
Foi dada a largada para uma corrida muito louca em busca de um filho. E, de quebra, claro, ela quer encontrar um grande amor. Nos cinemas, a partir de amanhã, Mina Nercessian é Beatriz, uma mulher que revê sua lista de prioridades quando o relógio biológico apita em “Solteira Quase Surtando”.
Na vida real, a atriz e roteirista brasileira, que mora há 20 anos em Los Angeles (EUA), também passou por loucuras quando decidiu abraçar a maternidade. “Eu tinha 23 anos e escutei claramente de agentes: ‘Você não pretende engravidar não, né?’. Há uma pressão enorme para que você não engravide, porque isso pode estragar tudo”, conta.
Afrontosa, a carioca de 40 anos que carrega com orgulho o sobrenome do tio, Stephan Nercessian, abraçou a maternidade mais duas vezes. Mãe de quatro filhos, já que a primeira gestação foi de gêmeos, Mina garante que dá para fazer tudo.
“Aprendi que o meu tempo é valioso. A gente tem que aceitar o fato de que não podemos tudo, temos limitações. Então, defina o que você vai fazer, como vai usar o seu tempo e siga. Sem culpas”, ensina.
ENTREVISTA | Mina Nercessian, atriz e roteirista
“O natural é o que serve para você”
AT2 – É uma dupla estreia no Brasil, como roterista e protagonista. Está surtando?
Mina Nercessian – Estou tentando não surtar! (Gargalhadas) O surto começou faz mais de uma semana. Porque eu moro em Los Angeles, a minha casa é lá. E eu tenho quatro filhos. Lá em casa, tudo é um mecanismo, tudo tem que ser planejado para funcionar. Os meninos têm aulas, dança, futebol, e eu precisei me preparar para estar aqui. Mas está dando tudo certo. (Risos)
Como surgiu essa história?
Apesar da minha maior experiência ser em atuação, eu me formei em arte dramática na Ucla e a escrita sempre me interessou muito. Então, fui estudar. Hoje a minha praia é mesmo o roteiro, eu gosto de escrever. E o que eu gosto de escrever é sobre as mulheres, sobre o universo feminino. É isso que eu compreendo. O empoderamento feminino, essa onda positiva que vem tomando força, é algo que me diz muito e me move.
Um outro motivo é porque sendo uma atriz, uma mulher latina que vive em Los Angeles, eu sempre senti que os papéis femininos, especialmente os papéis para as latinas, eram estereotipados. Sempre eram personagens muito sexualizadas, sem aprofundamento algum. Isso me motivou a ser roterista.
Já tem uma carreira como atriz, mas sempre morou nos Estados Unidos. Os brasileiros estão te conhecendo agora. Como tem sido isso?
No começo, foi um pouco difícil, porque eu tinha que convencer parceiros, produtores, distribuidores, em apostar em alguém que eles não conheciam. Isso foi bastante difícil, foi como se eu estivesse começando do zero. Agora, com a estreia, isso está mudando. As pessoas estão vendo o meu trabalho, curtindo, e sinto um apoio muito grande.
Vive uma mulher que quer engravidar. Você tem quatro filhos. Como foi, para você, a decisão de se tornar mãe?
Eu acho que a decisão de ter um filho sempre é muito difícil. Mas eu sempre quis ser mãe. E sempre quis ter uma família grande. O meu marido também. Mas a decisão de ser mãe foi difícil porque é duro para a mulher.
Eu tinha 23 anos, estava em um momento importante para uma atriz. Na época, eu era agenciada pela William Morris Agency, que é uma das maiores agências de Hollywood. Depois que engravidei, perdi a agência. Enfim, tive muitos obstáculos, mas escolhi abraçar a maternidade.
E abraçou três vezes… Ouve que deve ser louca?
(Gargalhadas) Muito! O tempo todo. Eu tive gêmeos e as pessoas achavam que estava resolvido. Mas engravidei novamente mais duas vezes. E eu queria mesmo ter uma família grande. O meu marido até queria que tivéssemos cinco, então… (Risos)
Essa foi a minha escolha e funciona para mim. Eu sei que não é todo mundo que quer ter muitos filhos. E o que a gente discute no filme é que são escolhas e é preciso aceitá-las. Há mulheres que querem somente um filho, outras não querem ter filhos. Tudo bem.
É preciso aceitar a sua vida como ela é, como você escolheu. A mulher ouve desde a infância que um dia vai crescer, casar e ter filhos. Algumas se identificam com isso, outras não. E está certo.
Vamos aceitar as escolhas de cada uma e parar de colocar nas cabeças das meninas de que isso é o caminho natural. O natural é o que serve para você.
Seu tio, Stepan Nercessian, está no filme e é sempre uma delícia vê-lo…
Ai, gente, o meu tio… Nossa, ele é uma pessoa incrível! Eu tenho tanto orgulho dele! Não só pela carreira que ele tem, é um ator espetacular, mas também pelo ser humano que ele é. Ele é uma pessoa muito especial.
Na família, usamos o Nercessian como um verbo. É como se fôssemos uma tribo, temos muitas semelhanças. E o meu tio é o cacique da tribo. (Risos)
Disse que são uma tribo. Como é essa tribo?
Divertidíssima! A gente se mete na vida de todo mundo, conversa o tempo todo, se ajuda, confia um no outro. E, quando a gente vai junto para uma viagem, jamais calculamos uma cama para cada um. Sempre calculamos por metro quadrado! Em um metro quadrado, dá para colocar uns 30 Nercessians. É uma farra! (Gargalhadas)
NA TELONA
No sangue
- Em Los Angeles há 20 anos, Mina Nercessian tem a arte no sangue: é filha do cineasta brasileiro Xavier de Oliveira (“André, a Cara e a Coragem”, 1971) e sobrinha do ator Stepan Nercessian, 66.
Carreira nos EUA
- No currículo da carioca está o papel de protagonista do filme “Dark Amazon” (2014), que lhe deu o prêmio “Most Pormissing Actress” no Los Angeles Brazilian Film Festival. Também participou como dubladora em “Rio2”.
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Mina também já contracenou com Kevin Spacey (“O Psicólogo”, 2009), Nicole Kidman e Will Farrell (em “A Feiticeira”, 2005). Na televisão, participou dos seriados “Las Vegas” e “Reno 911”. No teatro, escreveu e interpretou o monólogo “LOL! Latina On The Loose!”.
Mina também já contracenou com Kevin Spacey (“O Psicólogo”, 2009), Nicole Kidman e Will Farrell (em “A Feiticeira”, 2005). Na televisão, participou dos seriados “Las Vegas” e “Reno 911”. No teatro, escreveu e interpretou o monólogo “LOL! Latina On The Loose!”.