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“A vida é um sopro”, diz MC Koringa após retirada de tumor

“A vida é um sopro”. A famosa frase foi dita, desta vez, por MC Koringa, ao resumir o que viveu recentemente. Há menos de um mês, o funkeiro carioca ...

"Não damos importância a alguns problemas de saúde", diz o funkeiro

Última atualização

“A vida é um sopro”. A famosa frase foi dita, desta vez, por MC Koringa, ao resumir o que viveu recentemente. Há menos de um mês, o funkeiro carioca foi internado às pressas para a retirada de um tumor no ouvido. Mesmo sendo benigno, comprometia a audição do músico, de 39 anos.

Em casa e já com a situação sob controle, o dono dos sucessos “Danada Vem que Vem” e “Dança Sensual” avalia tudo o que passou e conclui: “Não damos importância a alguns problemas de saúde por acharmos que são pequenos e acreditarmos que nada grave acontecerá conosco. Mas é aí que está o problema”.

O cantor, compositor e produtor MC Koringa confessa que o medo de não conseguir mais escutar era real, por mais que os médicos o tranquilizassem. “Preciso muito da minha audição para continuar o meu trabalho”, diz o pai da Thamyris, 19 anos, Anna Vitória, 10 anos, e Lívia, de 9 meses.

“Não podemos esquecer da responsabilidade que temos com a nossa família e, por isso, devemos nos cuidar e não facilitar para o azar. Quando se fala em tumor, mesmo sendo benigno, assusta bastante”, afirma.

Confira a entrevista abaixo:

Passou a tempestade, já parou para avaliar o que enfrentou? Que lição ficou?

MC Koringa Que, às vezes, não damos importância a alguns problemas de saúde por acharmos que são pequenos e acreditarmos que nada grave acontecerá conosco. Mas é aí que está o problema. Todo defeito dá sinal e, na maioria das vezes, os pequenos sinais ignorados são os que se tornam grandes.

Hoje, aconselha todos a não deixarem os compromissos profissionais ofuscarem a saúde.

Sem saúde, não temos como manter a rotina de luta em busca de qualquer objetivo. Fortes, fisicamente e mentalmente, somos capazes de buscar os objetivos e resistir às dificuldades.

Já reprogramou sua agenda para um novo ritmo?

Aos poucos…

Recentemente, a música perdeu MC Sapão, que morreu aos 40 anos vítima de pneumonia. No ano passado, foi o Catra, de câncer, aos 49. Conta um pouco sobre a relação de vocês.

Conheci o Sapão quando ele ainda cantava em dupla, era Ramon e Sapão. Eu tinha uns 15 anos e ainda não havia lançado a primeira música, o que veio a acontecer em 1996.

Estávamos morando bem próximos e malhávamos na mesma academia. Sapão era um dos poucos representantes da nossa geração que somava forças com o estilo de música que fazemos.

Qual a sensação que fica?

De que parece que estamos ficando sozinhos. Eu, Buchecha, Leozinho e Marcinho fazemos um estilo de som que os DJs gostam de tocar, por saberem que não apelamos com palavrões fora de contexto ou apologias. Boas lembranças ficarão desse cara de bom humor, voz potente e músicas marcantes.

Você e a Popozuda já homenagearam o Sapão no Baile da Favorita. Pretendem reunir mais nomes em tributo maior?

Ainda não tivemos tempo, mas acho que é importante nós não deixarmos que o tempo faça as pessoas esquecerem de tantos nomes que, de alguma forma, ajudaram o funk nacional a chegar até aqui. E, sem dúvida, o MC Sapão é um desses caras importantes, assim como Mr. Catra.

Fala sobre o disco novo, o “Trilha Sonora”?

Ele foi produzido por mim e pelo DJ Batutinha, e a galera, por meio das plataformas digitais, vem percebendo a diversidade sonora desse trabalho. Vale a pena conferir.

Você é um grande defensor de que o funk pode falar de sexo sem pegar pesado. Também condena posturas que associem funk ao crime. Continua levantando essas bandeiras?

Não vou ser hipócrita em dizer que não deve ter palavrão, desde que tenha um motivo para que ele esteja ali. Mas não palavrões aleatórios, como tenho visto em alguns casos, totalmente fora de contexto.

Funk não é crime, e funkeiro não é criminoso. Tudo que é crime já é previsto em lei. O fato de um criminoso ouvir ou cantar funk, pagode, rock ou sertanejo não faz do segmento um crime.

“Casa do Carvalho” é sua nova aposta musical. É um recado para a galera que está mais preocupada em vigiar a vida dos outros do que a própria?

Sou o criador de um dos refrões mais cantados do ano passado para cá: “Quero Que Tu Vá”.
Desde criança, observo a indignação de muitos com essa postura de pessoas se metendo ou cuidando da vida alheia. Por isso, a ideia de “Quero Que Tu Vá”.

Eu não queria mais fazer esse tipo de música, por achar que o recado estava dado, mas a inspiração não havia parado por ali. Aí veio a ideia da “Casa do Carvalho”. Fica um conselho: “Não usem como indireta!” (Risos)

Sua filha Anna Vitória, de 10 anos, participou do filme nacional “Resistir para Recomeçar”. Deu apoio logo de cara ou tentou adiar os planos dela?

Anna Vitória me enche de orgulho. A luz dela tem brilhado e estou muito feliz em ver que despertou essa vontade nela. Ela faz curso de TV e Teatro e, por mérito próprio, vem conquistando seu espaço.

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