A coragem e determinação têm colocado a capixaba Stefany Senna cada vez mais próxima de seus sonhos. Sob a alcunha de Morenna e com seu talento já reconhecido no cenário local, a cantora de Vila Velha ganha o Brasil ao relançar, pela Warner Music, o EP que deu início à sua carreira solo: “Blá Blá Blá Deluxe”.
“Esse é um trabalho que eu esperava que rendesse bastante, porque realmente nos empenhamos em fazer algo que impactasse na vida das pessoas e que marcasse o início de uma era. Está sendo um momento muito mágico e espero alcançar o máximo dentro da minha realidade”, explica ao AT2.
E os desejos da artista pop, com influências de R&B e rap, vão além dos cantados em seu novo single, “Crystal”, como um videoclipe por mês ou uma turnê na Jamaica.
“Tenho muitos sonhos ainda para concretizar. Tem muita coisa nova para sair, várias músicas e clipes, e tenho o grande sonho de lançar meu primeiro álbum. Sempre fui uma garota muito sonhadora, mas vamos por partes”, frisa.
Aos 26 anos, ela sente orgulho de sua luta até aqui e por ter sido “coroada” não só com um contrato com uma grande gravadora, mas também com um remix da canção “Blá Blá Blá” feito pelo projeto de música eletrônica Tropkillaz. “Consegui riscar mais um sonho da minha lista”, comemora.
Morenna recorda que cresceu com a música fazendo parte da rotina diária de sua casa. “Tive a sorte de ter parentes músicos formais e informais, então cresci rodeada de música, videoclipe, roda de samba e de vários estilos musicais juntos. Minha família consumia muito DVD, quase mais que televisão. Lembro que a gente tinha um videokê e se divertia muito junto”.
Ver as pessoas dançando e cantando se tornou algo tão natural para a capixaba que ela não percebia que possuía um dom pronto para ser explorado.
“Descobri que era uma coisa diferente com 10 anos, quando tive minha primeira experiência mais profissional, no coral da escola. Lá tive professores que sinalizaram que eu tinha um talento e foi daí que comecei a entender um pouco mais sobre. Aos 18 anos, comecei a minha carreira profissional, já cantando em bares”, conta ela, que é ex-integrante do grupo Solveris.
Morenna | Cantora
“Nasceu de desabafo”
AT2: Relança EP por uma grande gravadora. O que isso representa para uma mulher negra capixaba?
Morenna: Representa muito! Para as mulheres que estão vindo pela frente poderem ver esses locais de importância sendo ocupados. Isso incentiva, abre portas. É muito gratificante conseguir executar um trabalho nacional.
Quando Stefany Senna decidiu se tornar Morenna?
Não foi uma decisão, mas um processo de muitos meses e imersão, do que eu queria passar, da minha história.
Fiquei bastante tempo nessa busca, com dois colegas. Não tinha me identificado com nenhum nome e já estava ficando sem entender o porquê. Foi Patrik Braga que sugeriu.
Na hora, foi um mix de sentimentos. Senti grande incômodo, mas uma identificação forte, porque, na infância e na adolescência, fui chamada assim, quando as pessoas não sabiam meu nome. Mas tinha sempre cunho racial. As pessoas queriam falar da cor.
E caiu realmente como uma luva. Foi um nome que eu escolhi trazer comigo, e contar um pouco dessa história.
Como a experiência no grupo Solveris te ajudou?
Foi muito importante. Já pretendia lançar minha carreira solo desde antes do grupo, mas estava num período de testar as coisas, de me encontrar, de consumir as referências. O Solveris foi esse tempo de incubadora, de entender melhor sobre as letras, de ganhar experiência com palco…
Que mensagem quer passar com sua música?
Uma mensagem de alegria, de amor a si mesmo e ao próximo. Que a gente consiga se sentir cada vez mais empoderada e corajosa para fazer o que quer da vida, ter força.
A canção “Blá Blá Blá” nasceu de um desabafo?
Nasceu de um desabafo acumulado, de muitos episódios pelos quais nós, mulheres, passamos na vida. Independente da profissão, ainda somos muito desvalorizadas e subestimadas.
Muitas mulheres que conheço conquistaram as coisas com força de vontade, sem apoio. Falo dessa história que se repetiu com minha avó, mãe, tias e com minha vida.
É um desabafo sobre ter que seguir sozinha, ter força para não desistir de nossos sonhos.
Quais suas inspirações? Quer ser referência?
Rihanna, Beyoncé, Tinashe, Rosalía e Solange! Espero ser inspiração para outras mulheres serem elas mesmas!
