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“Aprendi a respeitar minha intuição”, diz ator Michel Joelsas

O pisciano emotivo e reservado escreve, atua e também sonha em dirigir e ver a aproximação através da arte como algo único, incrível. Usa bastante a ...

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O pisciano emotivo e reservado escreve, atua e também sonha em dirigir e ver a aproximação através da arte como algo único, incrível. Usa bastante a palavra “poético” no bate-papo. Parece guiado pelos sentimentos.

"Estar com pessoas que são apaixonadas por elas e pela vida é essencial para mim”, diz Michel (Foto: Fabio Audi/Divulgação)“Bastante”, confirma Michel Joelsas, o Chico da série “Boca a Boca”, da Netflix. “Na verdade, todas as minhas decisões normalmente são intuitivas. Eu sempre procuro dar um passo para o racional, mas tenho aprendido a respeitar a minha intuição, o meu sentimento, porque vejo que é algo forte em mim, natural, e que tem me levado por um caminho bonito”, completa.

O caminho começou bem cedo, aos 10 anos, no filme “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (lançado em 2006), de Cao Hamburger, e o levou ao Festival de Cinema de Berlim. Foi então que a tal intuição lhe disse que seu destino era atuar? Ainda não.

Durante anos, o paulista equilibrou a atuação em filmes como “Que Horas Ela Volta” e o seriado “Malhação” com a faculdade de Administração. Então, um dia, em um estágio em uma empresa, a ficha caiu. “Percebi que eu não conseguiria ser feliz ali. O meu negócio era a arte”, conta.

Empolgado, o artista de 25 anos diz que “Boca a Boca” discute temas essenciais. Nele, uma epidemia transmitida pelo beijo leva a reflexões sobre preconceito, tolerância e liberdade.

“A gente tem de ter um adolescente dentro de nós”

AT2 É novo, mas já atuou no cinema e na TV. Fruto de sorte, trabalho duro, destino?

Michel Joelsas Acho que tem de tudo um pouco. Acredito que, para crescer como ator, primeiro a gente precisa crescer como ser humano. E isso é uma busca infinita e envolve muito trabalho e, claro, contar também com a mão do destino, ou ter sorte.

Quando fez “Malhação”, foi chamado de novo galã do momento. O que achou disso?

(Risos) Acho que faz parte, é divertido. Não tem problema essa coisa do galã, em qualquer momento da vida. Apesar de estar conectado no processo artístico, acho que a gente tem que ter um adolescente dentro de nós. Acho chato quando as pessoas viram adultas e só adultas. Eu gosto das pessoas que têm uma energia jovial, uma autenticidade, um idealismo. Essa também é a minha forma de ser. Então, eu me divirto.

E a fama? Como é ser parado na rua?

Eu sempre fui muito introvertido, a minha vida inteira. Isso não chega a incomodar e eu aprendi a lidar com isso, porque foi preciso vencer essa minha introspecção. Coisa de pisciano. Aprendi a lidar com tudo isso e até me abri um pouco mais. Agora eu gosto.

Que diferença isso trouxe para a sua vida?

Muito autoconhecimento. Eu precisei buscar me conhecer mais, fui para outra cidade, convivi com outras pessoas – artistas importantes –, houve muita troca nesse momento. E eu era muito instigado a fazer um bom trabalho. Acho que foi aí que eu saí da condição de menino e me tornei um homem.

Escreve, é intuitivo… E o amor? Que peso tem em sua vida?

Acho que, naturalmente, isso tem um peso enorme na minha vida. É difícil para mim separar amor, amizade, porque são diversos tipos de amor. Mas isso é uma das coisas mais bonitas que existe na vida. E estar com pessoas que são apaixonadas por elas e pela vida é essencial para mim. Sou apaixonado pela vida.

Dá para ter afeto virtual?

O contato virtual preenche um pouco, mas nada substitui o abraço, o olho no olho, o cheiro e a energia que a gente troca.

Tem ambição de ser protagonista de uma novela das oito?

Eu não iria buscando fama, porque isso é consequência. Iria se fosse um personagem potente que me desafie. Aí mergulho com tudo!


O QUE ELE DIZ


Autêntico

“Chico é um personagem muito peculiar, muito livre e autêntico e ele me tocou profundamente. Me deu vontade de fazer, tudo foi muito instintivo. Esse é um momento em que o país está polarizado, as pessoas estão se ouvindo pouco. E essa é uma história sobre afeto. As relações entre as pessoas são muito poéticas e verdadeiras e acho que esse é um tipo de arte que está precisando acontecer”, diz Michel Joelsas sobre “Boca a Boca”.

Em Berlim, aos 11 anos

“Acho que eu tinha essa visão do privilégio, na perspectiva da criança, de que eu estava em um dos maiores festivais de cinema do mundo. Mas eu não fiquei deslumbrado. Eu estava feliz em estar com pessoas que eu conhecia, levando o cinema brasileiro para o mundo todo e por conhecer aquele festival. Acho que criança racionaliza tudo de forma muito mais simples. No lançamento do filme, eu tinha uns 11 ou 12 anos. Depois disso, os meus pais perguntaram se eu queria fazer teatro e eu disse ‘eu quero brincar com os meus amigos’”, conta ele sobre participar do Festival de Berlim com “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias.

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