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Carolla Parmejano se torna atriz internacional após gordofobia e dormir na rua

Vítima de bullying na infância e adolescência, a atriz Carolla Parmejano, 34 anos, encontrou na arte uma maneira de minimizar sua dor. Isso tudo ...

Última atualização

Vítima de bullying na infância e adolescência, a atriz Carolla Parmejano, 34 anos, encontrou na arte uma maneira de minimizar sua dor. Isso tudo aconteceu por causa das humilhações que sofreu por seu corpo não atender aos padrões estéticos exigidos.

Chegou a pesar quase 100 kg. Recebeu “não” para inúmeros trabalhos a que se candidatou. Até que, cansada, mudou de país com o sonho de ser atriz na bagagem.

E conseguiu! Após quase 15 anos nos Estados Unidos e cerca de 33 kg a menos, a paulistana festeja a carreira internacional e sua primeira produção brasileira: o filme “Solteira Quase Surtando”. No longa, ela interpreta Tati, uma solteira convicta que adora curtir.

Carolla Parmejano: "Passar por isso tudo me deu muita força. Mas não é  fácil. Sempre busquei algo para fazer, para não entrar no buraco negro que é a depressão" (Foto: Gerson Loples/Divulgação)“Estou muito orgulhosa de mim mesma! Orgulhosa de poder trabalhar no País que um dia me rejeitou”, diz ela, por telefone, diretamente de Los Angeles, nos EUA.

“Mas não tenho raiva do Brasil. Tive raiva porque não consegui mostrar meu talento aí”, completa ela, que conta ter passado por dificuldades fora do País.

“Dormi quatro ou cinco dias nas ruas de Miami. Conheci um desabrigado e a gente se cuidava: enquanto eu dormia, ele ficava acordado. E vice-versa”, relembra.

Depois disso, as coisas começaram a caminhar. Carolla conseguiu uma casa, trabalhou como faxineira, garçonete e babá. Mas nunca deixou o sonho de ser atriz de lado, até se estabelecer na profissão. Hoje faz dublagens, é dublê de atores e até empresta seu talento para games. 

“Passar por isso tudo me deu muita força. Mas não é algo fácil. Mesmo com bullying, sempre busquei algo para fazer, para não entrar no buraco negro que é a depressão”, afirma ela.

“No Brasil, parece que minhas asas estavam presas”

AT2 Você trabalha nos EUA em games, comerciais… Foi além da carreira de atriz, que, aqui no Brasil, se concentra em atuar em filme, série, novela e teatro. Como enxerga isso?

Carolla Parmejano Por ser artista, vou atuar onde tiver que atuar. Se tiver que atuar no palco, no cinema ou fazendo bonecos para crianças, vou colocar todo o meu amor. Nunca esperei que esse mundo da atuação fosse tão grande. Inclusive, participei de uma animação e fui nomeada para o Oscar da dublagem, o Society of Voice and Arts of Science (Sovas). Sou a voz da personagem Dra. Cho na animação “Dead Space – After Math”.

Quando decidiu ser atriz?

Desde 8 anos, eu juntava primos para fazer apresentação para a família. Sempre quis contar uma história. Mas meus pais não achavam que isso era uma carreira. Foi difícil. Porém, nunca pensei em fama. Sempre pensei que queria atuar e contar uma história. O resto é consequência. 

Foi sequestrada na infância e isso fez com que quisesse sair do Brasil. O que aconteceu depois?

O sequestro aconteceu quando eu tinha 13 anos, ao sair da escola. Foi coisa de minutos. Além disso, a minha casa em São Paulo foi roubada. Isso tudo me deu medo de seguir no Brasil. Foi no mesmo ano em que perdi minha avó. Saí do Brasil com 17 anos. Primeiro, fui para o Canadá e voltei. Depois, fui para Itália, onde fiz escola de teatro e retornei ao Brasil.

Sair do País foi libertador?

Foi muito mais que libertador. Foi nascer de novo. No Brasil, parece que minhas asas estavam presas. Entendo que meus pais queriam o melhor para mim, mas não me sentia bem fazendo publicidade e marketing, no que me formei.

Como foi seu começo nos Estados Unidos?

Fiquei em Miami. Morei lá por quase 7 anos. Trabalhei muito. No começo, é sofrido, porque você não conhece ninguém. Mas aí você conhece um brasileiro aqui, um anjinho colombiano ali. Hoje, tenho apartamento na Flórida. Se você tem pé no chão, sempre tem um jeito de ser bem-sucedido. Mudar de país não é para qualquer um. Se você vem para festa, para aproveitar, não saia do seu país.

O QUE ELA DIZ

Rejeição e bullying

“(Choro) No Brasil, quando buscava testes para atuar, fui rejeitada várias vezes. Os papéis que conseguia eram mínimos. Na escola e na universidade, fui vítima de bullying”, lembra a atriz Carolla Parmejano.

Aceitação

Mesmo passando por dificuldades, Carolla reforça a ideia de aceitação. “Tento passar a ideia de aceitar o próprio corpo. Quando meu empresário ou agente fala que os contratantes queriam alguém menor, eu brigo e digo que posso fazer”, afirma, aos risos. 

“Estou muito orgulhosa de mim mesma! Orgulhosa de poder trabalhar no País que um dia me rejeitou”, diz a atriz.  (Foto: Divulgação)

Relacionamento

Carolla conta que não conseguia ter um companheiro na juventude. Hoje, está casada. “Eu me estabeleci em Los Angeles. Estou casada há dois anos e tenho trabalhos que pagam a minha vida”, diz a paulistana, que quer aumentar a família, com filhos.

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