
Tribuna Online – Qual é a proposta prioritária de seu plano de governo?
Raphael Furtado – A criação de Conselhos Populares deliberativos, com delegados eleitos por local de trabalho e moradia, para que a população decida realmente sobre os rumos da cidade.
Quais suas propostas para a segurança pública no município?
Criação de casas-abrigo para mulheres e LGBTs vítimas de violência doméstica. Reestruturar e valorizar a GCM, realizando concurso público. A GCM deve ser controlada pelos conselhos populares, seus coordenadores eleitos. Os guardas devem trabalhar na região em que moram, para atuar de maneira muito mais integrada. Sua função deve ser exclusivamente patrimonial e sua formação deve ser diferente, feminista, anti-racista e anti-LGBTfóbica.
A prefeitura também vai lutar pela desmilitarização da polícia, com uma polícia única, civil, com direito de sindicalização e controlada pelos trabalhadores. Da mesmo forma, lutaremos pela descriminalização de todas as drogas, sob controle do Estado, para acabar com o tráfico e o genocídio da juventude pobre e negra das periferias. Os casos de adoecimento serão tratados como problemas de saúde, e não de polícia. Treinamento das populações para a auto-defesa organizada.
Quais são os objetivos para os primeiros 100 dias de administração?
Implementação dos Conselhos Populares. Toda a prioridade no combate à Covid-19, com base na ciência e na preservação da vida das trabalhadoras e trabalhadores, garantindo uma quarentena de verdade e com auxílios para garantir a renda e o emprego.
Revisão detalhada de todos os contratos da prefeitura, para submeter aos conselhos populares deliberação sobre sua manutenção ou não. Retirada da proposta de reforma da previdência da Câmara de vereadores. Encaminhamento imediato da proposta sobre Educação Infantil aprovada pelo COMEV e que está parada na prefeitura.
No campo da saúde, quais são suas propostas?
Além da luta contra a pandemia, valorização de todos os profissionais da área de saúde. Fortalecimento dos programas de saúde da família, defesa irrestrita do SUS, contra a privatização. Cancelar os contratos com as OSs, concurso público. Não à terceirização. Treinamento dos servidores de saúde para lidar com as especificidades das LGBTs, de forma humanizada e sem nenhum constrangimento.
Além disso, faremos treinamento dos profissionais e adequação dos espaços para atendimentos adequado às PCDs. Garantia de tratamento igualitário na rede de saúde para negros e negras. Treinamento dos profissionais para identificar doenças de saúde que incidem maia sobre essa população, como a anemia falciforme.
Ampliação da rede de cuidados em saúde mental, matriciados pelo CAPS, com a implementação de atensimento terapêutico de base comunitária. Implementação concreta de políticas de prevenção ao suicídoo. Uma política específica para garantir o atendimento psicológico para as LGBTs.
A prefeitura lutará por mais leitos de saúde mental nos hospitais públicos. Nenhum dinheiro público para ONGs e “comunidades terapêuticas”. Fiscalização rigorosa desses espaços. Garantia de atendimento na rede pública à toda população, com qualidade e gratuitamente. 100% do tratamento de esgoto em Vitória. Ampliação do número de UPAs e do horário de atendimento. Ampliação do sistema de ambulâncias.
De que maneira pretende interagir diretamente com as comunidades e associações de bairros?
Elas vão participar dos Conselhos Populares que irão gerir a cidade de fato.