
“A solidão é uma coisa que tenho dificuldade de lidar, e isso é mais comum do que eu imaginava. Quando falo sobre isso com amigos, eles dizem o mesmo. Ao mesmo tempo, acho que é o único caminho para a gente crescer, então acho muito importante saber lidar com a solidão. E eu estou aprendendo a lidar com isso agora. A partir dos 30, a gente vai vendo que isso é fundamental”, conta, ao AT2, o capixaba, que há dois meses está solteiro e pretende continuar assim.
Apesar de tratar de sentimentos tão presentes na quarentena, Silva finalizou a maior parte das letras logo no início do isolamento, quando foi para Caraíva, na Bahia, ao lado de seu irmão e antigo parceiro, Lucas.
“Acho que tem um pouco de nós dois nas músicas. E a gente sempre foi muito amigo, sabe muito das histórias um do outro. Então, é bem autobiográfico, mas feito a quatro mãos”, afirma.
Entre as 14 canções, o 1º single, “Passou Passou”, e três colaborações de peso: Anitta canta na romântica “Facinho”, Criolo participa em “Soprou”, um samba que remete à origem no Recôncavo Baiano, e João Donato está em “Quem Disse?”, que fica entre o jazz e a bossa.
“Não escondo minha vida”
AT2: O que foi determinante para o CD se chamar “Cinco”?
Silva: Começou com um conceito bem simples de ser o quinto álbum autoral. E, depois, comecei a ver que tinha um monte de “cinco” na minha vida. Por exemplo, Lúcio, meu primeiro nome, tem cinco letras, assim como Silva e Souza, meus dois sobrenomes.
Acredita em numerologia?
Acho interessante, gosto das brincadeiras de palavras.
Foi o CD que mais teve tempo para se dedicar. Se não fosse a pandemia, ele seria outro?
Sim. Música tem a questão de tempo. Você precisa de tempo no estúdio, tranquilo. E, quando você está com um deadline apertado, não tem a oportunidade de errar. As coisas têm que ser do jeito que saíram. Então, acabou sendo o lado benéfico da pandemia, mas é até difícil dizer que ela trouxe algo de bom…
Ao mesmo tempo, salvou a minha cabeça. Se tivesse enfrentado a pandemia sem estar trabalhando nesse disco, teria sido difícil pra mim, como foi para muitos amigos.
Esse é mais um disco produzido e mixado por você.
Esse ia ser o primeiro disco que ia chamar um produtor diferente. Só que o produtor que eu tinha na cabeça já estava com dois discos na fila. Fiquei meio assim, não acreditei que teria de fazer aquilo de novo, mas agradeço muito. Foi legal, porque fiz do meu jeitinho.
O CD traz ritmos variados. Como se deu essa mistura?
Tem um exercício que venho fazendo. Gosto de criar playlists privadas e salvo canções de gêneros diferentes, mas que têm uma mesma onda, sabe? Comecei a ver que tinham coisas que se encaixavam muito bem, como reggae e jazz. E quis fazer isso no álbum. E esse foi o desafio: não deixar o disco soar como uma coletânea.
“Não Vai Ter Fim” tem algo de Roberto Carlos em seu som.
Sim, mas não foi algo intencional. Acho que a gente ouve a vida toda e acaba sendo influenciado sem se dar conta.
Cheguei a cogitar convidá-lo. Sou sempre muito corajoso com isso. O “não”, eu já tenho. Até perguntei aos amigos que conhecem o empresário dele. Só que, na pandemia, ia ser muito complexo. Tentei trabalhar com um artista, que não posso falar o nome, mas que sou muito fã, e estava difícil, porque essas pessoas que já são idosas estavam com medo. Então, isso atrapalhou. Mas estou muito feliz com as participações do disco.
E como essas colaborações aconteceram?
Trabalhamos remotamente, que era o jeito que dava, apesar de não achar o melhor dos mundos. Mas seria muito complexa uma logística que funcionasse, e estava morrendo de medo no começo também.
Mandei “Facinho” para a Anitta com um pouco de receio por “Fica Tudo Bem” ter só dois anos de lançada. Mas ela adorou!
Criolo, conheci no ano passado, num Réveillon em Salvador, e conversamos sobre música, nos entendemos bem. Mandei a música, ele gostou e retornou com uma segunda parte escrita por ele. E eu amei!
A com Donato, era uma gravação que eu tinha da mesma época que fiz “Um Pôr do Sol na Praia”, com a Ludmilla. E foi incrível! Acho muito precioso tê-lo no disco, porque é um dos músicos brasileiros que eu mais admiro.
O disco traz canções de término e você está recém-solteiro.
Tem só dois meses que estou solteiro. Então, essas músicas nem eram para alguém específico. Até porque meus términos, geralmente, são “de boa”. Eu detesto briga! (Risos) Então, acabo ficando amigo depois de um tempo. Prefiro!
As pessoas querem saber de seus relacionamentos. É algo que te incomoda?
É algo novo para mim, mas que lido bem, porque não escondo minha vida. Estou confortável com o que eu sou. Se tivesse um problema com minha sexualidade, ficaria mais incomodado.
Mas futucarem a sua vida faz parte de quando as pessoas passam a se interessar por você. Elas ficam curiosas e as motivações variam. Tem gente que faz mera especulação, outras fazem isso de um jeito mais venenoso, e tem quem faça por admiração. O que incomoda são as especulações. Às vezes, as pessoas dão informações que não são bem aquilo, e acabo tendo que explicar para as pessoas que se relacionaram comigo que aquilo não era sobre elas.
A música “Passou Passou” mesmo. Teve quem falou para meu ex: “Ele cantou para você, maior recadão”. Só que consigo ser amigo das pessoas com quem me relacionei.
E seus fãs gostam da sua solteirice, não?
Sim! (Risos) Recebo mensagens sempre, de todas as categorias. (Risos) Acho isso curioso e faz parte. E tem essa coisa do palco também. Quando estou no palco e alguém grita “lindo”, brinco: “o que o palco não faz, né?”. Porque tem essa coisa da admiração pelo que você faz. Então, prefiro levar de um jeito mais divertido.
Fãs ficaram animados quando criou um perfil no Only Fans, site de conteúdo adulto.
Essa foi uma brincadeira que eu levei a sério demais! (Risos) Alguém comentou no Twitter: “Duvido que o Silva faça um Only Fans”. E aí, estava num dia inspirador, levei a brincadeira muito a sério e fiz. E isso viralizou de uma forma que fiquei assustado! Ainda não sei se vou usar, mas vai que surge uma boa ideia. (Risos)