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Aurora musical de Diego Biazatti

O cantor e compositor Diego Biazatti tem 36 anos e vive em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. Ao longo da última década, ele compôs a maioria ...

Diego: "“O repertório é bem variado em estilos. Tentamos organizar de uma forma crescente”.

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O cantor e compositor Diego Biazatti tem 36 anos e vive em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. Ao longo da última década, ele compôs a maioria das músicas que fazem parte de “Lado B. – Ou Aurora”, o seu primeiro álbum, lançado neste mês.

Com 11 faixas autorais que flertam com o rock alternativo e a nova MPB, o trabalho foi construído ao lado do irmão Alan Biazatti e também do músico Dienis Sequim.

Gravado ao vivo durante a apresentação do trio no Festival Cultura em Toda Parte, o trabalho está disponível nas plataformas de streaming e também no YouTube.

Segundo Diego, apesar da maioria das músicas serem antigas, há também composições recentes. Uma delas é “Poema em Preto e Branco”, faixa que abre o álbum.

“Essa é uma música que seria apenas instrumental e ia se chamar ‘Piano em Preto e Branco’, por causa das teclas do instrumento. Porém, mandei para a Gab Kruger, nossa produtora, e ela escreveu a letra”, relembra o artista.

Diego: "“O repertório é bem variado em estilos. Tentamos organizar de uma forma crescente”. (Foto: Divulgação)

Outra canção recente do artista e que está presente no trabalho é “Canção da Incerteza”. “Ela fala sobre a pandemia”, ressalta o artista.

“Lado B. – Ou Aurora” é mais do que um compilado de canções guardadas. As faixas, sejam novas ou antigas, quando ouvidas na sequência proposta pelo artista, avançam, crescem e passeiam por diversos estilos e ritmos.

“O repertório é bem variado em estilos. Tentamos organizar de uma forma crescente, de baixo para cima. Na última música, que se chama ‘Zero Defeito’, colocamos um R&B. É a mais animada”.

E ele continua: “E esse efeito crescente que tem o álbum começa com uma pesada, mais para baixo. Ela, apesar de meio ‘down’, não é uma faixa pessimista”, destaca o músico, que incluiu até um baião no álbum, mais precisamente em “Que Mundo é Esse?”, a 7ª faixa.

Em meio a esse começo proposto por “Aurora”, Diego e seus parceiros já pensam no futuro e nas novas faixas a partir da estreia musical. Com planos de lançar um single nos próximos meses, ele adianta que pretende usar a nova música para abordar saúde mental.

“Vou falar, de maneira implícita, sobre transtorno bipolar. A faixa vai fazer analogia com uma pessoa que mora numa casa-barco e tem que conviver, ora com a agitação do mar, ora com a calmaria”, diz.


“A ideia de ‘Lado B’ era para ser o nome do grupo”


AT2 Acabou de lançar “Lado B. – Ou Aurora”. O que significa essa aurora? É um novo começo para você?

Diego Biazatti Exatamente. É meio que o começo, o primeiro álbum. As músicas estavam há tanto tempo guardadas que decidimos lançar para dar continuidade aos nossos novos trabalhos.

O que significa o “Lado B”?

A ideia de “Lado B” era para ser o nome do grupo. Ia ser o nome do trio. E, por essas músicas serem meio simples, a gente optou por ser um lado b. Talvez lado b seja essa formação, com esses músicos. 

A maioria dessas músicas tem 10 anos. Elas continuam fazendo sentido para você?

Muitas dessas músicas têm a cara da época que a gente estava aprendendo a compor. Elas estão meio cruas. As coisas que a gente compõem hoje em dia são mais maduras, mais trabalhadas. 

Contou com a parceria do seu irmão e do Dienis. Esse álbum existiria se você tentasse compor com outras pessoas?

Talvez seriam outras músicas. Inclusive, o disco tem outras parcerias. Tem a parceria com o Diego Comum, na música “Zero Defeito”. Há a colaboração de um músico baiano em “Eu e Você e Só”.

Você já tocou na noite de Cachoeiro, em bandas e baile. Acredita que essas experiências te ajudam a ser um artista solo?

Sim! Tocando com outros músicos, a gente aprende bastante e vai selecionando umas influências. Comecei a tocar em barzinhos em 2013 e precisei trabalhar isso: mostrar a cara como vocalista.

Agora, com a pandemia, acabei saindo da banda de baile e decidi lançar as músicas que estavam paradas aqui.

Há alguma pressão adicional por ser de Cachoeiro, terra de Roberto Carlos e Sérgio Sampaio, ao fazer música?

Olha, eu não sinto. (Risos) Desde criança, eu sempre gostei de música. Aos 4 anos, ganhei um teclado do meu pai. O meu pai, aliás, é um grande fã de Roberto Carlos. No ano passado, ele ganhou o segundo lugar do concurso de cover do Roberto.

Voltando a falar sobre o álbum, há elementos eletrônicos nas músicas, mas eles não são protagonistas, compõem.

Esses elementos entraram porque a inscrição do projeto no Cultura em Toda Parte foi em trio. Por causa disso, fiz esses samplers eletrônicos. Mas é isso mesmo, eles não são protagonistas. Eles compõem, mas tudo bem discreto. 

Quais são as suas referências musicais?

Tenho algumas referências de Los Hermanos e da nova MPB também. Além disso, o que venho acumulando de ouvir e tocar na vida inteira meio que formou esse estilo alternativo presente no trabalho. Acredito que seja MPB alternativa ou um rock alternativo.

Disse que, na próxima música, vai tratar sobre saúde mental. Qual a importância de levar esse assunto para a música?

Já convivi com pessoas com transtorno bipolar, e tratar sobre saúde mental é super importante. É algo que, hoje em dia, está em alta, que está sendo bem discutido.

Além disso, é uma tentativa de conscientização. Às vezes, você não sabe o que a outra pessoa está passando na vida dela.

Mas, na música, o transtorno não será implícito. Vou contar uma história a partir de uma analogia: a história de uma pessoa que mora num barco-casa e que está sujeita à inconstância do mar.

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