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Eleições 2020

Previsão de recorde de faltas preocupa candidatos

As eleições do próximo domingo podem ser marcadas pelo alto número de abstenções. Primeiro, por conta da Covid-19. Segundo, porque, diferente dos ...

Última atualização

As eleições do próximo domingo podem ser marcadas pelo alto número de abstenções. Primeiro, por conta da Covid-19. Segundo, porque, diferente dos anos anteriores, será mais fácil justificar a ausência: agora é online. Além disso, o valor da multa é baixo (R$ 3,51).

Nos bastidores, uma ala do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que abstenções podem chegar a 30%, sobretudo porque a pandemia deve afastar das urnas idosos, eleitores com comorbidades, gestantes e os mais desacreditados. A reportagem ouviu agentes de campanhas a prefeito que também mostraram essa preocupação.

Urna eletrônica: eleições municipais serão no próximo domingo, dia 15 de novembro (Foto: José Cruz/Agência Brasil)Os impactos disso, segundo especialistas, são variados. O primeiro é que o eleitor menos fervoroso pode fazer falta para os candidatos. “Quem não tem candidato muito claro, uma convicção maior, pode ser tentado a não participar. Especialmente se já tiver notícia de que o colégio eleitoral está cheio”, disse o doutor em Ciência Política Vinicius Zuccolotto.

A tendência, portanto, é de que quem tem um voto mais convicto compareça e ajude a ditar as regras do jogo. “A polarização ainda é muito forte. Então as tendências de voto devem seguir uma lógica ideológica, com bolsonarismo e petismo. O eleitor evangélico, também. Ele tem um traço direitista e é fiel aos seus líderes”, afirma.

Questionado, então, porque não necessariamente candidatos bolsonaristas e petistas surgem despontando em pesquisas, ele explica que, ainda que não seja um carimbo explícito, os políticos apresentam “traços” dessa ideologia.

Os que patinam no meio do jogo, sem despontar na liderança, saem prejudicados. “É por conta do voto útil. Apesar do impacto para o pleito como um todo, a abstenção, no entanto, não muda o rumo do ganhador. Se atrapalhar, é para evitar que em algumas cidades a disputa se resolva no primeiro turno”, completa Zuccolotto.

O eleitor idoso, do grupo de risco da Covid-19, também pode ser o fiel da balança na avaliação do doutor em Ciências Sociais Riberti de Almeida.

“É um eleitor, via de regra, conservador, não afeito aos novos candidatos. Com isso, pesa negativamente a sua falta nas urnas para os candidatos em busca de reeleição ou já tradicionais, caciques, com mais tempo de estrada”, explica Almeida, acreditando que os eleitores mais identificados com ideologias vão aparecer em massa às urnas.


SAIBA MAIS


  • O voto segue com as regras de obrigação. Mas o TSE disponibilizou um serviço no aplicativo e-Título, que possibilitará este ano a justificativa sem a necessidade de comparecer a uma sessão de votação. Há um recurso de geolocalização, que detectará se o eleitor não está, de fato, na cidade onde deveria votar.
  • No caso da pessoa estar doente ou com sintomas de alguma doença, os faltosos terão 60 dias, contados a partir de 15 de novembro (1º turno) e de 29 de novembro (2º turno), para apresentar os motivos da falta, com um documento que comprove o motivo (como atestado médico).
  • Em geral a multa para quem não justifica a falta é de R$ 3,51 para cada turno de ausência e pode ser quitada pela internet – os juízes eleitorais podem alterar o valor dependendo da situação
  • Por nota, o TRE-ES disse que todos os mesários estarão com máscaras e protetores faciais, mantendo o distanciamento dos eleitores e serão disponibilizados álcool em gel. Não será permitido o voto de quem estiver sem máscaras.

Estratégias para convencer os eleitores

Diante do cenário de abstenções, os candidatos precisam, além de pedir votos, induzir eleitores a de fato a comparecerem aos colégios. É o que a maioria tem feito.

Na Serra, o candidato a prefeito Fábio Duarte (Rede) apela para o jogo político: “Eu tenho procurado mostrar ao eleitor que esta eleição é decisiva para o futuro da Serra. Ou a gente vai andar para frente e dar prosseguimento a um modelo de gestão técnica que dá resultados ou vai voltar ao populismo de antes”.

Outro candidato à Prefeitura da Serra, Bruno Lamas (PSB) bate na tecla de uma “mudança para quebrar a hegemonia, que já dura 24 anos na cidade”, em referência aos mandados alternados de Audifax Barcelos e Sergio Vidigal.

Na disputa pela Prefeitura de Vila Velha, Neucimar Fraga (PSD) usa a retomada da economia pós-Covid como argumento para evitar abstenções. Ele alerta seus seguidores das redes sociais sobre a importância de participarem deste momento democrático.

Arnaldinho Borgo (Podemos) argumenta que “o mesmo grupo político está se alternando no poder há quase 30 anos e não deixou legado para a cidade”. Por isso, é preciso votar e implantar novas ideias.

Já Rafael Primo (Rede) reforça ser necessário ir às urnas, até mesmo para aqueles que não declaram apoio ao candidato.
Max Filho (PSDB) diz que sua campanha prepara peças informativas sobre como votar em segurança em tempos de pandemia.

Em Vitória, Fabrício Gandini (Cidadania) tem falado aos eleitores para que levem o “kit eleições”: documento com foto, título eleitoral, caneta, álcool em gel, uso de máscara e manter o distanciamento.

João Coser (PT) tem batido na tecla da importância democrática do voto. “Já estão, inclusive, no nosso planejamento das redes sociais, peças sobre o voto consciente”.

E Delegado Pazolini (Republicanos) diz que fala aos eleitores sobre o respeito às normas sanitárias.

Gilbertinho Campos (PSL) argumenta que “a única saída para essa crise é pelo voto”, “principalmente neste momento em que a política está sob o impacto de retrocessos e negacionismos”.

Outros candidatos a prefeito, na Grande Vitória, foram procurados, mas não responderam até o fechamento da reportagem.


ANÁLISE


“Percepção sobre os riscos aumentou”

“Pesquisas qualitativas sobre a pandemia mostram que a percepção da opinião pública sobre os riscos de contaminação nas cidades do Estado aumentou bastante, inclusive por causa do comportamento de risco de muitos candidatos e das campanhas eleitorais.

O comparecimento no dia da votação vai variar em função da percepção do risco de contaminação. Essa preocupação com os riscos de contaminação é maior entre a faixa etária acima de 60 anos e entre os que sofrem de alguma comorbidade.

É preciso uma campanha educativa de comunicação social por parte autoridades (e das forças políticas e candidatos), esclarecendo os procedimentos de prevenção e higienização que serão adotados nos locais de votação e orientando o comportamento preventivo dos eleitores no dia da votação.”

Fernando Pignaton, cientista político

 

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