato o que aconteceu. Assista:
O TRE-ES informou que vai apurar o caso após as eleições.

“Há dez anos eu sou cadeirante e sem perna. E em todas as votações me colocam no segundo andar. Me sinto humilhado. Eu não consigo subir as escadas. Pra votar, eu teria que subir arrastado. Às vezes os policiais me levam para cima, para votar. Mas cansei disso. Sou trabalhador aposentado, sempre votei. Fiz meu cadastro no TER-ES todo correto informando que sou cadeirante. E, dessa vez, não consegui votar.”
O TRE respondeu que tem um procedimento para colocar os eleitores com mobilidade reduzida em seções especiais, o prazo para requisição foi até o dia 9 de maio. A solicitação tem que ser feita pelo eleitor, que precisa ir ao cartório eleitoral, para informar a necessidade de atendimento especial.
“Se não houve formalização do eleitor nesse sentido, não temos como saber quem é quem. Não foi o primeiro caso hoje. Provavelmente esse é um desses casos. Todas as escolas têm uma seção especial no mínimo, que não pode funcionar em outro local que não seja no térreo, a não ser que tenha elevador”, explicou Marcos Roberto Souza, chefe do cartório eleitoral, 57ª Zona, de Vila Velha.
Em outro caso, o técnico de segurança do trabalho Iann Rebouças Delunardo, 44 anos, foi impedido de votar na seção do Colégio Marista, em Vila Velha. Delunardo contou que, quando chegou na seção, os mesários procuraram o nome dele até encontrá-lo na última página do livro de cadastros com biometria porém, estava com restrição de voto.
“Me orientaram a ir até um representante do TRE-ES ali mesmo no colégio Marista. Este, por sua vez, não soube me explicar o motivo pelo qual não pude votar e me encaminhou para o Cartório Eleitoral da Praia da Costa”.
O TRE-ES explicou a Delunardo que, quem fez biometria no período de setembro a novembro de 2015, deveria retornar ao órgão para realizar uma atualização.
“Eu argumentei essa orientação porque não houve nenhuma divulgação por parte do governo de que, quem fez a identificação biométrica neste período citado pelo TRE-ES, não poderia votar ou que deveria voltar ao TRE para resolver esse problema. Só na minha seção tinham muitos nomes de eleitores que estavam na mesma situação. Fiz meu cadastramento biométrico todo correto e votei em 2016 mas este ano passei por isso. Acho um absurdo que um erro deles prejudique não só a mim, mas vários outros eleitores, pois nada foi divulgado”, disse o eleitor.
O jornalista Alexandre Damazio, 46 anos, levou a irmã, Fabíola Damazio, 50, para votar. Fabíola possui capacidade intelectual reduzida e, segundo o irmão, todos os anos a mãe deles acompanha a irmã até a cabine para que ela consiga votar.
Ao chegar na seção, Fabíola não pode votar porque seu irmão foi impedido de ajudá-la na cabine. “Fiquei surpreso que não pude ajudá-la. Ela vota há 12 anos, desde quando fez o título e, desta vez, foi impedida de exercer seu voto. Informaram que se ela não tem capacidade de ficar na urna sozinha, não poderia votar. Se para o Tribunal Regional Eleitoral ela não pode votar, isso deveria ter sido informado desde quando ela tirou o título. Eu e minha família estamos muito chateados com essa situação e por ela ter passado por isso”, disse o irmão.
O TRE informou que vai averiguar o que aconteceu.