Uma fábula de amor moderna com tudo que há de positivo e negativo nisso. Assim é a Forma da Água, o longa-metragem dirigido pelo mexicano Guillermo Del Toro e campeão de indicações ao Oscar deste ano. Está concorrendo em 13 categorias, incluindo melhor filme e melhor diretor.
A protagonista da história é a muda Elisa (Sally Hawkins, em sua primeira indicação a melhor atriz) que trabalha como faxineira de um laboratório vinculado ao governo americano. É para lá que é levada uma criatura recém-capturada na América do Sul: um humanoide com características anfíbias, ou, sendo mais claro, um homem anfíbio. É exatamente este o casal principal da história.
Em tempo de diversidade, o filme traz um amor puro, inimaginável e, para alguns, inapropriado. Como não poderia deixar de ser ao se tratar de uma fábula, há uma bela e oportuna moral ao final da história.
Porém, por incrível que pareça, não está apenas no casal protagonista a ousadia de Del Toro, que é o produtor e roteirista do longa ao lado de Vanessa Taylor. Ao som dos clássicos da primeira metade do século passado — com direito à música e Carmem Miranda em close — trata de forma clara do preconceito vivido por negros, mulheres e homossexuais em uma sociedade americana machista e racista.
Destaque para dois atores coadjuvantes. Richard Jenkins que vive o pintor Giles e tem a sua primeira indicação e Octavia Spencer, que concorre na mesma categoria que ganhou o Oscar em 2012 por Vidas Cruzadas e encarna desta vez a amiga de Elisa, a hilária Zelda.
Ambos ganham espaço exatamente pelo longa ter protagonistas que quase não falam e que se comunicam pela linguagem de sinais — mais um acerto. Ambos ganham diálogos excepcionais, até como uma saída para manter o ritmo da história, cabendo aos dois as melhores piadas e as falas mais cativantes.
Sobre o lado não tão bom da fábula, há certo maniqueísmo, principalmente nos vilões que reúnem tudo aquilo que há de errado em sua personalidade. Isso, todavia, em nada atrapalha o enredo, muito bem amarrado. O destaque, além do roteiro e a profundidade dos personagens, fica com a fotografia de Dan Laustsen (primeira indicação ao Oscar) em tom azulado, que invariavelmente transmite a ideia de umidade.
Há quem diga que é a melhor obra de Guillermo Del Toro, primeira vez indicado à categoria de melhor diretor. Seu gosto por fantasias sombrias já é conhecido, principalmente depois de Labirinto do Fauno, mas neste filme há um equilíbrio certeiro nas suas excentricidades. Vale ressaltar que seu homem anfíbio em muito me lembrou um personagem do filme Hellboy II, de 2008, que ele mesmo dirigiu.
Mas, como Del Toro mesmo apontou em entrevista, sua indicação por um filme tão bem construído lança holofotes sobre os talentos e outros diretores vindos da América Latina. Definitivamente, é um diretor com orgulho de seu filme fabuloso.
INDICAÇÕES
Premiação principal
Melhor filme
Melhor diretor (Guillermo Del Toro)
Melhor atriz (Sally Hawkins)
Melhor roteiro original (Guillermo Del Toro)
Melhor ator coadjuvante (Richard Jenkins)
Melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer)
Premiação técnica
Melhor designe de produção
Melhor fotografia (Dan Laustsen)
Melhor Figurino
Melhor edição
Melhor Mixagem de som
Melhor edição de som
Melhor Trila Sonora
