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“Voltamos a glamourizar a magreza a qualquer custo”, observa atriz Mariana Xavier

Mariana Xavier, que apresenta peça neste sábado e domingo em Cachoeiro, fala sobre o aumento do uso das canetas para emagrecer

“Voltamos a glamourizar a magreza a qualquer custo”, observa atriz Mariana Xavier
- Mariana Xavier encena o monólogo “Antes do Ano que Vem”
Foto de perfil de Clóvis Rangel

Clóvis Rangel

Clóvis Rangel é publicitário e jornalista formado pela Faculdade Pitágoras. Pós-graduado em Redes Sociais e em Sociologia, atua como especialista na editoria de variedades. É repórter do jornal A Tribuna e do portal Tribuna Online, além de professor de Marketing.

Última atualização

A busca pela magreza a qualquer custo voltou a ganhar espaço, e a atriz Mariana Xavier vê com preocupação esse movimento. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, a atriz critica a glamourização dos corpos magros e o uso de medicamentos para emagrecer sem que a saúde seja a prioridade.

“A gente voltou a glamourizar a magreza a qualquer custo. E isso também é um fator de adoecimento mental”, afirma. A preocupação tem raízes na própria história.

Entre os 18 e os 20 e poucos anos, Mariana recorreu diversas vezes a medicamentos para perder peso e acabou presa a um ciclo de emagrecimento e ganho de peso.

Hoje, a atriz diz ter uma relação diferente com o próprio corpo e defende que a saúde não seja subordinada à aparência.

“Eu tenho um corpo, mas não sou um corpo”, resume. Ela explica que passou a priorizar os exercícios físicos e a qualidade de vida, sem transformar o emagrecimento em obrigação.

“Eu não assinei um atestado de que eu tenho que ficar gorda para sempre. Só não estou disposta a fazer qualquer coisa pela magreza”.

Mariana ressalta que não é contra medicamentos utilizados com indicação médica. Para ela, os avanços científicos podem beneficiar quem precisa tratar doenças, mas a popularização das chamadas canetas emagrecedoras como recurso estético exige atenção.

A discussão sobre os padrões de beleza também se conecta à saúde mental, tema central de “Antes do Ano que Vem”, monólogo que a atriz apresenta neste sábado e domingo, no Teatro Sesc Cachoeiro, em Cachoeiro de Itapemirim.

A montagem mistura humor e emoção para abordar a solidão e o sofrimento emocional. No palco, Mariana interpreta sete personagens, com idades que vão dos 16 aos 80 anos.

A experiência, segundo ela, ampliou sua empatia diante das dores humanas. A atriz também fala abertamente sobre a própria saúde mental: tem diagnóstico de transtorno de ansiedade e já enfrentou burnout e um episódio depressivo.

As redes sociais são outro ponto de atenção. Para Mariana, a comparação constante com a vida alheia pode agravar as cobranças e as insatisfações. “O grande mal das redes sociais é que a gente insiste em comparar nossos bastidores”.

Depois das apresentações no Estado, a atriz se prepara para a turnê internacional do espetáculo.

“Meu corpo carrega a minha história” – Mariana Xavier, atriz

– A Tribuna – Você contou que tomou vários remédios para emagrecer na juventude. Como essa experiência influencia sua visão sobre a febre das canetas emagrecedoras?

Mariana Xavier – Eu tomei todas as porcarias do mundo para emagrecer quando tinha 18, 20 e poucos anos. E foi justamente em busca dessa magreza que me tornei uma mulher gorda. Cada vez que tomava um remédio, parava e engordava mais. Por isso, fico tão preocupada com essa onda das canetinhas.

– Você reconhece os avanços da medicina, mas critica a transformação das canetas em uma moda. O que mais preocupa nessa busca pela magreza?

A ciência é maravilhosa. Não podemos desperdiçar seus avanços. Essas canetas chegaram como uma revolução muito positiva para muitas pessoas. Mas voltamos a glamourizar a magreza a qualquer custo. E isso também é um fator de adoecimento mental.

– Hoje você é referência de autoestima. O que mudou na maneira como enxerga seu corpo e lida com os padrões de beleza?

Eu não me trocaria jamais pela Mariana de 20 ou de 30 anos, mesmo tendo hoje muitos quilos e marcas a mais. Meu corpo carrega a minha história.

– Em “Antes do Ano que Vem”, você interpreta sete personagens. Como o espetáculo transformou sua maneira de compreender o sofrimento emocional?

Fazer essas personagens há tanto tempo e me conectar com as questões delas me tornou muito mais empática com as dores emocionais das pessoas. A gente precisa olhar para o sofrimento do outro com mais cuidado.

– Além da turnê internacional, você comemora a compra de um apartamento. Quais são seus próximos sonhos?

Realizei um feito que jamais imaginei na minha vida, que foi comprar um apartamento. E agora vem uma grande aventura, que é fazer uma reforma completa. Nunca fui uma pessoa de fazer planos a longo prazo. Acho que por isso acabei chegando muito mais longe do que imaginava, aproveitando as oportunidades com a maior dedicação possível.

SERVIÇO

“Antes do Ano que Vem”

O quê: Monólogo encenado pela atriz Mariana Xavier.

Quando: Neste sábado (10), 20h, e domingo (11), 19h.

Onde: Teatro do Sesc Cachoeiro, Aeroporto, Cachoeiro.

Ing.: A partir de R$ 60 + taxa.

Vendas: Site do Festival de Teatro Seguros Unimed.

Obs.: Ocupação por ordem de chegada.

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