João Freitas é o Joaoeascoisasnaoessenciais, um cachoeirense, que, como tantos, é fã de Roberto Carlos, Raul e Sérgio Sampaio. “Não só pelas músicas, mas também pela trajetória deles”, deixa claro o cantor e guitarrista.
João leva a sério esse lance de trajetória e se orgulha do seu primeiro show, com sua primeira banda, para um público restrito, digamos assim. Ah! Era festa de Cachoeiro de Itapemirim!
“Eu comecei numa banda chamada Hiância, gravamos dois trabalhos: um EP e um álbum, intitulado ‘Terra do Nunca’. Fizemos alguns shows pelo Estado e até fora dele. O primeiro foi na festa de Cachoeiro, em um palco livre que tinha lá, para um total de 10 pessoas. Foi bem bacana, de verdade!”, garante João Freitas, que passou a se dedicar à música após uma passagem pelo Exército.
O Joaoeascoisasnaoessenciais veio junto com sua mudança para o Rio de Janeiro. “O EP ‘Casimira Verde ou Cânhamo’ é meu primeiro trabalho ‘solo’, e com muitas aspas, porque tive ajuda de muita gente e muitos amigos participaram”, salienta o músico, que lançará o EP até julho.
Pronto! Chegamos ao Joaoeascoisasnaoessenciais e suas novidades. Até que o “Casimira Verde ou Cânhamo” entre completo em todas as plataformas digitais, João Freitas segue antecipando seu trabalho solo, que mescla referências da música brasileira ao rock.
Em “Oh Mãe”, seu mais novo single, explora nuances de valsa com acordes de guitarra. Sintonizando a solidão dos dias atuais na letra, a faixa chega aos principais serviços de streaming pelo selo Caravela, com distribuição da Warner Music Brasil, e ganha um clipe.
“Oh Mãe” se une aos singles anteriores, “(Fo-da-se) Já não Sou mais o Mesmo de Ontem” e “Parabólica”, que compõem o “Casimira Verde ou Cânhamo”.
“São seis faixas ao todo. ‘Oh Mãe’ foi meu último single, o próximo lançamento será o EP completo em todas as principais plataformas digitais. A previsão é de lançar entre o final de junho e início de julho, ainda não decidi o dia com a gravadora”, explica.
João Freitas – Cantor e guitarrista
“Há certa beleza na tristeza”, diz músico
AT2: Em “Oh Mãe”, misturou as cordas do violoncelo com as da guitarra. Fala sobre essa música?
João Freitas: Devo iniciar dando créditos ao produtor musical Aroldo Sampaio. Quando estávamos nos estúdio gravando, tinha esse momento da música que era mais terno, e Aroldo sugeriu introduzir o violoncelo. Daí, chamamos o Paulo Daniel, que é professor de Música em Alegre, para compor algo em cima. O resultado foi o que a galera vai ouvir. Esse momento da música te leva a outro lugar, me deixa flutuando.
A ideia era colocar os acordes da guitarra acompanhando a dramaticidade da valsa? Aliás, o single faz parte do EP “Casimira Verde ou Cânhamo”, que traz essa carga de solidão. É isso?
Não necessariamente foi um processo. Eu ficava tocando esses acordes, tentando escrever alguma coisa, algo que fizesse sentido. De repente, estava ali, a música pronta. Tive a ideia de tocar a primeira parte em ritmo de valsa porque é um tipo de música que, como você bem disse, traz uma dramaticidade para a coisa toda, sabe? Uma beleza soturna. E era isso que eu queria mostrar: há certa beleza na tristeza. E, sim, é um prelúdio do que está por vir no EP.
Muitas vezes, é necessário apagar as luzes? Ou melhor, no escuro, conseguimos enxergar nossos sentimentos?
Eles estão sempre ali, sabe? Nós vemos, sabemos que eles existem. Difícil é demonstrar o que sente. Acho que apagar as luzes deixa a gente menos envergonhado.
Joaoeascoisasnaoessenciais. Para você, o que é essencial? Com a pandemia, sua visão de essencial mudou?
Sim, para mim, antes da pandemia, a busca do “essencial” era uma busca individual, etérea. Hoje vejo que deve ser uma busca coletiva. A maior lição que a pandemia me deu foi que a ignorância de apenas um indivíduo pode prejudicar milhares de outras pessoas. Saúde pública e educação deveriam ser temas essenciais. Mas não basta apenas eu ou você acharmos isso, entende o ponto?
Disse que “Parabólica”, outro single do seu EP solo, fala de você. O que te levou a se descortinar? Conseguiu alcançar o que queria?
Não! (Risos) Tive que ceder ao meio das redes, afinal nasci de uma delas. Mas hoje conto com uma equipe que me auxilia nas postagens e tudo mais.
Eu estava saturado de tudo, esse meio virtual. Nossa geração é a que mais sofrerá sequelas disso, pois somos geração da transição, estamos aprendendo ainda. E, para algumas pessoas, como eu, esse processo é doloroso e difícil de lidar. É um dos videoclipes que mais gosto, com a produção de Cainã Morellato, que conseguiu captar a mensagem da música.
“(Fo-da-se) Já não Sou Mais o Mesmo de Ontem” também é autobiográfica?
Todas são um pouquinho. Essa é mais metafórica. Gosto disso. De deixar nas entrelinhas.
Conta sobre sua transição do Exército para a música? Vem de família de militares?
Que nada! A verdade verdadeira é que só entrei no Exército para comprar meus equipamentos! (Risos)
Terminar de lançar seu EP está entre as suas prioridades, mas há outros projetos para logo?
Haverá uma live prevista para o fim do mês de junho, realizada pelo Instituto Parceiros do Bem, que será transmitida no YouTube e na TVE. Além disso, já tenho trabalho novo para depois do EP. O único spoiler que vou dar é que tem participações especiais.
